A Fé Cristã e os dons (estudo)

A fé cristã é um dom de Deus. Dom é um presente. Deus dá a fé. Ninguém pode crer pela sua própria razão ou força, visto sermos por natureza cegos, mortos e inimigos de Deus: “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”. (1 Co 2.14). (Ef 2.1; 1 Co 12.3).
A fé cristã é um dom de Deus. É Graça mesmo. “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus”. (Ef 2.8).
Pela Palavra de Deus, o Espírito Santo atua poderosamente nos corações daqueles que não lhe resistem obstinadamente, e gera neles a fé. ” Pois não me envergonho do Evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo o que nele crê”. (Rm 1.16).
A Palavra de Deus é clara: “Hoje, ao ouvirdes a sua voz (DO SENHOR), não endureçais os vosso corações”. (Hb 3.8)

E O QUE É A FÉ CRISTÃ? A fé cristã não é um simples conhecimento de algumas verdades bíblicas, mas é um conhecimento vivo e atuante. EM QUE SENTIDO? Pela Palavra de Deus o Espírito Santo ilumina a pessoa. Isto é, a pessoa reconhece o Deus Triúno como o único Deus; estremece diante da santidade de Deus, reconhece ser um mísero pecador, réu da Eterna condenação; reconhece também, pelo evangelho o amor de Deus em Cristo Jesus, que reconciliou a humanidade com Deus por seu sacrifício na cruz. A pessoa sabe: Jesus é o meu único e suficiente Salvador. A fé cristã se apega à palavra de Deus, especialmente às promessas da graça. Ela diz: Jesus é o meu Salvador e Senhor. E ao se firmar nas promessas, ela é corajosa. Ela não se firma em seus próprios pensamentos, sonhos e desejos. A fé em si não é causativa: Isto é, ela não tem poder em si mesma. O PODER É DE DEUS, a quem a fé agarra em sua palavra (Ordem e Promessa). A fé não tem nada a ver com simples pensamento positivo. O pensar positivamente é firmar-se sobre si mesmo. A fé não se firma em si mesma, mas se apega às promessas de Deus. Por exemplo, se minha consciência me acusa de pecado, vou examinar-me à luz da palavra de Deus. Se errei, preciso me arrepender. Então recorro à graça de Cristo. Firmado na Palavra de Deus, posso dizer à minha consciência: “Fique quieta! Você não tem mais o direito de me acusar. Meu pecado foi pago por Cristo em quem confio. Pela Palavra de Deus o Espírito Santo age poderosamente e me concede paz – Se preocupações me perturbam, recorro à palavra de Jesus: “Não andeis ansiosos” (Mt 6.31-34). Em oração lanço minhas preocupações sobre Jesus (1 Pe 5.7), e peço que Cristo em assista. Releio textos da Escritura, recito Salmos. O Espírito santo atua no coração. A Paz volta. Se por um motivo ou situação perigosa, o medo da morte me assaltar, recorro à palavra de Deus: “Não temas. Eu venci a morte”. (Lc 12.4,32). O Espírito Santo atua no coração e o acalma. Assim o espírito Santo age por meio da palavra de Deus.
Como filhos do Pai, não impomos a ele a nossa vontade. Oramos como filhos. Expomos ao Pai, como filhos, nossos desejos, anseios, dificuldades e sabemos que o Pai nos escuta e fará aquilo que lhe apraz, aquilo que realmente coopera para o nosso bem (Rm 8.28), o bem estar dos que nos cercam e o bem do seu reino (Jo 15.16). Jesus já nos ensinou a dizer: “SEJA FEITA A TUA VONTADE” . Dizer seja feita a tua vontade não é duvidar das promessas de Deus. Dizer seja feita a tua vontade talvez seja o pedido mais difícil de se fazer, mas revela profunda humildade.
É importante dizer que orar com fé não é fazer negociação com Deus, do tipo: Senhor, prometo ou dou isto ou aquilo, se atenderes o meu pedido. Quando a fé não tem ordem e promessa expressa de Deus, o cristão coloca seu pedido no condicional: “Se for de tua vontade”.
SINAIS DA FÉ
Muitas pessoas já me perguntaram: “Como posso saber se estou na verdadeira fé cristã?”. O apóstolo João dá a resposta em sua carta: “Nisto conhecemos que permanecemos nele… Aquele que permanecer no amor permanece em Deus, e Deus nele” (1 Jo 4.13-21).

QUAIS SÃO OS SINAIS? O primeiro sinal é em relação ao objeto da fé: Reconhecer a Jesus como o Filho de Deus, Salvador do mundo, o MEU SALVADOR. A fé cristã se apega ao amor que Cristo nos revelou em sua paixão e morte de cruz, pelo qual reconciliou a humanidade com alegria e esperança. Este amor nos leva a amar a Deus e ao próximo, que são os frutos da fé. O amor a Deus se revela no apego à palavra de Deus, na luta contra o pecado e no empenho por vida santificada. Estes são os sinais da verdadeira fé cristã. Enquanto que a Justificação (AQUILO QUE DEUS FEZ E FAZ POR NÓS) é perfeita, a Santificação (AQUILO QUE NÓS FAZEMOS EM RESPOSTA AO QUE DEUS JÁ FEZ) é imperfeita. Por isso quando a lei nos acusa e diz: “Veja, como você ainda é pecador. Você não é cristão. Você não tem nenhum dos sinais da fé. Então não devemos olhar para dentro de nós, para o Cristo “em nós”; sob a acusação da lei cumpre-nos olhar imediatamente para o Cristo “por nós” na cruz. Nosso consolo e fundamento da fé não está em nós, mas fora de nós, no Cristo que morreu “por nós” na cruz.
