Rt 1.1-22 – Mães: instrumentos da graça de Deus (Mensagem)

Hoje é o Dia das Mães – um dia em que deixamos, por um momento, a rotina e os afazeres diários, para agradecer a nossas mamães por nos criarem, nos amarem… nos agüentarem. A “mãe” do Dia das Mães é a professora Anna Jarvis. Dois anos depois da morte de sua mãe, seus alunos queriam fazer uma homenagem em memória a ela. Comovida, Anna sugeriu que, em vez de lembrarem apenas a mãe dela, lembrassem e homenageassem todas as mães do mundo, vivas e falecidas. A igreja metodista Andrews, em Grafton (EUA), foi o local da primeira comemoração do Dia das Mães, em 10 de maio de 1908. Em 1914, o então presidente Woodrow Wilson (presbiteriano), oficializou o segundo domingo de maio como o Dia das Mães naquele país. Hoje, a data é comemorada na maior parte dos países do mundo. 
Para o Brasil, a comemoração da data foi trazida pelo missionário metodista Frnak Long. No segundo domingo de maio de de 1918, realizou-se o primeiro registro dessa data no Brasil, em solenidade da Assossciação Cristã de Moços de Porto Alegre, sob direção de Frank Long. 
No decorrer dos anos, Anna Jarvis, que nunca chegou a ser mãe, começou a desiludir-se porque o Dia das Mães se tornou numa celebração predominantemente comercial. É bastante triste, não é? Isto nos mostra que, se não mantemos o enfoque correto, algo tão bom, como o Dia das Mães, pode chegar a ser algo triste e corrupto.
Por isso, hoje vamos nos esforçar para manter o enfoque correto ao atentar para o que Deus nos diz em sua Palavra a respeito das mães. De fato, ao estudarmos a história de Rute e Noemi, vamos ver um exemplo de como as mães são instrumentos da graça de Deus. Bem, a verdade é que a relação entre Noemi e Rute é de sogra e nora, mas, como vamos ver, chega a ser mais como uma relação de mãe e filha.
Portanto, hoje vamos falar de duas coisas: Primeiramente vou resumir a história de Rute e Noemi, que se encontra no livro de Rute. Depois, vamos ver o que nós, mães e filhos, podemos aprender desta história. 

