Laços Fortes – Encontro de Casais

Um relacionamento firme e forte se mantém com laços que amarram e que não se rom-pem facilmente.  No casamento esta verdade é mais verdade do que em qualquer outro rela-cionamento humano.  Falando de um bom casamento, que todos querem, precisamos estar atentos para lembrarmos que laços são necessários para mantê-lo.  Quem quer um bom rela-cionamento no seu casamento tem que se “ligar”, sempre de novo revendo estes laços, para que não se soltem, e aí, em conseqüência, o matrimônio comece a sofrer.
Encontramos na revista DECISÃO, da igreja adventista, um artigo de autoria de Rubens Lessa,  artigo simples, mas muito claro sobre “Como Fortalecer seu Casamento”. Nele o autor, baseando-se em uma “receita” do conselheiro matrimonial, Dr. Charles M. Sell, indica 3 vínculos muito necessários para o bom relacionamento entre marido e mulher.  O autor diz:
“Quando Richard Burton e Elizabeth Taylor se casaram, uma onda de excitamento dominou seus admiradores ao redor do mundo.  “Eles formam um casal perfeito”, muitas pessoas exclamavam.  Esses dois grandes astros do cinema possuíam dinheiro e fama para explorar todo o tipo de fantasia.  Fizeram viagens fascinantes.  Trocaram presentes caríssimos.  Entregaram-se às mais ardorosas paixões.  O “amor”, porém, não durou por muito tempo.  Como uma planta frágil, não suportou o sol das realidades da vida.  Tinham tudo e, ao mesmo tempo, não tinham nada.
Por que não permaneceram juntos? Simplesmente porque viveram de paixão e fantasia.  Por isso alguém afirmou que o romantismo é para o casamento o que o sorvete seria para o alicerce de uma casa.  É claro que o aspecto romântico do amor não pode nem deve ser deixado de lado.  Ele tem seu papel.  Mas ele por si só não contribui para fortalecer o casamento, a menos que esteja dentro de uma moldura sólida.
Embora o amor romântico possa proporcionar momentos de relacionamento espetacular, não é garantia de sucesso.  Não tem o poder de fazer com que duas pessoas permaneçam juntas para sempre.  Algo mais é necessário.  O Dr. Sell tem uma receita para fortalecer  o casamento, tornando-o duradouro e feliz.  Essa receita poderia ser chamada assim: Vínculos do Amor.
1. Um bom casamento envolve entrega
De acordo com esse experiente conselheiro, o primeiro vínculo se acha em uma afirmação que Jesus fez sobre o casamento.  Toda vez que lhe faziam perguntas sobre divórcio, ele falava mais sobre o casamento.  Ele sabia que o casamento exigia mais do que boas leis para manter as pessoas casadas.  Por isso o Mestre recordou um conceito do A T, que diz o seguinte: “Por isso o homem deixa o seu pai e a sua mãe para se unir à sua mulher, e os dois se tornam uma só pessoa” (Mt 19.5).
O verbo “unir” nesta afirmação de Jesus, significa na língua hebraica “aderir”, “ligar”, “colar”.  É o que acontece a dois pedaços de argila ou madeira que se ligam um ao outro.
O marido, portanto, “se liga” à mulher, se une a ela, vive com ela, permanece a seu lado.  A afirmação de Jesus não se refere apenas à união sexual; vai muito além disso…. Na verdade, o verbo “unir” significa entrega.  E entrega total.
Essa entrega mútua é o mais forte adesivo no âmbito do casamento.  É uma coisa profundamente pessoal.  Cada cônjuge entrega o corpo, seus pensamentos íntimos – enfim, tudo, a seu parceiro.  Nada é retido.  Em razão disso Jesus afirmou: “Portanto, que ninguém separe o que Deus uniu”.
Embora cada cônjuge deva “entregar-se” sem reservas a seu companheiro, não perde a sua individualidade, pois essa entrega é resultado do amor verdadeiro que não é cego, apaixonado, irracional.  Por isso, o exercício da vontade permanece intacto.
2. Um bom casamento envolve amor semelhante ao de Cristo
Esse tipo de amor é diferente do amor romântico.  O amor romântico se baseia na fantasia; já o amor semelhante ao de Cristo é realista, mas nem por isso deixa de ter sabor.  O amor verdadeiro não leva em conta as faltas do parceiro.  É cheio de misericórdia e paciência. (Paulo o descreve em 1 Co 13.  OBS.: Os comentários entre parênteses são meus).
O apóstolo Paulo aconselha os maridos da seguinte maneira: “Maridos, amem as suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e deu a sua vida por ela” (Ef 5.25).  A idéia de sacrifício está incluída nesta entrega.  Jesus amou tanto a igreja que se ofereceu como sacrifício para torná-la feliz e vitoriosa.  Na esfera do matrimônio, o amor é capaz de fazer sacrifícios. 
Quando morei na Inglaterra, tive o privilégio de conhecer um casal de idade avançada.  A mulher, apesar de enrugada e paralítica, dava a impressão de que, na juventude, fora muito bonita.  Agora, porém, vivia numa cadeira de rodas, sempre dependendo do esposo.  Mas o que me impressionou foi a bondade e o amor do marido.  Com todo o carinho e disposição, ele a levava de um lado para o outro, suprindo-lhe todas as necessidades.  Fazia sacrifícios, mas com o máximo prazer, para que a mulher se sentisse apoiada, segura e feliz. Ele a amava profundamente, pois tinha no coração uma centelha do amor de Cristo.