Se o Espírito Santo é um dom tão precioso, se ele nos guia na verdade, nos fortalece a fé, nos enche o coração de amor a Deus e ao próximo, como é possível haver entre os cristãos ainda tantas dúvidas, tantas fraquezas, tantas imperfeições? Diante desta pergunta é importante lembrar que, apesar de sermos, como cristãos, templos do Espírito Santo, temos ainda nossa natureza carnal, que nunca muda, que está sempre inclinada para todo o mal, que luta contra o Espírito e contra a fé. Os teólogos do passado já expressaram esta verdade dizendo: “Somos simultânea e totalmente pecadores e santos”. O cristão, conforme sua natureza carnal, é totalmente pecador. O apóstolo Paulo confessa: “Eu sei que em mim, isto é, na minha carne não habita bem nenhum” (Rm 7.18). Ele afirma isso como apóstolo. E conforme sua fé, o cristão é totalmente santo, porque Deus lhe perdoa abundante e diariamente todos os pecados, o declara justo e santo. Assim, conforme a carne somos totalmente pecadores e conforme a fé totalmente santos. Isto estabelece uma luta interna. Nossa luta contra nossa carne e a carne contra o Espírito. “E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com suas paixões e concupiscências” (Gl 5.24). Isto requer do cristão permanente apego à Palavra de Deus, oração sem cessar e vigilância. Nessa luta, há altos e baixos. O Espírito Santo nos assiste em nossas fraquezas e nos fortalece (Gl 5.25). Há cristãos fracos e fortes na fé; há, na vida de cada cristão momentos de fraqueza e momentos de vitória sobre o mal. A luta diária, é sinal de estarmos na verdadeira fé cristã. Por outro lado precisamos lembrar que há na igreja cristã também hipócritas. Pessoas que confessam a Cristo com a boca, mas não crêem. É joio no meio do trigo, do qual Cristo fala (Mt 13.25). Além disto há também falsos profetas. Uma característica dos dias finais (Mc 13.22).
DONS
Hoje, fala-se muito nos dons do Espírito e na importância de se buscar esses dons. Alguns lêem as passagens referente aos dons como lei. Falam da necessidade de cada um descobrir o seu dom e, então, buscar um campo de ação. Alguns afirmam terem dons de curar, de falar em outras línguas, etc. E outros ficam muito preocupados e dizem: “Não sei, não tenho dons especiais. SERÁ QUE SOU CRISTÃO? É importante lermos estas passagens de forma evangélica, e lembrar que Cristo concede dons “Quando e onde lhe apraz” (1 Co 12.11). Deus concede dons na medida em que ele os julga necessários.
Deus é muito claro ao dizer por meio do apóstolo Paulo: “PROCURAI COM ZELO OS MELHORES DONS” (1 Co 12.31). O que significa isto? Qual o parâmetro para se saber quais são os melhores dons? Infelizmente, acentua-se hoje, os dons antes da necessidade. Cabe-nos olhar em nosso redor, para nosso campo de ação e descobrir ali as necessidades das pessoas, da congregação, da igreja e então agir sobre as mesmas em amor, conforme nossa responsabilidade como pai, mãe, filho, filha, patrão, empregado, cidadão, autoridade, etc. Isto nos leva à oração, para pedirmos a Deus forças, habilidades, dons, recursos para servir. Isto é o contrário da busca de dons para auto projeção, ou auto realização, ou à base da exigência da lei. É importante notar que Jesus, ao conferir a Pedro novamente o apostolado não lhe perguntou sobre dons e habilidades, mas uma coisa só: “PEDRO, AMAS-ME MAIS DO QUE ESTES?” (Jo 21.15).
O QUE DIZ PAULO SOBRE OS DONS DO ESPÍRITO SANTO?
Um estudo de 1 Co 12 e 13

I – INTRODUÇÃO
Deus não é estático. Ele se revela em ação. Não conhecemos Deus fora da ação: cria o mundo, chama Abraão, liberta o povo da escravidão egípcia, guia as tribos pelo deserto, reconduz os exilados, envia seu Filho, ordena proclamar o Evangelho a todo o mundo…
Esta concepção dinâmica de Deus contrasta com as noções correntes na cultura de que os coríntios provinham. O “deus” Aristotélico, por exemplo, é estático; não conhece o mundo porque o contato com o mundo imperfeito mancharia a sua perfeição absoluta. O apóstolo nega também a ação às divindades populares, em virtude da existência puramente imaginária. Em oposição ao Deus que cria, preserva e redime o mundo através da Palavra, as divindades helênica são “ídolos mudos”.
