Aconselhamento – Estudo Bíblico

Introdução
O objetivo deste estudo, não é fazer um “tratado” sobre a arte de aconselhar. Já existem bons livros publicados sobre este assunto, que poderão ajudar os leitores com necessidades mais profundas. 
O trabalho que você verá agora, visa dar instruções básicas e práticas, para que qualquer membro de Igreja, seja líder ou não, tenha um desempenho cada dia melhor, nos aconselhamentos que Deus lhe permitir fazer. 
Princípios De Aconselhamento 
I. O Aconselhamento e a Bíblia

1.1 – Velho Testamento 

a) A única Fonte Segura: somente o próprio Deus era fonte segura de bons conselhos. Ele escolhia homens e os capacitava a falarem Sua vontade ao povo. Por exemplo: Am 3:7; Jr 23:18, 22; Ez 39:1.
b) Dois tipos de conselheiros: 

a. PROFETAS: falavam ao povo o que ouviam de Deus, quase sempre exortando ao arrependimento. Por exemplo: Is 6: 8, 9; Jr 25:4, 5.
b. SACERDOTES: falavam a Deus, o que ouviam do povo, em geral pedindo o perdão de Deus para as pessoas. Por exemplo: Ex 28:29, 30, 38.

c) Provérbios: é um dos livros de sabedoria, que exalta a importância dos bons conselhos, na vida do ser humano.

O aconselhamento dá segurança ao povo – Pv 11:14; 15:22.
Torna as pessoas mais sábias – Pv 12:15; 13:10. 
Traz alegria – Pv 12:20. 

1.2 – Novo Testamento 

O povo de Deus é chamado em 1 Pe 2:9, de “sacerdotes reais”.
As palavras gregas mais utilizadas para definir o ato de aconselhar são: 
a) PARÁKLETO: literalmente “chamar ao lado”, mas também utilizada com os seguintes sentidos:

a. exortar a permanecer na fé – At 14:22; Hb 3:13.
b. exortar doutrinariamente – Tt 1:9; Hb 13:22.
c. confortar, encorajar – At 16:40; 20:1, 2; 2 Co 7:6, 7.
d. consolar, edificar – 1 Ts 5:11; 2 Co 1:3, 4; Ef 6:22.
e. solicitar em nome do amor – Fm 9, 10.

Obs. 1 – O Messias (Cristo), é chamado de MARAVILHOSO CONSELHEIRO em Is 9:6. Jesus cumpriu plenamente este papel, através de todo o Seu ministério. Sua mensagem no Sermão do Monte é apenas um exemplo disto. 
Obs. 2 – Cristo, após a última ceia, promete aos discípulos um “outro Consolador” (PARÁKLETO). Segundo o original, seria um Consolador da mesma qualidade que Jesus havia sido. Esta é a referência à vinda do Espírito Santo, com Seu ministério atual sobre a Igreja de Deus. Jo 14:16, 26; 15:26; 16:7, 8.
b) NOUTETÉO: usada com os seguintes sentidos:

a. admoestar – At 20:31; Rm 15:14; 1 Co 4:14; 1 Ts 5:12, 14; Tt 3:10 ; Ef 6:4; Hb 10:25.
b. instruir, ensinar – Cl 1:28; 3:16.
c. advertir – 2 Ts 3:15; 1 Co 10:11. 

Obs. 1 – O aconselhamento é dever de todo cristão: Hb 3:13;Hb 10:25.
Obs. 2 – O Espírito Santo capacita a alguns irmãos de forma especial, através do dom de EXORTAÇÃO – Rm 12:8.
2. Qualidades para o bom Conselheiro 

a) Saber ouvir: Escutar as angústias de alguém, é um valor muito pouco cultivado, hoje em dia. Todos correm, ninguém tem tempo. O bom conselheiro precisa ouvir com calma, precisa estar disponível. Muitas vezes, só o fato do aconselhado desabafar, ele próprio reconhece as saídas para o seu problema, sem que digamos uma só palavra.Tg 1:19 – “Sabeis estas coisas, meus amados irmãos.Todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar”
b) Cordialidade – É um cuidado, respeito e uma preocupação sincera pelo que é revelado, sem demonstrar visivelmente uma decepção ou surpresa, diante do que é falado.
c) Empatia – Colocar-se na situação da pessoa, tentando entender o seu ponto de vista. Mostrar-lhe compreensão, sem fazer julgamentos apressados.
d) Amor – pedindo que o amor ÁGAPE (que é o amor com que Deus nos ama), primeiramente invada você, e transborde até o seu aconselhado. 