3. Um bom casamento envolve amor físico
O terceiro vínculo do amor relaciona-se com a parte sexual.  Trata-se de um elemento importantíssimo.  Se não fosse assim, Jesus não teria dito: “E os dois se tornam uma só pessoa”.
O casamento é uma união completa de duas pessoas.  Suas vidas e corpos estão unidos intimamente.  Isaque, filho do patriarca Abraão, tomou a Rebeca, “e levou Rebeca para a barraca onde Sara, sua mãe, havia morado, e ela se tornou sua mulher.  Isaque amou Rebeca…” (Gn 24.67).  A atração física que existe entre os cônjuges é algo sublime e foi estabelecido pelo Criador.  No livro de Cantares de Salomão, há algumas declarações de amor muito interessantes.  Por exemplo: (ele)”Mostre-me o seu rosto; deixe-me ouvir a sua voz, pois a sua voz é suave e o seu rosto é lindo” (2.14); (ela)”é doce beijar a sua boca, e tudo nele me agrada.  Assim é o meu amado, assim é o meu noivo” (5.16).  (Todo o livro de Cantares tem por objetivo exaltar o amor conjugal/sexual).
O sexo, todavia, não pode ser visto como um fim em si mesmo.  Muitos casamentos caem por terra em virtude de o sexo ser tido como a única razão do matrimônio.  A parte sexual, no entanto, pode contribuir muito para fortalecer o casamento quando é vista como um dos meios providos pelo Criador para construir a felicidade do casal.  (Para a teologia da igreja católica sexo serve só para procriar, gerar filhos.  Não é isso que Paulo escreve, ao dizer que marido e mulher têm o dever de ceder um ao outro o que cada um tem direito: sexo, como fator de união: 1 Co 7.3).
E cabe aqui uma advertência de Jay Adams, autor do livro Competente Para Aconselhar: “Esposos e esposas que têm dificuldades em suas relações sexuais, muitas vezes descobrem que muitos dos seus problemas à noite são causados por dificuldades havidas durante o dia e que não foram devidamente resolvidas”.  (Esta área, se não for devidamente esclarecida e tratada, pode gerar muitos conflitos conjugais.  O homem necessita de sexo, enquanto a mulher com palavras românticas pode se satisfazer).
As relações sexuais, ao invés de criarem embaraço e frustração, devem ajudar a promover um casamento feliz.
E feitas estas 3 colocações, o autor enfoca a necessidade de haver comunicação aberta para que estes 3 pontos possam ser postos em prática.
Os três vínculos do amor mencionados anteriormente só podem existir se houver uma boa comunicação entre marido e mulher.  Em sua obra Como Comunicar-se Com Seu Companheiro, Nancy Van Pelt afirma que importante aspecto de um casamento feliz é o desenvolvimento da habilidade de comunicar-se.  Segundo ela, gastamos 70% de nosso tempo em comunicação – falando, ouvindo, lendo ou escrevendo.  33% desse tempo é gasto em conversação.  “Esse elemento de nosso tempo é muito importante, pois mantém as pessoas unidas em seu relacionamento”. (Nesta área, a comunicação, os homens em geral têm muita dificuldade.  Não adianta as esposas criticarem os maridos por não saberem conversar; elas precisam descobrir maneiras de estimular a comu-nicação, que é área na qual elas têm bem mais facilidade.  Críticas não resolvem; elas levam os maridos a se enfurnarem mais em sua “caverna”.  Como diz John Gottman em Casamentos “soluções da noite para o dia não existem”).
Mas conversar por si só não resolve todas as dificuldades.  Por isso a autora recomenda:
  1. Escolha a hora certa para comunicar-se com seu parceiro.  Às vezes uma boa noticia ou idéia cai  no vazio porque o momento não é apropriado.  Há tempo para falar e tempo para ficar calado.
  2. Desenvolva um tom de voz agradável.  A maneira como falamos é mais importante do que o que falamos. Deve haver mel na voz.
  3. Seja claro e especifico.  Diga com clareza o que pensa.  Nada de rodeios, que podem gerar dúvidas e desconfiança.
  4. Seja positivo.  Em muitos lares 80% da comunicação é negativa.  É fundamental saber apreciar.
  5. Respeite as opiniões de seu parceiro.  Você deve fazer isso até mesmo quando discorda do seu cônjuge. (muitas vezes não sabemos discutir problemas sem agredir, chantagear, se fazer de vítima, virar “muro de pedra” (homem), chorar (mulher)…….!)
  6. Seja sensível às necessidades e sentimentos do seu companheiro.  Seja paciente ao responder ao que ele ou ela diz.
  7. Desenvolva a arte da conversação.  Um recente estudo feito na Universidade de Cornell, mostrou  que  quanto mais os esposos conversam com suas esposas, tanto mais satisfação alcançam. A comunicação, portanto, deve ser implementada entre os cônjuges.  Comunicar significa “fazer-se entender”.  A palavra comunicação vem do latim communicare, que quer dizer tornar comum, partilhar, trocar opiniões, conferenciar….. A vida matrimonial requer este tipo de comunicação. Marido e mulher partilham o que cada um sente e deseja, pois o amor – sob a influência dos 3 vínculos – penetra e abarca todas as coisas.
O amor constrói pontes que, por sua vez, permitem o fluxo de um bom entendimento mútuo. O amor , nunca falha, mesmo na mais forte tempestade.
      Os vínculos do amor “amarram”.
Rev. Heldo Bredow – Curitiba/PR

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