O que se observa no plano cósmico, observa-se também no plano individual. A vida espiritual é resultado da ação de Deus. A ação de Deus nos homens realiza-se através do Espírito. Os homens tocados pelo Espírito Santo confessam Jesus como Salvador e Senhor. Os homens podem anatematizar (NEGAR) Jesus por iniciativas próprias, mas só o poder do Espírito Santo os leva a confessar o nome de Jesus.(1 Co 12.3).
O CORPO DE CRISTO:
a) Noção de Corpo – Antes de se refletir sobre a expressão “Corpo de Cristo” convém considerar o sentido de corpo (soma). Corpo significa, nas epístolas de Paulo, de preferência corpo vivo. Corpo não é, nessa acepção, matéria exclusivamente. É síntese de matéria e espírito. Através do corpo o homem se relaciona com Deus e o mundo. O corpo é objeto da ação de Deus. O corpo é lugar em que Deus age e se manifesta no mundo. O corpo é vivo e é ação
b) O corpo de Cristo: A compreensão do termo corpo (soma) auxilia a compreender o que significa a expressão “Corpo de Cristo”. O corpo de Cristo é indivisível. Apresenta dois aspectos: Um deles é o visível, terreno, material. O corpo de Cristo é formado de homens; mas esta realidade terrena é parte de uma realidade divina, o Espírito de Deus. Como o Espírito é um só. Desde que o Espírito não age independente de Cristo, o corpo animado pelo Espírito é o Corpo de Cristo. O Corpo de Cristo é o lugar em que Deus se manifesta ao mundo. A presença do corpo é a presença de Deus. Este corpo é sempre vivo.
Ninguém por natureza pertence ao corpo de Cristo. O Espírito Santo incorpora os que crêem no corpo de Cristo. O Batismo incorpora em Cristo. Somos batizados para dentro de Cristo (eis hen soma). Quem é incorporado no corpo de Cristo torna-se membro de Cristo. No corpo vivo não há membros mortos. Deus age no mundo através do corpo de Cristo, através dos que estão unidos a Cristo, os membros.
II – OS CARISMAS – DONS ( 1 Co 12.4-11)
Toda atividade exercida por um membro é um dom (carisma). Há dons gerais e dons particulares. Os dons gerais foram conferidos a todos os membros indistintamente. Confessar o nome de Jesus (12.3) é um dom geral. A partir do v. 4, Paulo passou a tecer considerações em torno dos dons particulares. Paulo enumera 11 carismas (dons):
a) Diaconia – serviço/ servir. Paulo coloca o serviço em evidência. Cristo revolucionou o conceito de serviço. O serviço era tido como uma atividade desprezível. Jesus considera sua atividade salvadora diaconia (serviço) (Lc 22.26). Todo serviço autêntico na igreja deve ser feito na intenção de Cristo, a de servir.
É interessante destacar que o apóstolo Paulo recomenda buscar os maiores dons. Quais são eles? Paulo parece responder à maneira de Cristo: O maior dom é o menor, a diaconia. Por isso ele coloca este dom em primeiro lugar. Também é interessante destacar que Paulo coloca a palavra diaconia no plural. Por que? Porque a diaconia pode ser exercida de muitas maneiras.
b) Enérgema – realização. É uma palavra que aparece também no plural e refere-se a ação de Deus no homem. Enérgema é uma capacidade de trabalho dado por Deus que se manifesta na realização de todos os dons.
c) Logos sofias – palavra de sabedoria. Sofia significa por vezes sabedoria prática (Mt 12.42), capacidade de julgar.
d) Logos gnoseos – Palavra de conhecimento. Pode significar um profundo conhecimento de Deus (1 Co 14.6).
e) Pistis – Fé. Na literatura bíblica significa confiança nas promessas de Deus. Deve-se distinguir a fé mediante a qual o homem se apropria da salvação e a fé de que o apóstolo fala como um dom particular. A primeira é comum a todos que os que crêem, a Segunda diz respeito a vida cristã e pode apresentar-se com diversa intensidade. Nesse sentido, a fé pode ser fraca (Rm 14.1-4), pode ter deficiência (1 Ts 3.10), pode crescer (2 Co 10.15). Sempre que uma qualidade se refere à vida cristã, está sujeita a modificações. A fé que marca a vida cristã pode chegar a realizar atos fantásticos (1 Co 13.2). Nessa passagem Paulo fala da possibilidade de ter TODA A FÉ, a fé inteira, completa..
f) Charismata Iamatou (Dons de Curar) e Energemata Dynameou (Operações de milagre) devem ser tomados como uma unidade. 
IMPORTANTE: 
Jesus, em vida, não eliminou a doença, a dor e a morte. Os sinais por ele operados eram exemplares esporádicos daquilo que um dia se ofereceria em toda a plenitude.
1 – A CURA NATURAL OU CIENTÍFlCA ATRAVÉS DA MEDICINA
Costumamos distinguir quatro categorias de curas:
A cura natural ou científica através da medicina. A Bíblia fala em doença, médicos e remédios. E ela também fala na origem dos sofrimentos.
