O Cristão e o Serviço Social

A fé cristã sempre se manifestou em obras de amor ao próximo. O coração agradecido a Deus por todos os benefícios recebidos do Senhor e Doador da vida, não fica indiferente diante de situações onde este amor é necessário. Tal como o Salvador Jesus, que vindo ao mundo para salvar aos homens, não ficava indiferente ao ver enfermos, desorientados, desamparados, mas lhes estendia o amor de forma integral, assim também os cristãos, ao testemunharem sua fé ao mundo, farão seu testemunho ser acompanhado de obras de amor, onde estas forem necessárias.
1. O serviço social como tarefa da Igreja
Na Igreja primitiva não se perguntava se era tarefa da Igreja amparar as viúvas, os órfãos, os necessitados, os doentes ou os carentes. A Igreja, por amor ao próximo, motivada pelo amor de Deus, ajudava os necessitados. Assim foi que ao longo da história, a Igreja sempre se manifestou ao mundo de forma bem concreta através de obras de amor ao próximo, na ajuda e amparo aos carentes. A questão do serviço social não era tanto vista como tarefa a ser realizada, mas era parte do próprio ser Igreja.
Em nossos dias questiona-se se a Igreja deve ou não envolver-se no serviço social. Alega-se que esta é uma tarefa do estado e que dele deve ser cobrada. É evidente que o estado tem responsabilidade pelo bem estar social de seus súditos. No entanto, o amor cristão irá se manifestar sempre em qualquer situação onde este amor se fizer necessário. E o serviço social, motivado pelo grande amor que Cristo teve pela humanidade, sempre será uma atividade própria da Igreja cristã. O testemunho cristão não pode vir desacompanhado de obras de amor ao próximo.
É claro que a Igreja não irá desenvolver programas assistencialistas em seu meio, no sentido de manter o necessitado sempre dependente, mas irá promover um serviço social onde o carente é respeitado e considerado como uma pessoa a quem Deus amou e quer que se desenvolva como ser humano, no máximo de suas potencialidades. Como o ser humano só está no relacionamento correto com Deus quando recebe de Deus o perdão, o serviço social cristão sempre será acompanhado do testemunho a respeito da graça de Deus em Cristo Jesus.
2. Os problemas sociais
Problemas sociais sempre existiram e sempre existirão. Mas, talvez, em toda a história da humanidade, estes problemas nunca foram de dimensões tamanhas como em nossos dias. Os problemas sociais são realmente uma bomba prestes a detonar. Não é preciso estar politicamente envolvido em nenhum movimento de esquerda, direta ou centro, para reconhecer a gravidade da situação, não apenas em alguns lugares, mas em todas as partes do mundo. Estes problemas se manifestam também nas congregações cristãs. Nem tudo que diz respeito a esta área poderá ser resolvido pela ação dos cristãos. Mas certamente os cristãos serão os primeiros dispostos a ajudar a carregar as cargas uns dos outros e a diminuir os sofrimentos dos que padecem.
Os problemas sociais podem ocorrer por causa de estruturas sociais injustas, por causa da maldade humana no trato com o seu semelhante, por causa de desastres involuntários. Quem está em meio ao problema precisa mais do que uma explicação da causa de sua dificuldade. A explicação da causa é importante para ajudar na solução definitiva das dificuldades e para evitar a repetição de problemas. Mas a ajuda imediata precisa estar presente no meio da dor e da aflição. São muitas as situações em que uma congregação cristã precisa estender a mão em amparo aos necessitados. Vamos abordar apenas algumas das mais comuns.