I. O Resumo do livro de Rute
O livro de Rute inicia com as palavras: “Nos dias em que julgavam os júizes”. Estes foram dias obscuros e violentos na história dos israelitas, tempos de desobediência e matança, de rebelião e castigo. Vemos no livro dos Juízes que cada um fazia o que bem entendia e que os israelitas caíram num ciclo perigoso em que eles se rebelaram contra Deus e, por conseqüência, Deus os castigou. Depois, se arrependeram e Deus os salvou do castigo, mas logo voltaram a cair no mesmo pecado.
Parece que os eventos do livro de Rute ocorrem durante um tempo de castigo porque havia fome na Judéia. E para o povo de Belém (cujo nome ironicamente significa “casa de pão”) não havia o que comer. Então, um homem de Belém, chamado Elimeleque, fez algo drástico: mudou-se, indo-se da terra prometida com o pretexto de salvar-se a si mesmo e a sua família.
Estabeleceram-se na terra de Moabe, a terra dos descendentes de Ló (sobrinho de Abraão), onde não se adorava o Deus verdadeiro. E, ainda que Moabe e Israel fossem primos legítimos, havia muita desconfiança, muito ódio entre ambos. De fato, no Salmo 108, Deus diz: “Moabe é a minha bacia de lavar” (v. 9) – uma pia suja, isto é, para Deus não era nada.
Mas, de qualquer forma, Elimeleque levou a sua esposa Noemi e seus dois filhos enfermos Malom e Quiliom (Malom significa “enfermo” e Quiliom “débil, fraco”) e se estabeleceram na terra pagã de Moabe, onde Elimeleque logo morreu. Não deu muito certo seu plano de auto-preservação. Não é verdade?
Os dois filhos de Noemi se casaram com mulheres de Moabe, uma se chamava Orfa e a outra, Rute. Logo também morreram Malom e Quiliom e Noemi ficou sozinha com as suas noras.
Não muito tempo depois, chegaram notícias de Belém de que a fome havia acabado, e Noemi decidiu regressar à sua terra natal e suas noras também iriam com ela. Mas Noemi lhes disse que regressassem a suas famílias, porque, segundo os costumes e leis da época, outro filho dela, ou parente próximo teria que casar-se com elas para continuar a linhagem do falecido esposo, uma vez que Noemi já era velha não teria mais filhos. Portanto, melhor que regressassem a suas famílias.
Então, chorando, Orfa se despediu de sua sogra com um abraço, e regressou à sua família, mas Rute se recusou. Não deixaria sua sogra. Antes, cuidaria dela e viveria com ela como filha. E então, quando elas duas chegaram a Belém Noemi disse a todos que, de agora em diante, não a chamassem mais de Noemi (que significa “minha doçura” ou “agradável”), mas que a chamassem de Mara (que significa “amarga” ou “amargura”), porque Deus a havia feito sofrer umas provas muito amargas.
O resto do livro conta como Rute se casou com um homem chamado Boaz, um parente rico de seu falecido marido, e como Deus controlou todos os eventos para que se conhecessem e se enamorassem. E desta forma, Boáz “redimiu” Rute, ou seja, chegou a ser o parente próximo que continuou a linhagem de seu falecido esposo. Em tudo isso, Rute provia sua sogra, a obedecia e sempre atuou de maneira agradável a Deus.
Ao final da história, descobre-se que Rute e Boáz foram os bisavós do Rei Davi e, conseqüentemente, antepassados de Jesus Cristo. Por causa de Noemi e seu ensino, Rute torna-se parte da família de Jesus.
O ponto principal do livro de Rute é como Deus age através dos eventos da história para que tudo aconteça segundo o seu plano de amor. Rute e Noemi tiveram que passar por muitas provas difíceis, mas podemos ver como Deus fez com que tudo resultasse para o bem dos que o amam.
Essa é, em resumo, a história de Rute e como Deus trabalhou, através dela e sua sogra – Noemi, para trazer ao mundo o Salvador de todos os pecados.
Mas agora vejamos o que nós, como mães e filhos, podemos aprender desta história.

II. Mães – instrumentos da graça de Deus
Primeiro vou falar com as mamães aqui presentes: Você também se sente como aquelas que, por causa das dificuldades e problemas da vida que enfrentam, deviam ser chamadas de “Mara”? Às vezes se sente amargurada, ou ao menos triste, por causa dos “sacrifícios” que tem feito como mãe? Se perguntas, às vezes, se vale a pena?
Bem, pelo que vemos na história de Rute e Noemi, posso dizer-lhes que sim, que vale a pena. Como mães, Deus lhes tem concedido duas grandes bênçãos (bem é verdade, que são mais do que duas, mas hoje nos contentamos com essas duas).
A primeira dessas bênçãos é a certeza de que têm salvação. É claro que nós sempre escutamos isso, mas é importante. Por acaso você é uma mãe perfeita? Sempre faz tudo o que Deus quer? Sempre disciplina com amor? Ou, às vezes  faz isso por raiva? Sempre está contente com sua vida? Ou, às vezes, pensa que sua vida poderia ser melhor se tivesse decidido dirigir uma empresa em vez de dirigir uma família?
Necessita da salvação. Necessita do perdão que Deus nos oferece em Jesus Cristo. E que bom é que esse perdão é seu, porque Jesus o ganhou por você na cruz! Deus lhe tem perdoado por não ser uma mãe perfeita. De fato, aos seus olhos, você já é uma mãe perfeita, por causa do que Jesus Cristo fez. Que bênção!
A segunda bênção é que Deus lhe deu filhos. E creio que a maioria das mães aqui presentes concorda com isso. É um privilégio ter filhos e não se deve vê-los como estorvo ou fim da diversão. Ademais, os filhos são uma oportunidade para agradecer a Deus pela salvação que ele nos deu. É nossa responsabilidade criá-los na Palavra de Deus. Sim, Deus opera através dos pais e das mães para criar filhos salvos para ele.
E temos um belo exemplo em Noemi, que Rute não queria deixar, não somente porque a amava como sua sogra, mas também porque viu em Noemi uma mestra que poderia ensinar-lhe as verdades da Palavra de Deus. Por isso Rute pôde disse: “O seu Deus é o meu Deus”. Através da instrução de Noemi, Rute chegou a ser filha de Deus. E essa é a responsabilidade principal de todas as mães (e pais).
A verdade é que hoje em dia vemos que os dois, pai e mãe, estão trabalhando muitas horas, quase todos os dias, para prover a seus filhos tudo o que eles próprios não tiveram quando eram crianças, ou seja, mais conforto. Mas, qual é o resultado? A família não é mais forte, antes, mais fraca. Os filhos estão se perdendo e se tornando rebeldes. Não! a responsabilidade principal das mães e dos pais é dar a seus filhos o fundamento da Palavra de Deus, que necessitam para herdarem a vida eterna. De que lhes serve se lhes damos uma vida melhor aqui, mas estamos ocupados demais para dar-lhes o que necessitam para irem para o céu?
As mães precisam ser instrumentos que Deus utiliza para criar a fé salvadora nos seus filhos. Que nunca se descuidem nesta responsabilidade! Como mães, vocês têm recebido muitas bênçãos, mas essas bênçãos vêm com responsabilidades. Que agradeçam a Deus pelas bênçãos cumprindo com as responsabilidades.