A doença entrou no mundo em conseqüência do pecado. Ela espelha o estado espiritual do homem que se rebelou contra Deus: "Toda a cabeça está doente e todo o coração enfermo. Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã, senão feridas. contusões e chagas inflamadas, umas e outras não espremidas, nem atadas, nem amolecidas em óleo." Is 1.5.6. O crente aceita a enfermidade como medida salutar de Deus para mortificar-lhe a carne e fortalecer-lhe o espírito. É a vontade de Deus que o enfermo use todos os recursos permitidos com o fim de recuperar a saúde, da mesma forma como diariamente sacia a fome e sede. O evangelista Lucas era médico e acompanhava, por vezes, o apóstolo Paulo, que não tinha boa saúde. Cl 4.14. Paulo dá este conselho a Timóteo: "Não continues a beber somente água; usa um pouco de vinho por causa das tuas freqüentes enfermidades." 1 Tm 5.23. O bom samaritano, socorrendo o assaltado, "pensou-lhe os ferimentos, aplicando-lhe óleo e vinho". Lc 10.34. Jesus declara: "Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes." Mt 9.12.
É sem razão que adeptos de determinados grupos se opõem a injeções. vacinas e transfusões de sangue. Conta a história que, quando apareceram as primeiras vacinas, houve círculos eclesiásticos que argumentavam da seguinte forma: não devemos contrariar a Deus quando ele nos quer fazer sofrer, ao que contra-argumentou um famoso pregador da época, lembrando que nesse caso também não deveríamos usar o guarda-chuva, visto ser Deus o autor da chuva.
2 – A CURA POR AUTO-SUGESTÃO
A segunda categoria poderíamos chamar de cura por auto-sugestão. E um campo vastíssimo, porque invade a área do psiquismo. Corpo e mente estão intimamente ligados, e são muitos os casos em que não poderão ser tratados separadamente. A medicina de nossos dias agitados calcula que cinqüenta por cento das pessoas sofrem de psiconeurose, a qual por sua vez afeta os pontos fracos do organismo do homem. Como resultado distinguimos entre doenças orgânicas e doenças funcionais E são estas, as funcionais, que em certos casos podem ser curadas por curandeiros profissionais, visto que é grande o poder da vontade e da auto-sugestão do paciente.
A própria Bíblia faz alusão ao fato em passagens do livro Provérbios: "O espírito firme sustém o homem na sua doença." 18.14. "O coração alegre é bom remédio." 17.22 "A ansiedade do coração do homem o abate, mas a boa palavra o alegra." 12.25. "O coração alegre aformoseia o rosto." 15.13.
Portanto, quando num culto o pastor/pregador põe sua mão sobre a cabeça do sofredor e com voz firme e postura autoritária expurga o mal sob invocação de Deus, dificilmente esta pessoa, se manterá impassível: algo mexerá com seus nervos e provocará uma sensação de melhoria. É muito raro um pastor/pregador tentar curar um cego de nascença, um tuberculoso, um diabético, um dente cariado, um leproso, ou transformar água em vinho, multiplicar pães ou ressuscitar mortos.
3 – A CURA MEDIÚNICA
É inegável que existe ainda a cura mediúnica, isto é, uma cura que não é obtida por meios naturais, mas através de poderes sobrenaturais, por intermédio de pessoas ligadas a eles. O cristão sabe que Deus não está presente neste jogo, e se não é Deus, só pode ser o príncipe das trevas que "se transforma em anjo de luz", amigo e benfeitor dos sofredores, bem assim como "os seus próprios ministros se transformam em ministros de justiça. . . em apóstolos de Cristo". 2 Co 11.13-15.
Não é tudo auto-sugestão e não é tudo fraude no espiritismo e na umbanda, bem como nas práticas fetichistas de numerosos povos nativos, pois ocorrem fenômenos "segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais e prodígios da mentira". 2 Ts 2.9. "Mães de santos", que se converteram a Cristo, confessaram que haviam recebido poderes extraordinários do maligno. Mas o diabo cobra preço altíssimo pelos favores que presta. Em troca da cura do corpo ele quer a alma, por menos não faz. Basta alguém procurar uma benzedeira, para correr sérios riscos na sua alma. Cura mediúnica é feitiçaria em alto grau. Só o sangue de Jesus liberta desta escravidão.
4 – CURAS PELA ORAÇÃO DA FÉ
Por fim podemos falar, para grande consolo nosso, em curas obtidas pela oração da fé. Importa, no entanto, resumirmos com clareza o que a respeito nos ensina a Escritura, a fim de nos precavermos do espírito entusiasta tão em voga em círculos onde um cristianismo emotivo e sentimentalista pode afastar da linha sóbria e autêntica seguida por Jesus.
Deus permite que o crente sofra dores como medida de correção para o bem da alma. Lembremos o exemplo de Jó. E só Deus sabe a medida necessária da correção, sua intensidade e duração.
Somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo. 1 Co 11.32.
O Senhor corrige a quem ama. Hb 12.6.