A. ÓRFÃOS, MENORES ABANDONADOS E CARENTES 
As crianças são as que mais sofrem em todos os problemas sociais. A existência de órfãos pode ter muitas causas, bem como a existência de menores abandonados e carentes. Mas, antes de tudo, estas crianças precisam de amparo. Quando surgem órfãos em meio a uma congregação cristã, esta deve procurar ampara-los providenciando um lar para eles. Muitas vezes, existem famílias dispostas a receber estas crianças em seu meio. A congregação pode coordenar este encaminhamento. Os menores carentes podem ser ajudados mediante auxílio às famílias das quais eles vêm. Os menores abandonados talvez precisem ser encaminhados a outras famílias ou instituições. O ideal, no entanto, é manter o vínculo familiar sempre que possível. O que puder ser feito em favor destes pequeninos, deve ser feito, e com urgência.
Além do citado acima, a congregação pode apoiar e ou criar instituições que dão amparo aos menores. Este apoio pode ser afetivo (visitando as crianças, dando-lhes amor); pode ser espiritual (orando pelas crianças; ensinando-lhes o amor de Deus em Cristo; criando nelas a fé e a esperança); pode ser material (ajudando a instituição financeiramente, providenciando roupas, mantimentos, brinquedos); e pode ser de todas as outras formas possíveis de ajuda que a congregação dispõe.
A congregação poderá atuar em favor do menor dando testemunho público em favor da criança, afirmando ser da vontade de Deus que nenhum destes pequeninos se perca, e que eles merecem o amor e o amparo dos adultos.
B. OS DOENTES E SOFREDORES
Doenças ocorrem na vida de todas as pessoas. Existem doenças que são rapidamente vencidas; outras são prolongadas e sem esperança de cura. E muitos outros tipos de doenças e sofrimentos. A congregação irá providenciar para que todas estas pessoas tenham consolo em meio ao seu sofrimento, através do contato com a Palavra de Deus. irá também procurar ajudar em tudo o que for possível para que estas pessoas sofram menos. Poderá providenciar remédios, hospitalização, atendimento especializado, transporte para participação nos cultos, companhia, e tudo o mais que for possível e realizável.
Atenção especial merecem as pessoas vítimas de doenças prolongada e ou de deficiência física. Elas, muitas vezes, são esquecidas e suportam quase tudo solitárias em sua dor. A congregação tomará providências para que também estas pessoas não fiquem sem amparo.
C. OS CARENTES
Existem diversos tipos de carências. Aqui falamos especialmente dos carentes materiais. Muito pode ser feito quando há interesse em ajudar estas pessoas. Sem muito gasto financeiro, pode ser ajudada uma família que precise reformar urgentemente a casa, podem ser providenciadas roupas, alimentos, remédios e outras coisas que fazem falta para as pessoas.
Na ajuda aos carentes são necessários alguns cuidados. Deve-se cuidar para não humilhar a pessoa que precisa, sobrecarregando o seu ser com dificuldades maiores do que ela já tem para suportar. Por outro lado, deve-se tomar o cuidado de não incentivar a preguiça e o mau-caratismo. Uma das maneiras de superar as dificuldades citas, é ajudando os carentes no local de habitação dos mesmos. Uma visita a estas pessoas, além de transmitir claramente o amor cristão e o interesse que se tem por elas, irá orientar o visitador sobre qual a maior necessidade e sobre como é a melhor forma de ajudar. Caso a pessoa não precise de ajuda, também ficará evidente durante a visita.
D. OS VICIADOS
Há diferentes tipos de vícios difundidos em nossa sociedade. Alguns causam dependência física e prejudicam a saúde da pessoa. Outros, além da dependência, causam a decadência do viciado e têm sérias implicações familiares e sociais. Grandes problemas estão ligados ao vício em bebidas alcoólicas e ao vício em substâncias tóxicas como maconha, cocaína e outras. Via de regra, o viciado precisa de assistência especializada. Discute-se se o viciado é apenas um doente ou se o seu problema está ligado ao pecado. Na realidade, ele é ao mesmo tempo um doente e um pecador. A congregação poderá ajudar viciados encaminhando-os a tratamento especializado e amparando-os em suas dificuldades, garantindo-lhes que Deus os ama e quer a recuperação total deles.