III. Agora falemos um pouco sobre nós, os filhos…
Como Rute tratou sua sogra? Por amor a ela e a Deus, Rute amparou a sua sogra em sua viuvez, a respeitou e a obedeceu quando Noemi lhe deu conselhos quanto a Boaz.
Deus nos tem dado muitas bênçãos incríveis como filhos. Ele nos tem dado a mesma salvação que deu às nossas mães. Ainda que pensemos que já sabemos tudo, ainda que nem sempre respeitemos nossas mães, nem as honramos como devemos, temos perdão através de Jesus Cristo e somos filhos perfeitos de Deus.
Ademais, Deus nos tem dado a bênção que são nossas mães. Dedicaram a maior parte de sua vida a nós. Deram-nos à luz, trocaram nossas fraldas, e sentaram ao lado de nós toda a noite quando estávamos com febre, se preocuparam conosco e nos aconselharam quando estávamos entrando no mundo dos adultos… Nos têm demonstrado carinho, afeto e amor.
Como respondemos a estas bênçãos? É muito fácil felicitá-la com um cartão e levá-la a um restaurante uma vez por ano. Mas vemos na história de Rute que ela mostrou seu agradecimento e amor a sua sogra com toda a sua vida. Foi algo de todos os dias.
Conta-se que havia um homem que realmente nunca apreciou a sua esposa e não mostrava afeição por ela. Depois de 20 anos de casado, deu-se conta de que agira mal. Então, foi e comprou umas rosas e uns chocolates e bateu à porta de sua casa. Quando sua esposa abriu a porta, ele lhe deu as flores e chocolates e lhe disse que a admirava e amava por tudo o que tinha feito por ele e por sua família. E ela começou a chorar, dizendo a seu esposo: “O nosso carro quebrou hoje, não temos conseguido pagar as prestações mensais, a professora de nosso filho me chamou para dizer que ele está se comportando mal na escola, e agora tu chegas assim em casa… bêbado?!”
Será sincera nossa homenagem quando ela acontece apenas uma vez por ano? Que mostremos amor, respeito, e apreço para com nossas mães (e esposas) todos os dias. Agradeçamos a Deus freqüentemente pelas bênçãos que ele nos tem dado através de nossa mãe, porque ela, em pessoa, é uma bênção de Deus. Pelo ensino de nossa mãe cristã, nós também nos tornamos parte da família de Deus, da linhagem de Jesus, como Rute (Mc 3.33-35).
Por isso, quero animá-los a ler o livro de Rute esta semana (e não se preocupem, é bem curtinho). Quero que vejam como Deus dirige tudo para o nosso bem, como as mães aqui podem aprender de Noemi acerca das bênçãos e responsabilidades de ser mãe, e como todos podemos aprender, com Rute, a valorizar e a respeitar nossas mães todos os dias. Porque verdadeiramente são bênçãos de Deus. Feliz Dia das Mães! Amém.

Renato L. Regauer
Trad. e adaptado de: Andrew Schroer 

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