Jo 14.1-3 – Não fiquem aflitos (mensagem sepultamento)

Querido povo de Deus, muito especialmente, queridos familiares enlutados. 
Nossa reunião hoje tem um aspecto triplo. Em primeiro lugar, ela tem um aspecto triste, uma vez que estamos nos despedindo do pastor Martinho. Por isso, as lágrimas correm e a dor toma conta de nossos peitos. O sentimento de tristeza, de perda e de saudade é real, e vai ser preciso aprender a conviver com isso. Jamais estes sentimentos serão completamente curados, pois sempre haverá algo a nos lembrar deste dia. O domingo de ramos passará a ser um marco na história de nossas vidas.
Mas, por outro lado, nosso encontro hoje também tem um aspecto de culto de ação de graças, de gratidão a Deus por nos ter dado o pastor Martinho e, talvez, esta seja a melhor maneira de sermos consolados.
Toda a história da Igreja Evangélica Luterana do Brasil na região da grande Curitiba e também de outras cidades está ligada à história do pastor Martinho. E esta história tem mais de cinqüenta anos. Mais de meio século anunciando a mesma mensagem: Cristo é o Salvador de toda a humanidade. Toda a humanidade têm em Cristo o seu Salvador.
Por isso, as palavras de Cristo, que são base para a nossa meditação neste instante, também são um consolo para todos nós: Não fiquem aflitos. Criam em Deus e creiam em mim. Na casa de meu Pai há muitos quartos, e eu vou preparar um lugar para vocês. Se não fosse assim, eu já lhes teria dito. E, depois que eu for e preparar um lugar para vocês, voltarei e os levarei comigo para que onde eu estiver vocês estejam também.
Quantas vezes estas palavras foram usadas pelo próprio pastor Martinho como fonte de consolo para outras pessoas? Creio que não é possível sabermos com precisão. Mas, com certeza, foram muitas as vezes em que isso aconteceu.
Esta mensagem de Cristo para todos os cristãos é especialmente significativa neste período do ano em que vivemos. A partir de hoje começamos a caminhar pela Semana Santa, a semana em que comemoramos a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. A partir de hoje nós somos levados a meditar, de uma forma mais significativa, sobre toda a obra salvífica de nosso Redentor. Nós acompanhamos a sua entrada triunfal em Jerusalém e ainda vamos acompanhar seus últimos dias de vida e, finalmente, vamos acompanhar sua prisão, condenação, morte e ressurreição.
Interessante observar que as palavras de Cristo soam como se fosse a mensagem fúnebre do seu próprio enterro. Ele consola seus discípulos com a certeza da vida eterna. E é esta mesma certeza que nos consola hoje.
Quando nascemos, temos uma única certeza, a de que um dia iremos morrer. Não sabemos quando isso irá acontecer. Muitos morrem logo nos primeiros dias de vida. Outros alcançam uma idade bem-aventurada, como o pastor Martinho. Também não sabemos o que seremos em nossa vida. Alguns conseguem altos postos e são vistos como celebridades, autoridades, pessoas importantes, sempre presentes no noticiário. A grande maioria, porém, é de pessoas humildes, conhecidas apenas num pequeno círculo de familiares e amigos.
Mas quando chega a hora em que Deus nos chama, nenhuma diferença fará se fomos personagens importantes ou ilustres desconhecidos, se alcançamos uma idade avançada ou apenas alguns dias de vida.
A única coisa que faz diferença neste momento é a nossa fé. É por isso que Cristo diz: Não fiquem aflitos. Creiam em Deus e creiam também em mim. Na casa de meu Pai há muitos quartos, e eu vou preparar um lugar para vocês. Olhando para a vida do pastor Martinho que todos nós conhecemos, podemos ficar consolados, na certeza de que ele faleceu com a fé que realmente faz diferença. Ele faleceu na fé cristã e, por isso, podemos ficar consolados, pois para ele se cumpriu a promessa de Cristo: depois que eu for e preparar um lugar para vocês, voltarei e os levarei comigo para que onde eu estiver, vocês estejam também.
Assim, precisamos agora olhar o terceiro aspecto deste nosso encontro. Todo funeral é um lembrete para cada um de nós. Breve será a vez de nossa morte, de nosso velório, de nosso sepultamento. Quando? Não sabemos. Mas a cada dia estamos mais perto. E como nós estamos nos preparando para este dia? Como nós encaramos o fato de que o dia de nossa morte está cada vez mais próxima? Nós vemos esta proximidade com a tranqüilidade de quem vive na fé em Cristo, ou ficamos temerosos, preocupados, com a incerteza do que virá depois?
Não fiquem aflitos. Creiam em Deus e creiam também em mim. A salvação que Cristo conquistou é suficiente para todos. Ela está disponível para todos. Todos nós podemos usufruir desta maravilhosa graça. E, quando, hoje, nos reunimos para nos despedirmos do pastor Martinho, também podemos olhar para ele e aprender do seu exemplo. Ele viveu confiando em Cristo como seu salvador, e levou esta mensagem para tantas pessoas, das quais, muitas já estão na glória eterna porque viveram e morreram na fé cristã.
Meus queridos irmãos em Cristo Jesus, familiares do pastor Martinho: não vamos ficar aflitos, mas confiemos em Deus e também em Cristo que está preparando um lugar para cada um de nós no céu. Vamos nos consolar na certeza do perdão e da salvação que só Cristo pode nos dar e vamos nos mirar no exemplo de fé de nosso irmão falecido. Assim, quer vivamos pouco ou muito tempo, quer sejamos importantes ou desconhecidos diante da sociedade, vamos poder viver sempre na certeza de que estaremos com Cristo, tal como Ele mesmo prometeu a cada um de nós. Amém.
Rev. Éder Carlos, Sepultamento do Rev. Martinho Lutero Hasse
Curitiba – PR, 2004

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