E. OS MIGRANTES
São várias as causas que provocam o alto movimento migratório do nosso tempo. Este é um fenômeno quase que mundial. Há um inchaço das cidades, especialmente em suas periferias, há uma busca por melhores empregos, por aperfeiçoamento nos estudos, e tudo isto provoca a migração. As pessoas que são arrancadas de seu meio, por qualquer que seja o motivo, passam por momentos de instabilidade e de adaptação em sua nova morada. A congregação cristã precisa servir de grande auxílio para estas pessoas, ajudando-as em suas necessidades mais básicas, como arrumação de casa, indicação dos lugares de compras, farmácia, médicos, bem como orientando estas pessoas a viverem na fé, convidando-as a participarem dos cultos e falando-lhes do Salvador Jesus Cristo.
F. INJUSTIÇAS SOCIAIS
A existência de injustiças sociais é muito evidente. Elas acontecem praticamente em todos os regimes de governo e em todos os tipos de organização social. Os cristãos também as sofrem e, por vezes, precisam suportar. Mas cristãos não são indiferentes a este fato. Eles irão assistir os injustiçados e irão lutar, inclusive, diante de Deus, em favor deles. Importante palavra Martinho Lutero diz a respeito deste assunto no Catecismo Maior, na explicação da quarta petição do Pai Nosso: Que miséria há no mundo agora, já simplesmente por causa de moeda falsa, sim, por causa do cotidiano gravame e alta de preços no comércio comum, em compra e trabalho, por parte daqueles que a seu arbítrio oprimem os pobres e os privam do pão de cada dia! Verdade que temos de suporta-los; mas eles que se precavenham, não lhes suceda perderem a intercessão comum, e se acautelem para que esta partezinha do Pai Nosso não se volte contra eles.
G. AS CALAMIDADES PÚBLICAS
Calamidades podem ser provocadas por forças da natureza ou por desastres de grande natureza (acidentes, vazamento de gases tóxicos, explosões, enchentes etc) ou ainda guerras e atos terroristas. O grande número de vítimas e a urgência do atendimento fazem com que seja necessária a mobilização do maior número de pessoas possível dispostas a ajudar. A congregação cristã, que é uma das forças organizadas da sociedade, certamente irá ajudar a minorar o sofrimento dos atingidos pela calamidade.
3. A congregação organizada para o serviço social
Como vimos acima, são muitas e variadas as necessidades humanas. É uma tarefa gigantesca para a qual uma congregação, por vezes, pode sentir-se fraca e impotente. No entanto, dentro de suas limitações e possibilidades, a congregação não irá fugir de suas responsabilidades. E Deus, certamente, a irá amparar neste trabalho.
A congregação poderá começar a se organizar para esta atividade escolhendo uma diretoria ou comissão de serviço social, que irá planejar e liderar as atividades da congregação neste setor. Esta diretoria irá fazer uma listagem das principais necessidades que precisam ser satisfeitas, irá divulgar oportunidades para a prática do bem, irá promover seminários de serviço social na congregação, treinar visitadores para visitas a carentes, enfermos e deficientes. Acima de tudo, estará atenta para tudo o que surgir neste setor.
Um dos elementos que poderá ajudar muito a diretoria de serviço social será o coordenador dos grupos familiares de estudo bíblico (em nossa congregação temos oito coordenadores). Eles, estando em contato constante com os membros do seu grupo, e estando treinado para estar atendo às necessidades dos que o rodeiam, informará a diretoria de serviço social a respeito das necessidades que surgirem.
Em casos especiais, que necessitem de uma atenção mais intensa, podem ser estabelecidas sub-comissões para trabalhos específicos.
Muitas congregações criam instituições de serviço social em seu meio. É um trabalho mais especializado que, embora louvável, não vamos tratar aqui hoje. A orientação para este trabalho requer, além de assistência especializada, providências de ordem administrativa, legal e congregacional. O que queremos, entretanto, ressaltar, é que mesmo não criando nenhuma entidade de serviço social, podemos ser uma congregação cristã empenhada em obras de amor em favor do semelhante.

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