Princípios da Ética Cristã Segundo Lutero (1)

1 – JUSTIFICATIVA

Com a necessidade de estudar os princípios da vida cristã na perspectiva de Lutero, a fim de prestar exames no programa de Mestrado e de concluir uma disciplina sobre a Teologia de Lutero, criamos este curso para aprender juntamente com os alunos da Escola Bíblica – Nível 4 da Paróquia.

2 – OBJETIVO

Analisar e entender, para uma vida cristã mais ativa e significativa, os princípios evangélicos destacados por Lutero para seu tempo e transportá-los para os dias de hoje.

3 – PROGRAMA

Estudo, nos próximos 4 a 5 encontros, o texto de Lutero:

1 – O Sublime Louvor – Análise do Salmo 118 de 1530

4 – AVALIAÇÃO

Participação do Grande Grupo

Avaliação por escrito durante o programa através do questionário a ser respondido.

INTRODUÇÃO AO ESCRITO O Sublime Louvor – Salmo 118 de 1530

Lutero considerava o saltério um dos livros mais importantes.

  • O Salmo 118 era seu salmo preferido e confessou que já o salvou de muitos problemas graves.
  • O comentário ao Salmo 118 foi escrito num momento decisivo para o movimento da Reforma: em meados de 1530. Enquanto outros líderes do movimento da reforma estavam reunidos em Augsburgo, defendendo os princípios evangélicos, Lutero estava banido de se fazer presente perante o Imperador desde 1521 e, por isso, teve que permanecer em território saxônico, em Coburgo. Neste período, onde não pode acompanhar os momentos decisivos para o programa de reforma (só por cartas ou por mensageiros), Lutero também recebeu a notícia de que seu pai havia falecido e foi acometido de vários problemas sérios de saúde. Lutero chama o período que permaneceu em Coburgo de deserto.
  • Ao analisar o texto, perceberemos como Lutero utiliza os momentos históricos para retratar seus pensamentos.
  • O escrito é uma pequena confissão de fé pessoal, onde Lutero confessa simultaneamente a impotência e a pecaminosidade humana e a confiança exclusiva e irrestrita na graça, onipotência e ajuda do Deus que se revelou em Jesus Cristo. É um cântico de triunfo sobre diabo, pecado, mundo e morte.

Leitura e Análise do Salmo 118

Na dedicatória do escrito a seu amigo Frederico Pistório, abade de Nürnberg, Lutero se queixa: Sem dúvida, uma das maiores pragas na terra é o grande desprezo da Sagrada Escritura, inclusive entre aqueles que foram instituídos para isso (sc. Para se dedicar a ela e interpretá-la). As outras coisas, as artes, a literatura, se praticam e exercitam dia e noite. É um labor e uma dedicação que não acaba mais. Somente a Escritura Sagrada se deixa de lado, como se ninguém necessitasse dela. E os que uma vez lhe fazem a honra de a lerem, logo sabem tudo. Jamais apareceu na terra qualquer ciência ou livro que qualquer pessoa tivesse estudado a fundo tão rapidamente como a Sagrada Escritura. No entanto, não se trata de palavras para leitura, como eles pensam, mas tão somente de palavras da vida, que não se destinam à especulação e meditações elevadas, mas para serem vividas e praticadas. No entanto, nosso lamento de nada adianta. De qualquer modo, eles não prestam atenção a isso. Cristo nosso Senhor nos ajude, por meio de seu Espírito, a amarmos e honrarmos sua santa palavra.

A primeira questão: como nós vivemos hoje? Quais são os nossos pressupostos para a vida cristã? Quais são os fundamentos nas nossas decisões? O que entendemos com a palavra ética?

v. 1 – Rendei graças ao Senhor; porque ele é bondoso, e sua bondade dura para sempre.

Diz Lutero: Este versículo é um agradecimento geral por todos os benefícios que Deus o Senhor demonstra ao mundo inteiro diariamente, sem cessar, em todas as coisas, tanto aos bons quanto aos maus.

Dá forte ênfase às palavras bondoso e  sua bondade, justificando: Tens que estar lembrado de que se trata de palavras vivas, excelentes e ricas, que a tudo abrangem e levam à compreensão de tudo: que Deus é bondoso, não como um homem, mas que, do fundo de seu coração, está disposto e inclinado a ajudar sempre e a fazer o bem; que não gosta de irar-se nem de castigar, a não ser que tenha que fazê-lo e seja obrigado e coagido a isso por incessante, impenitente, obstinada maldade humana. Quando se ira e tem que castigar, uma pessoa humana não iria esperar tanto tempo, mas castigaria cem mil vezes antes e com maior dureza do que ele.

A misericórdia de Deus dura para sempre. Lutero chama a atenção para lembrarmos sempre desta misericórdia, pois muitas vezes só lembramos de Deus quando estamos doentes. Por isso, ao longo da vida esquecemos dos maiores bens que Deus nos proporciona e ficamos brigando por fama, dinheiro, bens, poderes, etc. Isto é obra do enfadonho diabo que não quer admitir que usemos e reconheçamos diariamente a bondade de Deus e os ricos benefícios diários, pois seríamos felizes demais.

Além das maravilhas na nossa vida quando sabemos que Deus está conosco, podemos ter este consolo nos momentos de desgraça. Ora, o Deus piedoso nos envia esses males insignificantes somente para acordar do sono profundo a nós roncadores e para que aprendamos a contrapor a eles os incontáveis grandes benefícios que ainda estão presentes. … É assim que também nós deveríamos encarar todos os nossos infortúnios: que neles Deus nos acende uma luz para que nela vejamos e reconheçamos sua bondade e seus benefícios em inumeráveis outra ocasiões, a fim de que comecemos a descobrir que este mal insignificante não passe de uma gota de água que cai num grande fogo ou uma faísca que cai numa grande massa de água.

Na tradução de Almeida, a palavra misericórdia foi traduzida por Lutero por bondade. E ele explica: esta palavra em alemão significa fazer o bem ou bom serviço, que denominamos de esmola. Lutero diz que o termo esmola foi deturpado com o tempo, entendendo-se por apenas um pedaço de pão dado a um mendigo diante da porta, quando na verdade significa um benefício ou bom serviço, assim como Deus nos fez o bem e como nós fazemos o bem uns aos outros.

O vocábulo eternidade deve ser traduzido por em todos os tempos ou sempre. O melhor sacrifício que podemos apresentar perante Deus é reconhecer que ele está acima de tudo e de todos.  Por outro lado, o maior vício e ingratidão na terra e a maior desonra a Deus, é esquecer-se dele.  

A partir deste versículo, vamos responder as perguntas abaixo:

 1 –  Quem é Deus para nós?

 2 – Quando reconhecemos a presença/necessidade de Deus na nossa vida?

 3 – Quais são as influências do mundo sobre nossas ações?

 4 – Por que ainda somos perdedores na nossa vida cristã?

 5 –  A partir desta análise, o que você tem a destacar neste primeiro encontro?

(Rev. Clovis Prunzel)

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