Mc 1.14-20 – Como lançar as redes e pescar almas para Deus – Estudo

Leituras: Sl 62.5–12; Jn 3.1–5, 10; 1 Co 7.29–31; Mc 1.14–20

CONTEXTO LITURGICO: Na Epifania, começamos vendo Jesus como uma criança que recebeu e se manifestou na visita dos sábios do oriente. Depois, já adulto, o vemos se revelar como o Filho de Deus e chamar seguidores. A coleta ou oração do dia reconhece as bênçãos que Deus dá ao seu povo passado e que ele continua distribuindo seus presentes para as necessidades de sua Igreja hoje. Nas leituras bíblicas, há um sentimento de forte de urgência, do agora, do já. O Antigo Testamento narra a mensagem urgente da Lei de para a cidade de Nínive, trazendo até a capital do Império Assírio o arrependimento rápido e inesperado através da pregação do profeta Jonas. Deus então demonstra piedade e declina da destruição que ameaçou a cidade. Na Epístola, Paulo estimula os cristãos de Corinto a não serem consumidos com as coisas deste mundo, pois está morrendo rapidamente. No Evangelho, a mensagem insistente de Jesus ao arrependimento e confiança no Evangelho também é urgente. Quatro homens responderam ao seu evangélico chamado para ser seus discípulos, pois Jesus quer continuar a se manifestar e aparecer ao mundo. Assim, seus discípulos têm o privilegio de construir este reino de salvação com ele. Assim o tema litúrgico para o dia aponta, sem dúvida nenhuma, para a tarefa do discipulado. 

NOTAS E DOUTRINAS DO TEXTO: O reino do céu de forma bem resumida no Antigo testamento significa o próprio Deus e sua ação na história em favor do seu povo escolhido. Também era uma das várias expressões de uso corrente no AT para substituir com reverencia o santo nome de Deus. Reino dos céus ao povo Israel no AT pelos profetas como o reinado do Deus da criação e do Senhor de toda a história, cuja realeza sobre o seu povo escolhido encontra e inaugura uma “encarnação” parcial na monarquia dos reis na aliança iniciada com Davi. Os profetas predisseram esse reinado real e concreto, mas também oculto que se tornaria manifesto e universal no tempo oportuno.  Deus revelaria – isso aconteceu em Jesus – para conduzir toda a história e reunir o seu povo de todas as nações consigo mesmo, passando a governar através dos corações ligados ao seu enviado Jesus Cristo. O Senhor seria rei sobre toda a terra, diz Zacarias (14. 9-11).

A proclamação de Jesus sobre a vinda do reino no evangelho está diretamente associada ao chamado ao arrependimento e é idêntico com o de João (Jo 3.2). Entretanto, há uma diferença: o chamado de João é preparatório (Mt 3.3) enquanto que o de Jesus é a ação graça divina concretamente realizada.

O chamado evangélico de Jesus a Pedro, André, Tiago e João é a primeira instrução urgente a respeito a tarefa do discipulado com vistas ao reino se aproxima. É a graça de Deus em ação. Os discípulos não escolhem seu mestre como era comum no Judaísmo. Jesus é quem os escolhe (Jo 15.16). Não há ênfase na qualificação dos discípulos ou dons para o chamado, porque a ênfase está no próprio Jesus. Ele se coloca sobre os homens com seu suave julgo de renuncia, prometendo-lhes um ministério de pescadores de homens na construção e testemunho do seu reino.

Hoje Cristo governa terra e céus através de seus ofícios: o profético, o sacerdotal e o real. Estes não podem pertencer apenas ao passado, pois ele continua, sendo o profeta que é que prega e é pregado, o sacerdote que intercede pelo seu povo e liberta de pecados, e por fim, governa terra e céus, como o rei nas três esferas de ação – poder, graça, e glória – para o bem daqueles que amam a Deus, única e exclusivamente através de sua obra expiatória e redentora por meio da pregação do evangelho do reino e dos santos sacramentos. Cristo exaltado, mas presente em meio a seu povo, rege todas as coisas em favor do povo redimido com seu santo sangue derramado sobre a cruz. Assim ele revela sua misericórdia e senhorio como o Senhor redentor da história. Portanto, o reino de Deus, não poder ser a igreja, pois esse ainda está encoberto pela cruz e não foi totalmente revelado. A igreja é apenas uma expressão dele. E de forma bem resumida, é o reino que se dá na redenção e libertação do poder do diabo através da fé justificante em nossos corações pela ação do Espírito Santo, mediante as obras e méritos de Cristo. (Cf. Apologia VI e VII, 13, 18; Catecismo Maior, Pai-nosso, 2ª petição, 51- 53; Catecismo Maior, Batismo, 4ª parte, 64-67 ).