Tanto assim que a doença é aspecto comum na vida dos apóstolos e seus discípulos. Sabemos de casos entre os companheiros do apóstolo Paulo. Timóteo tinha "freqüentes enfermidades". 1 Tm 5.23. A Trófimo Paulo deixou doente em Mileto. 2 Tm 4.20. Epafrodito "adoeceu mortalmente; Deus, porém, se compadeceu dele". Fp 2.26. Ele próprio, Paulo, sofria de "um espinho na carne". 2 Co 12.7. Como se portará o crente na enfermidade? Ele não se rebela contra a mão de Deus que pesa sobre ele, mas se curva em humildade e arrependimento e confia no amor do Pai celeste. Sobretudo, a angústia ensina a buscar a Deus na sua palavra e estimula a oração fervorosa. E jamais um filho de Deus baterá às portas do reino das trevas em busca de ajuda. É fundamental lembrarmos como Jesus ensinou: “SEJA FEITA A TUA VONTADE”. 
  • A tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Rm 5.3,4
  • Ele fere, e as suas mãos curam. Jó 5.18.
  • A tua palavra me vivifica. Si 119.50.
  • Regozijai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, na oração perseverantes. Rm 12.12.
  • Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás. SI 50.15.
  • Está alguém entre vós sofrendo? Faça oração. Tg 5.13.
  • E quando familiares e irmãos na fé unem suas preces em favor do angustiado. têm uma promessa toda especial: “Se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que porventura pedirem, ser-lhe-á concedida por meu Pai que está nos céus” Mt 18.19
  • Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. Tg 5.14. 
Precisamos distinguir entre cura milagrosa e atendimento de orações.
A cura milagrosa da era apostólica se deve ao fato de terem sido os apóstolos expressamente habilitados por Jesus a realizarem prodígios e sinais: ‘Cura enfermos, ressuscitai mortos, purifica leprosos, expeli demônios”. Mt 10.8.
  • (Os doze) expeliam muitos demônios e curavam numerosos enfermos, ungindo-os com óleo Mc 6.13.
  • As credenciais do apóstolo foram apresentadas no meio de vós, com toda a persistência, por sinais, prodígios e poderes miraculosos. 2 Co 2.12.
O atendimento das oraç5es em nome de Jesus se baseia na promessa divina, válida para todos os tempos e em qualquer situação, desde que são condicionadas á vontade de Deus. Por isso o apóstolo Paulo exorta os crentes: "Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas diante de Deus as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graça” Fp 4.6. E o mesmo apóstolo, após ter suplicado três vezes em vão a que Deus o libertasse de um mal que o afligia, se conforma humildemente e se apega a uma promessa superior: "A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza." 2 Co 12.8,9.
É importante a lição que a resposta dada a Paulo encerra para todos os ministros de Deus: a cura da alma imortal é sumamente mais necessária do que a cura do corpo perecível E não é bom sinal quando um pastor ganha fama de homem "de poderes" e é chamado apenas para curar doentes físicos. Sua missão vai mais além.
5- TODAS AS OBRAS DO DEUS CRIADOR SÃO MILAGRES
Todas as obras do Deus Criador são milagres autênticos de seu poder que um mundo sonolento e insensível à grandiosidade que o rodeia não sabe enxergar e avaliar.
Não podemos furtar-nos de citar WIII Durant em sua crítica à filosofia materialista de nossos dias: “É espantoso que um pensador tão sutil e um poeta tão etéreo como Santayana amarrasse ao pescoço o fardo esmagador de uma filosofia que após séculos de esforços continua tão incapaz como sempre o foi de explicar o crescimento de uma flor ou o riso de uma criança."
  • Tu és o Deus que operas maravilhas. SI 77.14.
  • Quão grandes, Senhor, são as tuas obras! Os teus pensamentos, que profundos SI 92.5
  • Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem. SI 139.14
6 – A OBRA DA SALVAÇÃO É O MILAGRE DO AMOR DE DEUS
A obra da salvação é o milagre do amor de Deus, que sacrificou por nós seu próprio Filho, o "Maravilhoso" (Is 9.6), e nele nos oferece, através da mensagem do evangelho, o céu aberto com todo o seu esplendor e glória.
“Grande é o mistério da piedade: Aquele que foi manifestado na carne, foi justificado em espírito, contemplado por anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, recebido na glória”. 1 Tm 3.16.
7-O MAIOR DOS MILAGRES SOU EU FEITO FILHO DE DEUS
O maior dos milagres sou eu, pobre pecador, remido pelo sangue do Cordeiro, e regenerado por obra do Espírito Santo e feito filho de Deus pela fé em Cristo Jesus
“Fiel é a palavra e digna de toda aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal. Mas, por esta mesma razão me foi concedida misericórdia, para que em mim, o principal, evidenciasse Jesus Crista a sua completa longanimidade e servisse eu de modelo a quantos hão de crer nele para a vida eterna”. 1 Tm 1.15,16.
“Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo, de Cristo vos revestistes”. GI 3.26,27.
8 – OUE DIZER DOS MILAGRES NO SENTIDO COMUM DA PALAVRA?
Que dizer dos milagres no sentido comum da palavra, segundo os dicionários os definem como fenômenos que não têm explicação natural dentro da experiência e dos conhecimentos do homem?
A Bíblia ensina que só Deus pode fazer milagres. Só Deus opera prodígios. SI 72. 8.
O único que opera maravilhas. SI 136.4.
É o mesmo poder com que Jesus realizou seus milagres.
“Eu e o Pai somos um” Jo 10.30
“Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós, com milagres, prodígios e sinais. At 2.22.
