Êx 20.13 – Não Mate (5º Mandamento)

Não Mate.  (Êx 20.13)
Queridos irmãos e irmãs no Salvador Jesus.
Hoje chegamos ao quinto mandamento. Nele Deus protege a vida de todos os seres humanos, dizendo simplesmente não mate. E talvez aqui nós pudéssemos encerrar esta mensagem, uma vez que todos nós temos que concordar que não matamos ninguém e, portanto, não pecamos contra este mandamento. Correto? Errado. A verdade é que nós muitas e muitas vezes pecamos contra o quinto mandamento.
Pastor, desculpe, mas aí você está forçando a barra. Eu nunca, nunca mesmo, matei alguém e nem tenho coragem pra fazer isso. Então, como é que eu posso ter pecado contra este mandamento?
Vamos ouvir o que Jesus tem a nos dizer sobre ele: Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: "Não Mate. Quem matar será julgado.” Mas eu lhes digo que qualquer um que ficar com raiva do seu irmão será julgado. Quem disser ao seu irmão: “Você não vale nada” será julgado pelo tribunal. E quem chamar o seu irmão de idiota estará em perigo de ir para o fogo do inferno. (Mt 5.21-22)
Quando lemos estas palavras de Jesus, percebemos que o quinto mandamento não trata apenas de, literalmente, tirar a vida de alguém, mas vai muito além.
No quinto mandamento, Deus se preocupa com a vida do ser humano como um todo. Assim, resume em duas palavras que não devemos fazer nada que atente contra a integridade física de nosso semelhante. É possível que alguém seja morto sem que a vida lhe seja tirada. Isso acontece quando atacamos a sua moral e, com palavras ofensivas, fazemos com que alguém pessoa seja isolado dos demais ou visto como se fosse nada.
Em seu Catecismo Menor, Lutero explica este mandamento dizendo que não devemos causar dano ou mal algum ao nosso próximo em seu corpo, mas devemos ajuda-lo e favorece-lo em todas as necessidades corporais. Já no Catecismo Maior, Lutero detalha mais sua explicação dizendo que não se matará nem com mão, coração, boca, sinais, gestos, nem auxiliando e aconselhando.
E por que Deus nos daria este mandamento? Mais uma vez a explicação de Lutero é tão atual que nem parece ter sido escrita há quase quinhentos anos. Diz ele: causa e necessidade desse mandamento é que Deus bem sabe quão mau o mundo é e quanta desgraça existe nesta vida. Por essa razão colocou esse e outros mandamentos entre bom e mau. Ora, múltiplos são os atentados contra todos os mandamentos, e o mesmo sucede aqui. Temos de viver em meio a muita gente que nos molesta, de modo que acabamos tendo motivo para lhes sermos hostis. Quando o teu vizinho vê, por exemplo, que tens casa e lar melhor, que Deus te concedeu mais bens e felicidade maior, fica aborrecido, inveja-te e nunca diz bem de ti. E assim, por iniciativa do diabo, vens a ter muitos inimigos que te não consentem bem algum, quer material, quer espiritual. Quando então nos topamos com tais pessoas, nosso coração, por seu turno, está pronto para raivar e deseja que corra sangue e haja vingança. E então se começa a praguejar e surge a pancadaria, e a conseqüência final é calamidade e homicídio.
Pensando bem, como isso é verdade. Quem de nós, durante a semana que passou, assistindo aos acontecimentos da política brasileira, vendo o cassado deputado Roberto Jefferson indo à TV para dizer que crê em Deus, na justiça etc., etc., não pensou ao menos uma coisa ruins para todos os envolvidos? Além disso, quantos de nós nunca pensou ou desejou mal a alguém que lhe causou alguns transtorno? Quantos de nós não fizemos exatamente o que Cristo nos diz para não fazer, ou seja, ficamos com raiva de outras pessoas, dizemos que elas não valem nada e as chamamos de idiotas? E isso que estamos amenizando, pois raramente só ficamos com raiva e chamamos alguém de idiota, não é mesmo?
E há ainda a questão familiar. Em nossas casas, muitas vezes o ódio toma conta de irmãos, de pais e filhos, fazendo com que vivam debaixo do mesmo teto mas passem muito tempo sem conversar e sempre falando mal um do outro. Quantas brigas existem nas famílias por causa de discórdia entre sogros e genros, sogras e noras? E quantas vezes isso gera ódio, xingamentos, agressões físicas e até mesmo morte.