3. Como aconselhar quando o problema envolve pecado?

a) Saber do que o coração humano é capaz. Muitas vezes, os conselheiros são enganados com mentiras e comportamentos decepcionantes, por parte dos aconselhados. Não podemos ser ingênuos: o mesmo ser humano que pode ser tão bom, é capaz de agir de forma absolutamente maléfica. Veja o que a Bíblia nos mostra sobre o coração do homem:

a. A avaliação que o Criador faz do homem – Jr 17:5,9,10.
b. Todos são pecadores – Rm 3:10,11 e 23.
c. Todo homem tem a tendência de fugir da Luz – Jo 3:19-21.
d. É comum o homem culpar aos outros e ser egoísta – por exemplo: Adão e Eva, em Gn 3.
e. Procedimento errado, produz reação negativa – Gn 4:4-7; Sl 42:7.

b) Confrontar com a verdade bíblica, para que haja arrependimento Falar com amor, mas identificar o pecado e como sair dele. Procure sempre apoiar seu posicionamento, com passagens bíblicas. 2 Sm 12:12,13; Sl 51:2-4,10.
c) Crer que Deus pode modificar qualquer situação Não existe "buraco tão profundo", que o Senhor não possa estender Sua mão e livrar alguém de lá. Mt 19:26; Mc 10:27; Lc 1:37; Lc 18:27.
Deus nos dá centenas de promessas na bíblia, para que confiemos mais nEle, tendo uma esperança cada vez maior, com relação ao que Ele ainda fará – Rm 15:13.

4. Dicas práticas para o aconselhamento 
Dar atenção integral à pessoa, com o olhar, gestos naturais e postura não tensa. Não fique apenas com o corpo presente, mas mantenha também a sua mente atenta.
Seja um bom ouvinte e não interrompa a pessoa, até que ela tenha terminado de falar. Lembre-se que pequenas pausas na conversa, seja por indecisão no falar ou até mesmo para chorar, não querem dizer que a pessoa terminou de expor seu pensamento. Portanto, aguarde a hora certa para responder.
Se for necessária a sua orientação e liderança na conversa, faça isto sutilmente, perguntando com habilidade, para obter informações úteis.
Procure entender a opinião da pessoa, mesmo que não coincida com a sua. Dê margem a diferenças. Esta atitude vai ajudar ao conselheiro a dar uma orientação equilibrada.
Tente descobrir o ponto principal do problema, discernindo e afastando os fatos que não são centrais.
Se já tiver dados suficientes para uma conclusão, confronte com muito amor ao aconselhado. Não fuja do problema central.
Não enfoque apenas os problemas, mas também as soluções de Deus.
Mostre que a solução de qualquer problema, passa pela obediência integral à Palavra de Deus.
Alguns problemas surgem, devido ao mal uso da "agenda" da pessoa. Verifique se não existem atividades demais, sem critério de prioridades.
Verifique se a pessoa necessita de uma ajuda médica ou até psicológica.
Se não souber responder algo e dar a solução ao problema, seja honesto e confesse isto. Diga que vai estudar melhor o assunto ou até mesmo, pedir auxílio a um conselheiro mais experiente.
Se houver necessidade, dê tarefas práticas, para serem avaliadas em próximos encontros.
II. ACONSELHANDO QUESTÕES PESSOAIS 
1. ANSIEDADE
Muitos psicólogos têm definido a Ansiedade como "o mal do século 20", pois ela tem se tornado a BASE para muitas neuroses.
1.1 ALGUNS TIPOS DE ANSIEDADES:
Ansiedade Aguda – aparece de repente, vem com grande intensidade, mas é de pequena duração. 
Ansiedade Crônica – é persistente e de longa duração, mas de pequena intensidade. 
Ansiedade Normal – manifesta-se quando existe uma ameaça real ou uma situação de perigo. Ela pode ser controlada e reduzida, quando as circunstâncias exteriores se modificam. 
Ansiedade Neurótica – sentimentos exagerados de desespero e medo, mesmo quando o perigo é pequeno ou inexistente. 
Ansiedade Moderada – é desejável e sadia. Motiva e ajuda as pessoas a evitarem situações de perigo, levando a um aumento da eficiência. 
Ansiedade Intensa – pode diminuir o período de atenção, dificultar a concentração, afetar negativamente a memória, prejudicar a capacidade de realização, interferir com a solução de problemas, bloquear a comunicação eficaz, despertar o sentimento de pânico e algumas vezes causar sintomas físicos desagradáveis, tais como paralisia ou terrível dor de cabeça. 
(Fonte: Gary Collins, Aconselhamento Cristão, pag. 51, Ed. Vida Nova)
1.2 O QUE É ANSIEDADE ?
É uma reação da pessoa que se sente desamparada, diante de um problema, e fica maquinando em sua mente, COMO sair sozinho desta dificuldade.
Há uma frustração, pelo fato der não conseguir resolver o problema, que no momento está fora do seu controle.
Surge um sentimento íntimo de apreensão, mal estar, preocupação, angústia e medo, provocando até insônias.
1.3 E NA ÁREA ESPIRITUAL ?
Ansiedade é resultado de pensarmos (consciente ou inconscientemente), que Deus não é maior que o meu problema.
O diabo pode facilmente se aproveitar da situação de Ansiedade, para injetar (como se fosse uma serpente), duas idéias:
Deus não nos ama – é comum a pessoa pensar: "Se Ele me amasse, eu não estaria assim !" 
Dependa apenas de si mesmo – a sugestão de Satanás é que "Deus o abandonou! Agora você está só! Vire-se por si, pois deste problema, nem o Criador pode ajudá-lo! " 
1.4 POSSÍVEIS CAUSAS DA ANSIEDADE
Citaremos apenas algumas :
AMEAÇAS:
Perigo (crime, guerra, doenças etc.)
Auto-estima: (questionamento de imagem, competência etc.)
Separação: (por morte, divórcio, mudanças etc.) 
CONFLITOS
Para realizar – algo que seja desejável.
Para fugir – ou evitar algo que seja desagradável. 
MEDO
Pode surgir em relação a diversas situações, como: o futuro, o sentimento de fracasso, a solidão, a doença etc. Estes temores podem crescer nas mentes de algumas pessoas, criando ansiedades extremas, mesmo que não existam ameaças reais. 
1.5 EXISTE ORIENTAÇÃO BÍBLICA ?