Jesus não queria satisfazer a curiosidade dos homens perante Herodes, (Lc 23.8,9), nem conquistar o povo em troca de benefícios terrenos (querem-no como rei, Jo 6.15), nem impressionar a incredulidade manifesta (em Nazaré "não pôde fazer nenhum milagre, senão curar uns poucos enfermos. . . Admirou-se da incredulidade deles". Mc 6.5,6).
Antes Jesus queria manifestar a sua glória, comprovar sua messianidade (Is35.5,6; Mt 11.5,6; JO 3.2), fortalecer a fé dos seus, e socorrer os necessitados ("Tenho compaixão desta gente", Mt 5.32).
Deus concedeu este poder, em casos especiais e com finalidades especiais, a anjos (proteção de Daniel, 6.22 e de Pedro, At 12.9) e a homens escolhidos do Antigo e do Novo Testamento para consumar os planos divinos (Moisés, Josué, Elias), para ajudar os crentes em necessidades, e para credenciar o ofício de seus mensageiros.
“Porque aos seus anjos dará ordens a teu respeito, para que te guardem em todos os teus caminhos. SI 91.11.
“E eles, tendo partido, pregaram em toda parte, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra por meio de sinais, que se seguiam. (Primeiro a pregação do evangelho, o maior dos milagres depois segue o menor: o sinal). Mc 16.20.
Sendo assim, homem algum possui este poder para dispor dele quando quiser, a ponto de se apresentar ao público como milagreiro profissional, apto para prestar ajuda aos sofredores. Ademais, imaginemos as manchetes do mundo inteiro, caso um deles pudesse imitar os milagres de Jesus relatados por João em seu evangelho, em número de sete:
  • Transformação de água em vinho. 2.1-11
  • Cura do filho de um oficial do rei, em Caná 4.46-54
  • Cura de um paralítico. 5.1-9 
  • Pão para cinco mil. 6.1-15
  • Jesus anda sobre o mar 6.16-21
  • Cura de um cego de nascença. 9.1-12
  • Ressurreição de Lázaro. 11.146
“A nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim, contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes”. Ef 6.12.
“Faraó, porém, mandou vir os sábios e encantadores; e eles, os sábios do Egito, fizeram também o mesmo com as suas ciências ocultas”. Ex 7.11.
“Também muitos dos que haviam praticado artes mágicas, reunindo os seus livros, os queimaram diante de todos”. At 19.19.
“Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais e prodígios da mentira, e com todo engano de injustiça aos que perecem porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos, é por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira”. 2 Ts 2.9-11.
Realmente, no passado houve épocas em que aprouve a Deus, em sua insondável sabedoria, providenciar com que homens atuassem, na qualidade de instrumentos revestidos de poderes do alto, na execução dos planos divinos no tocante a formação, proteção e propagação de seu reino na terra. Tais épocas se caracterizam ainda pela aparição ostensiva de anjos e, sobretudo, pela divina inspiração que resultou nos Livros Sagrados, a Bíblia.
Referindo-se a estas épocas, J. D. Davis, no seu 'Dicionário da Bíblia", diz textualmente: “Os milagres da Bíblia limitam-se, quase exclusivamente, a quatro períodos, separados entre si por alguns séculos. 
(1) O período em que Deus operou o livramento de seu povo do cativeiro do Egito e seu estabelecimento na terra de Canaã sob o comando de Moisés e de Josué. 
(2) Os milagres operados durante as lutas de morte entre o paganismo e a religião verdadeira no tempo dos profetas Elias e Eliseu. 
(3) A intervenção divina no modo por que se manifestou o poder de Javé sobre os deuses do paganismo, mesmo na terra do exílio, como se deu com Daniel e seus companheiros." – A respeito do 4º período que abrange "o estabelecimento do cristianismo", trataremos logo abaixo. Finaliza o autor: "Afora estes períodos, os milagres são muito raros. . . são quase inteiramente desconhecidos durante muitos séculos depois da criação até ao Êxodo."
O último dos profetas, Malaquias, encerra seu Livro, e, simultaneamente, todo o período da revelação, com a promessa do precursor do Messias (3.14.4-6). E agora reina o silêncio completo: sem inspiração, sem milagres, nem outras manifestações diretas de Deus. Diz um autor: "Os 400 anos do período interbíblico caracterizam-se pela cessação da revelação bíblica, pelo silêncio profundo em que Deus permaneceu em relação ao seu povo, pois durante esse período, nenhum profeta se levantou em nome de Deus." Os próprios livros apócrifos acompanham o silêncio nas áreas indicadas.
Com a vinda do Messias, Deus inicia um novo capítulo na história da igreja seria o 4º período, recém mencionado. O Antigo Concerto é abolido e cede lugar à Nova Aliança (Jr 31.31). No "tempo oportuno da reforma' (Hb 9.10) processa-se uma mudança que causa tremendo impacto. Cai o sábado. Rasga o véu no templo. Acabam os holocaustos, a circuncisão, as purificações. O sinédrio está alarmado, o povo desnorteado. Já começara com João Batista (ele não fazia milagres, Jo 10.41) que testemunhava daquele que haveria de vir. E este, homem feito, impõe-se no templo, faz valer sua autoridade. É interpelado: "Que sinal nos mostras, para fazeres estas coisas?" (Jo 2.18).