Ao nos dar este mandamento, Deus nos apresentou sua vontade de que cada pessoa esteja protegida, livre de qualquer perseguição e tranqüila quanto á maldade e violência dos demais. Além disso, com este mandamento, Deus quer que o nosso próximo esteja envolvido como se estivesse dentro de um muro, de uma fortaleza ou um asilo sagrado, para que nenhum mal ou dano lhe possa ser causado. Lutero vai além, dizendo que o escopo deste mandamento é que a ninguém se faça mal por causa de qualquer ação má, ainda que plenamente o mereça. Porque onde se proíbe matar, aí se proíbem, também, todas as causas que possam dar origem a homicídio. Pois muitos, ainda que não matem, dizem palavrões e rogam pragas.
Há um outro lado neste mandamento que diz respeito a Deus e às autoridades. Deus nos deu o dom da vida e, por isso, tem também o direito de pedir nossa vida de volta no momento em que achar oportuno. Já as autoridades foram constituídas por Deus, como aprendemos em Rm 13.4: as autoridades estão a serviço de Deus para o bem de você. Mas, se você faz o mal, então tenha medo, pois as autoridades, de fato, têm poder para castigar. Elas estão a serviço de Deus e trazem o castigo dele sobre os que fazem o mal. Vemos assim, que Deus deu poder às autoridades para castigar os maus, inclusive tirando-lhes à vida. Isso, no entanto, não significa que as autoridades podem agir como bem entenderem, pois nesse caso seriam tão maus quanto os que pretendem castigar. Elas devem sempre dar o exemplo no seguir e cumprir fielmente a legislação. Se não fizerem isso, também devem ser julgadas e castigadas.
Nós somos incentivados por Deus a fazermos o máximo possível para ajudar nosso semelhante a manter a sua integridade física. Ou, como aprendemos no Catecismo, Deus nos ordena neste mandamento a ajudarmos ao nosso próximo e ser-lhe úteis em todas as necessidades corporais, devendo, portanto, também sermos misericordiosos, benignos e conciliáveis para com ele. Em outras palavras, a vontade de Deus é que nós façamos o máximo para manter a vida de nosso próximo, incluindo-se aí não apenas repressão à violência, mas também socorro em tempo de fome e sede.
Então, podemos concluir com Lutero que transgride este mandamento não só quem pratica ações más, mas também aquele que, podendo fazer o bem ao próximo ou protege-lo e salva-lo de todo e qualquer mal ou dano que lhe possa atingir o corpo, mas não o faz. Assim, se alguém despede uma pessoa sem roupa quando podia vesti-la, deixou que ela morresse ao frio; se vê alguém que sofre fome e não a alimenta, está permitindo que ela morra de fome. Da mesma forma, se vê alguém condenado à morte ou em situação parecida, e não o salva, ainda que conheça meios e maneira para isso, então matou esta pessoa. E nada adianta alegar que não foi cúmplice só porque não ajudou, aconselhou e agiu, pois de fato negou a caridade e lhe negou o benefício que teria salvo sua vida. A intenção real de Deus, portanto, é que nós não permitamos que qualquer pessoa sofra algum dano, e que, ao contrário, demonstremos todo o nosso bem e amor em favor dela, especialmente em favor dos nossos inimigos, já que em favor dos amigos e de quem amamos, é o mínimo que se espera.
De fato, meus irmãos, temos que concordar que temos pecado muito contra o quinto mandamento. Afinal, nós somos rápidos em ficarmos com raiva de outras pessoas; rápidos para agredi-las com palavras e ações e, nem sempre que temos oportunidade, mostramos nossa fé cristã ajudando aqueles que precisam de socorro para manter a sua integridade física.
Por isso, precisamos humildemente nos colocarmos diante de Deus e dizermos: Tenha piedade de mim, Senhor, pois sou pecador. E também precisamos levantar os braços aos céus e darmos graças a Deus que nos enviou seu Filho, Jesus Cristo, para cumprir toda a Lei em nosso lugar. Cristo foi o homem perfeito que jamais pecou contra qualquer dos mandamentos e, ao morrer na cruz do Calvário e ressuscitar ao terceiro dia, deu a cada um de nós a sua justiça. Assim, agora, nós que cremos em Cristo como nosso Salvador, podemos ficar tranqüilos, pois, apesar de toda a imundície do pecado que nos atinge, estamos escondidos em Cristo e, a santidade e justiça de Cristo são a nossa santidade e justiça. Como é maravilhoso saber que Deus nos dá o seu perdão.
E, perdoados por Deus, temos dele também a promessa de que o Espírito Santo nos ajuda a vivermos a nova vida que Ele nos dá. E nesta vida temos a oportunidade de fazermos a vontade de Deus também quanto ao quinto mandamento, ajudando o nosso semelhante em todas as suas necessidades corporais, de tal forma que também ele possa viver como nós queremos viver. Que Deus nos ajude a vivermos preocupados e cuidadosos para com o nosso próximo. Amém.
(Rev. Éder Carlos Wehrholdt – Campo Largo/PR)

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