 

O SERMÃO

INTRODUÇÃO: No último filme de “O Senhor dos Anéis”, o retorno do Rei, um do hobbits, Pippin, canta uma canção com a frase: “A casa ficou para trás, o mundo está à nossa frente“. Para os cristãos é o contrário: "O mundo ficou atrás, e nossa casa fica bem à frente“. O mundo como nós o conhecemos, onde tudo se amontoa ao redor de computadores e telefones celulares, trabalho rotineiro apressado sem interrupção, a academia de ginástica, o futebol, a viagem, férias, dores, tristezas, falta de dinheiro, o hobby, divertimentos e etc. é colocado de lado, em prol de coisas maiores e mais importantes. Pois quando o reino de Deus vem e se manifesta em Cristo, este mundo fica para trás e nossa nova casa esta à frente. Como cristãos batizados, nós já estamos em casa e somos parte do reino, e ajudamos a construir e testemunhar esse reino.

COMO LANÇAR REDES E PESCAR ALMAS PARA O REINO DE DEUS?

I. Primeiro, pedindo para que Jesus governe e dirija nossos corações e vidas através de sua Palavra e obra. Isso em si já é o reino de Deus. É necessário deixar com que Deus, através do Espírito Santo, mediante sua palavra, governe nossos corações e vidas, moldando nosso caráter e obras conforme o desejo de Cristo. Desta maneira, a igreja se torna aquele veículo eficiente para construir e testemunhar o reino de Deus. Jesus nos ensina com o que:

A. Com o seu perdão de pecados. Esse é o maior tesouro da igreja e é o ambiente ideal planejado por Jesus para sua igreja, que fala, que prega, que ensina e confessa o seu reino. O fundamento para isso é o mesmo Cristo que Deus leva até a cruz e nele se reconcilia com o mundo, não colocando a culpa de tudo o que acontece com o mundo em nós ou sobre nossas vidas, e sim, sobre a vida de seu filho Jesus Cristo. Então, é necessário olhar para este ato reconciliador, não como alguém importante que viveu no passado que pode dar algumas lições sobre nossa. Precisamos de Cristo como a própria fonte de vida que Ele é, como a única força viva que Ele, que pelo seu perdão e amor, desfaz as coisas ruins em que muitas vidas se desmontam e vegetam na angustia das dores, do medo e da tristeza, para dar hoje a nova vida que Ele já nos deu.

B. Com o seu amor incondicional, doado com o que há de mais sagrado, a vida de Deus na cruz.

C. Com seu poder no evangelho transformador – loucura para o homem do passado, do nosso tempo e do futuro – que provoca rupturas e modifica corações, não apenas comportamentos. Assim, quem entra em contato com Cristo, não permanece o mesmo de antes, pois Jesus o transforma, não como o homem quer, mas como convém ao Salvador Jesus.

II. Segundo, seguindo os conselhos e orientações de Cristo quanto ao discipulado.

A. Sabendo das implicações quando ele nos chama: Carregar a cruz e estar disposto a negar-se em favor de Cristo, seu evangelho e seu reino, inclusive com a vida, como ele fez. Este é o sentido de carregar a cruz, em outras palavras, se for o caso, sofrer por causa de Cristo, seu evangelho e reino.

B. Sem esquecer-se que sua presença nos acompanha em todo o lugar, guinado nossos passos. Então:

VEM SEGUE-ME! OUVIMOS E PERCEBEMOS SEU CHAMADO?

III. Não espere que Cristo venha se manifestar visivelmente, como apareceu a Pedro, André, Tiago e João ou como às multidões que ouviam sua palavra e viram seus sinais ou milagres.

B. Ou como alguns que pensam ter no barulho, no ativismo vazio, na ausência de dificuldade, na forte inclinação sentimental, na mídia e respostas espirituais prontas, o sinal da presença e manifestação de Cristo.  