E Jesus, depois do primeiro milagre em Caná, "estando ele em Jerusalém, durante a festa da páscoa", continua a fazer sinais, assim que "muitos creram no seu nome" (Jo 2.23), e um representante do sinédrio chegou a confessar: "Ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele." Jo 3.2. É importante o fato que o próprio Filho de Deus quebrou o silêncio de quatro séculos e fez surgir, atravessando os portais de pentecostes, a era apostólica, em que os apóstolos e alguns de seus discípulos (Estevão, Filipe) realizaram sinais, conforme lemos em Hb 2.3,4.."A qual (a grande salvação), tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram; dando Deus testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres, e por distribuições do Espírito Santo segundo a sua vontade."
Isso no passado. E agora que a igreja do Novo Testamento está formada, consolidada e espalhada por todo o mundo, tudo indica que vivemos novamente num período intermediário, o qual separa a primeira vinda de Jesus na carne da sua segunda vinda para o juízo final. A diferença entre o período atual e o anterior é a seguinte:
Estamos cumprindo a palavra de Jesus: "E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então virá o fim." Mt 24.14. Não esperamos novas revelações, a Escritura está completa. Hb 1.t2; Jo 8.31,32; 2 Tm 3.16; Ap 22.18.
Quanto à manifestação ostensiva de anjos, temos apenas este aviso de Jesus:
"Quando vier o Filho do homem na sua majestade e todos os anjos com ele." Mt 25.31.
O apóstolo Paulo foi o último a receber o chamado imediato para o ministério (1 Co 15.9; At 9.15) e, desde então, a igreja segue seu exemplo ao prover as congregações com fiéis pastores (At 14.23; 1 Tm 5.22), sem que estes necessitem de visões e sinais para confirmar a autenticidade de sua mensagem.
Lembremos ainda as palavras de censura que Jesus dirige a um de seus apóstolos: "Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram, e creram . Jo 20.29. E Jesus o disse ao findar o seu ministério, após a sua ressurreição.
Nada impede1 pois, segundo o que foi exposto, que a passagem Mc 16.17-18 seja enquadrada na era apostólica, iniciada neste exato momento da despedida de Jesus de seus discípulos. Diz o texto:
"Em meu nome expelirão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal; se puserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados." Como interpretar estas palavras? Olhando o quadro de perto, chegaremos às seguintes conclusões:
Os fenômenos citados (para usar a linguagem corrente) formam um bloco, um todo. Isto é, ninguém poderá fazer escolha arbitrária, talvez dizendo: expelir demônios e curar enfermos, disso me encarrego, mas falar "novas" línguas, pegar numa jararaca ou numa cascavel ou tomar um copo com cianureto, isso já e' coisa diferente.
Não, não é coisa diferente, pois o bloco valeu na era apostólica. Vejamos: (1 e 5) "Tendo chamado os seus doze discípulos, deu-lhes Jesus autoridade sobre espíritos imundos para os expelir, e para curar toda sorte de doenças e enfermidades." Mt 10.1. (2) "A multidão se possuiu de perplexidade," porquanto cada um os ouvia falar em sua própria língua." At 2.6 (3) Paulo, na ilha de Malta, que acolhera os náufragos salvos da tempestade, foi mordido por uma víbora, que cravou suas presas na mão dele, inoculando-lhe todo o veneno mortífero”.
Os bárbaros esperavam vê-lo "cair morto de repente", mas "mudando de parecer, diziam ser ele um deus". At 28.Sss. 
(4) Não há no Novo Testamento menção de um caso de alguém "beber alguma coisa mortífera", só no Antigo Testamento (2 Rs 4.40 – morte na panela", na época de Eliseu). Contudo há situações análogas, como aquela em Listra, quando Paulo, depois de apedrejado e considerado morto, foi arrastado para fora da cidade. Lá atirado, mortalmente ferido, sangrando e desfigurado – de repente levanta-se o Paulo de sempre, volta à cidade, com seus passos pequenos, mas firmes, para continuar sua missão. At 14.19-20.
O "bloco" pode ser ampliado por tantos outros sinais ocorridos na era apostólica. "O Senhor confirmava a palavra da sua graça, concedendo que por mão deles (Paulo e Barnabé se fizessem sinais e prodígios." At 14.3. Pedro curou o coxo no templo (At 3.6), o paralítico Enéias (At 9.34), ressuscitou Dorcas (At 9.40). Paulo curou um coxo de nascença em Listra (At 14.10), a jovem adivinhadora (At 16.18), o pai do chefe da ilha de Malta e os "demais enfermos da ilha". At 28.8,9. Enfim, "muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo, pelas mãos dos apóstolos". At 5.12.
Nesta altura, você talvez apontará para as palavras iniciais do "bloco": Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem", e perguntará se Jesus não fala aqui indistintamente de todos os que crêem, isto é, de todos os cristãos em todas as épocas? A resposta será um não e um sim.