a) JESUS – Mt 6: 25 – 34 ( 4 conselhos ):

a. Reconheçam que sozinhos, não podem mudar nada em suas vidas (v. 27) É pela graça de Deus que fazemos progressos e por Sua interferência é que vem nosso livramento, nos maus momentos.
b. Entendam que Deus sabe o que necessitamos (v. 32b) Por incrível que possa parecer, o Senhor não perdeu o controle da situação.
c. Busquem em 1o. lugar o Reino de Deus e a Sua Justiça (v. 33) Implica em buscar MAIS de Cristo em seu viver. É não abaixar o nível do testemunho, só porque a situação está difícil.
d. Resolvam primeiramente os problemas do dia de hoje (v 34) Este é um princípio fundamental em administração. Se tentarmos resolver vários problemas de uma só vez, aumenta a possibilidade de ficarmos ainda mais ansiosos, e de não solucionarmos estas questões.

b) PAULO – Fp 4 : 6 – 9 ( 3 Conselhos ):

a. Levem os problemas diante de Deus (v. 6b) Paulo concorda com Pedro, que disse: "lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós" (1 Pe 5:7).

i. Aos filipenses no v. 6b, ele indica três maneiras de levarmos
ii. os problemas a Deus:

1. ORAÇÃO – conversa constante e persistente ( Lc 18: 1- 8)
2. SÚPILICAS – senso de urgência e necessidade. Talvez seja um momento para a prática de jejum ( Et 4:16; 2Sm12:16; Mt 17:21)
3. AÇÕES DE GRAÇAS – confiança antecipada no que Deus ainda vai fazer.
4. RESULTADO : v. 7 – "E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus".

b. Ocupar a mente com boas coisas (v. 8)  Há um ditado que diz: "mente vazia é oficina do diabo". Paulo aconselha a procuramos tudo que seja "verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, de boa fama, com virtude e louvor", para preencher o nosso pensamento.
c. Praticar o que aprendemos de homens fiéis a Cristo (v. 9) Nos momentos de ansiedade, Paulo aconselha que lembremos de homens fiéis que com suas palavras e testemunhos de vida, são hoje um bom exemplo de como agirmos em meio às lutas.

i. RESULTADO: v. 9b – "e o Deus da Paz estará convosco"- Lembre-se que a tradução de EMANUEL é "Deus conosco".
ii. Se no v. 7 existe a certeza de que a PAZ DE DEUS irá guardar as nossas mentes e corações, no v. 9b há a garantia de que o DEUS DA PAZ, não nos abandonará. Esta é a resposta do Senhor às duas idéias mentirosas de Satanás, no ponto 1.3: DEUS NOS AMA SIM! e DEUS NÃO NOS ABANDONOU!

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