IV. Jesus vem, se manifesta e chama hoje através da pregação da Palavra e sacramentos, que são os meios que Deus colocou na igreja para realizar a salvação.

A. Por outro lado, é preocupante quando não sentimos nada ou temos o sentimento errado quanto a manifestação de Cristo e da urgência do Reino de Deus ao mundo, sem dúvida estamos entre aqueles que “… se consideram cristãos fiéis, mas na verdade estão mortos espiritualmente. Nunca sentiram angustia por seus pecados… Lêem e ouvem a palavra de Deus sem que esta lhes cause impacto especial. Vão aos culto, recebem a absolvição, contudo não se sentem reconfortados; participam da santa ceia sem sentir absolutamente nada, permanecendo frios… [E] Argumentam que essa falta de sentimento não vão prejudicá-los e que, apesar disso, continuam sendo fiéis cristãos, porque julgam te fé“. (C. F. W. Walther, in: Lei e Evangelho, p. 60, edição resumida).

A. Nesses meios de ação – a Palavra e Sacramentos – Jesus concede a segurança do seu amor e misericórdia, que é o evangelho do reino, referido no texto do evangelho de hoje. Não há o que temer, nem culpa e nem medo, pois o amor de Jesus manifestado na cruz apagou o que nos angustia e nos motiva a viver submisso a Ele e pertencer a Ele. Daí só pode vir coisa boa e alegre. Por isso, como disse Lutero certa vez, “… deixe Deus ser Deus”. Deus em Cristo é nosso amigo através dos meios que ele colocou na igreja. 

B. Assim adquirimos o sentimento de valor e apreço do seu reino, nos tornamos pescadores de homens, enviados de Deus ao mundo e ajudando a construir e testemunhar o reino de Deus.

1. Deus nos confiou o ministério da “reconciliação com Deus” ou da pregação da palavra da redenção que existe em Cristo, ou seja, Cristo nos tira do mundo e nos envia de volta a ele, assim, é urgente que nesta realidade, qualquer pessoa seja objeto do amor incondicional de Deus.

a. Justamente por isso, não podemos fazer qualquer tipo de acepção de pessoas ou esperar que as pessoas se comportem conforme nossos padrões previamente pensados e adquiridos culturalmente. Eles são humanos e falhos e manchados pelo pecado. Jesus é o centro e foco.

b. A igreja de Cristo, quando convocada para apresentar o Evangelho, tem que estar livre no evangelho de tais coisas para dialogar, e só vai estar preparada quando assimilar a grandiosidade e a universalidade do amor incondicional de Deus no evangelho em Cristo, vier antes de estereótipos como riqueza, vícios, riqueza, etnia, divertimento, cultura, preconceitos morais e até mesmo religiosos.

2. E como crerão e ouvirão se não há quem pregue? Pergunta o apóstolo Paulo (Rm 10.14). Por muitas razões, não valorizamos o testemunho quanto deveríamos, talvez por medo, vergonha e falta de conhecimento. Mas com gratidão temos que nos lembrar que Deus é Deus de todos, e que o evangelho é para todos. Como sua igreja desfiada, Cristo espera isso de nós, não como obrigação, mas como ação de graças, expressando a gratidão por tudo o que nos deu e nos abençoou. Desta forma, o imperativo evangélico, “segue-me” é um consolo e privilegio e bem por isso, não podemos abandonar nossas redes.

CONCLUSÃO: O evangelho de hoje, chamou atenção para dois pescadores chamados Simão e André. Pescar não era apenas um passatempo para eles. Era o meio de vida dele. Em sua rotina de trabalho, em certo dia, alguém veio e se manifestou até onde pescavam, e disse: "Venha, me siga… e os farei pescadores de homens" (v 17). A Bíblia nos fala que Simão e André deixaram o seu barco e seguiram Jesus. Pescar era a coisa mais importante para eles, pelo menos para a subsistência deles, mas quando Jesus os chama, “deixam de pescar” e o seguem. Jesus se tornou a coisa mais importante deles, e terminaram suas vidas, como cooperadores de Deus, construindo e falando de Jesus e do seu reino e da casa futura. "Venham e me siga… e os farei pescadores de homens!" Estão ouvindo? Quantas iscas e redes foram jogadas, por exemplo, na ultima semana para que Jesus realize sua pesca?

P. Aragão, Guará II, Brasília – DF, Série B, 2006.

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