Olhemos primeiro para o não. Seria aterrador o pensamento de que a existência da fé devesse depender da capacidade de realizar milagres. Neste caso, quantos crentes teria havido no passado, e quantos haveria hoje? Já citamos os nomes em evidência do Antigo e do Novo Testamento: Moisés, Josué, Elias, Eliseu e, respectivamente, Pedro, Paulo, Estevão, Filipe. Além do coletivo "os apóstolos". Uns poucos na história de milênios. E os outros, os milhares de milhares de fiéis que compunham e compõem o corpo vivo de Cristo? Que dizer deles? Onde ficaremos nós?
O sim o dirá, pois nos leva a falarmos da grande ressalva, a ressalva da fé, válida para todos os tempos, desde que seja bem compreendida dentro das linhas básicas que a própria Bíblia nos sugere, com o fim de evitarmos perturbações, dúvidas e contorções num campo onde misticismo e superstição facilmente se confundem. Jesus diz: "Tudo é possível ao que crê". Mc 9.23. Em que sentido? Que poder possui o crente? De si próprio nenhum poder ele possui. Sendo a fé um dom de Deus, ela se apega à graça e misericórdia deste Deus e apela para o seu poder. E Jesus mostra de que maneira o crente deve agir: "Tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis." Mt 21.22. O crente não faz sinais, prodígios, curas, ele apenas leva tudo a Deus em oração e confia na sua ajuda. Apenas isso e nada mais.
Este sim, porém, está condicionado á vontade e aos propósitos manifestos de Deus. Jesus novamente nos orienta: "Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu." Isso não só inclui o tempo oportuno e a maneira determinados por Deus como ainda em muitos casos depende de uma autorização expressa da parte dele. Se assim não tosse, seriam de difícil compreensão as palavras que precedem a passagem recém citada "tudo quanto pedirdes…" quando Jesus afirma: "Mas até mesmo se a este monte disserdes.- Ergue-te e lança-te no mar, tal sucederá." Mt 21.21ss. Será um convite para, depois do culto, testarmos a nossa fé ordenando a um monte nas redondezas a que se mova do lugar? Isso seria tentar o Senhor nosso Deus (Mt 4.7), Por quê? Porque não recebemos ordem de fazê-lo. Moisés havia recebido a ordem, "nas águas de Meribá", diante da rocha maciça, e duvidou que dela pudesse jorrar água. Pedro, andando sobre as ondas enfurecidas do mar, de repente teve medo, "reparando na força do vento" e começou a submergir – esquecera o vem! do Mestre. Os discípulos, certa vez, estranharam por não poderem curar um lunático. Haviam esquecido a autorização em Mt 10.1 e tiveram que ouvir de Jesus a causa do fracasso: a pequenez da vossa fé. Mt 17.20. Da mesma forma, os sinais enumerados em Mc 16.17,18 dependem de uma autorização especial de Deus. Não cabe a nós criar situações para testar a fé, é Deus quem o faz. A nós cabe orar a ele para que com seu poder faça milagres, a sua maneira, para nos socorrer nos momentos mais cruciantes, quando só um milagre nos pode ajudar – e orar realmente com uma fé que remove montes".
10 – O QUE UM FILHO DE DEUS NÃO PODE ESQUECER
Só Deus pode fazer milagres.
Deus concede em determinadas épocas e para determinados fins a homens escolhidos o poder de realizar milagres.
Dificilmente encontraremos no Novo Testamento indícios de que a nossa época intermediária se revista das características da era apostólica (inspiração, manifestação ostensiva de anjos, visões, sinais milagrosos), antes somos advertidos, nós que vivemos nos "últimos tempos “de que surgirão falsos Cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos", Mt 24.24 – o que levou um teólogo a dizer: Em lugar de buscarmos sinais devíamos temê-los. Tanto mais Jesus nos anima a pedirmos tudo ao nosso Pai, em oração sincera, em seu nome, e nos promete atendimento de acordo com os desígnios divinos. É o que basta a um filho de Deus.
Ao cristão a doença não é sinônimo de mal, nem tampouco a saúde de bem. Ele confia, mesmo que não entenda, que tudo coopera para o seu bem (Rm 8.28) e, por isso, pede que Deus lhe fortaleça a fé para aceitar a sua vontade (Mt 6.10);
O cristão, embora creia que Jesus o salvou do pecado, da morte e do poder do diabo, sabe que ainda não está no céu, que é peregrino e que no mundo pode passar por aflições (Jo 16.33). Ele, porém, também sabe que os sofrimentos que porventura tiver que enfrentar não poderão ser comparados com a glória que lhe está reservada (Rm 8.18) e que Deus pode usar a doença para querer discipliná-lo (Hb 12.5,6);
O cristão não quer e não pode manipular a Deus, exigindo dele a cura ou marcando dia e hora para sessões de cura. Antes, o cristão procura imitar o exemplo do apóstolo Paulo que aceitou humildemente a vontade do Senhor (2 Co 12.7-10);
IMPORTANTE: 
Ao contrário do que alguns grupo religiosos ensinam por aí, não depende de muita ou pouca fé para que alguém seja curado ou não por Deus. Cristo e os apóstolos até mesmo curaram quem não tinha nenhuma fé (Mt 8.28-34 e At 16.16-18). A cura ou não sempre dependerá da vontade de Deus. 
(Rev. Adelar Munieweg)

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