Limites, respeitando e se fazendo respeitar

Logo depois da criação do homem, Deus chegou a uma conclusão muito interessante: não é bom que homem viva sozinho! Com a criação da  mulher começava a vida em sociedade. Vivemos para estar com os outros, falar, ouvir e conviver, tanto que, quando alguém somente quer ficar sozinho, pode estar doente. Uma das características da depressão, por exemplo, é justamente o isolamento.
Vale lembrar ainda que a queda em pecado tornou  atrapalhou o relacionamento humano que Deus imaginou e planejou perfeito. Conviver em sociedade passou a ser uma coisa complicada.
Tendo isto em mente, queremos pensar um pouco sobre a questão dos limites no relacionamento interpessoal e buscar alguns exemplos na vida de Jesus como ilustração.
Limite pode ser pensado como um profundo respeito que uma pessoa deve ter consigo mesma ou com o outro que está diante dela. A partir deste respeito, ela não vai invadir o outro, nem se deixar  invadir.
Para entender melhor a questão, vale considerarmos três grupos de pessoas que geralmente estão interagindo e se relacionando: os que não sabem dizer “não”, os manipuladores e os insensíveis.
No primeiro grupo, daqueles que não sabem dizer não, por outro lado, é composto por pessoas que dizem “sim” para tudo, mesmo em situações que não querem e/ou não podem, e depois ficam magoadas e ressentidas, tristes com as quem está “obrigando”. E fazem o que é pedido por obrigação e má vontade. Este grupo surge a partir de lares muito repressores, onde o filho não pode expressar sua opinião, mas deve fazer tudo que lhe mandam. Neste sentido fica a reflexão: se o filho não pode ter opinião em casa, o quanto ele poderá ser influenciado na rua? Há também o caso de pessoas muito inseguras e com auto-estima baixa que acham que se disserem um “não” para alguém  ou expressarem sua vontade vão perder amizade e/ou carinho. Quem faz parte deste primeiro grupo deve se trabalhar e começar a desenvolver os “nãos” justamente com pessoas queridas e amigas, que vão respeitar e aceitar sua decisão, se “forçam a barra”, não verdade não são tão amigas assim. Vale ainda lembrar que o “não” deve ser dito de forma educada, mas firme, sem agressividade. É uma grande conquista. Na vida de Jesus, por exemplo, no primeiro milagre, quando Maria veio lhe dizer que o vinho da festa havia acabado, ele educadamente disse à sua mãe: – Não é preciso que a senhora diga o que devo fazer (Jo 2.4), e não pecou, colocou um limite na própria mãe.
O segundo grupo, dos manipuladores, geralmente vai agir sobre aqueles citados no parágrafo anterior. Os manipuladores podem ser divididos em dois subgrupos: os agressivos e os astutos. Este grupo geralmente surge a partir de pessoas que tiveram suas vontades notadamente atendidas quando crianças, não receberam muitos “nãos” e quando recebem, não se conformam e tentam reverter a situação, não lidam bem com as frustrações. Os agressivos são aqueles que “vão para cima da cerca do limite como um tanque de guerra”, discutem, argumentam, fazem de tudo para convencer e ter feita a sua vontade. Quando Jesus falou que iria para Jerusalém, por exemplo, Pedro (Mc 8.33) logo começou a reprova-lo e tentar convence-lo a desistir. Jesus, por sua vez, soube colocar bem o limite naquela manipulação: – arreda Satanás, foi sua resposta. Acho que Pedro foi colocado no seu lugar. Os manipuladores astutos são aqueles que usam do sentimentalismo,  doenças (reais ou imaginárias), emoção e às vezes até da própria religião para forçar os outros a fazer alguma coisa. Quem já não ouviu a frase: “se você gostasse de mim…”. Tiago e João queriam posição especial no reino de Jesus, como eles fizeram o pedido? Usando a própria mãe”.
Por fim temos os insensíveis, a pessoa que está tão voltada para si, para suas necessidades, que não percebe que está incomodando, está sendo inconveniente, está invadindo o limite do outro.  São pessoas que falam perto de mais e cospem na gente. Têm  mal hálito. Ficam pegando na gente enquanto falam.  Falam o tempo todo e não deixam ninguém falar. Telefonam nos horários mais impróprios por coisas que poderiam ser tratadas em outros momentos. Num hospital contam quantos dos seus parentes e como morreram exatamente daquela doença do paciente. E assim vai. O mais difícil é que os insensíveis jamais se acham como tais e causam muito sofrimento e mal estar. É preciso que desenvolvamos o bom senso, ou, o “desconfiômetro”, para não abusarmos dos limites de alguém. Vale aqui um bom amigo, o cônjuge, ou alguém de confiança pode ser muito útil para chamar a atenção, ou “dar uns toques”, com amor. É preciso também boa dose de humildade para se perceber e mudar. Jesus neste ponto é um ótimo exemplo. Em Lucas 7 é relatado que um oficial romano tinha um servo doente. Jesus se propôs a ir até a casa do oficial. Este porém diz que não é preciso, basta apenas uma ordem de Jesus que o rapaz ficaria curado. Muita gente diz que o oficial. Por algum motivo, ele não queria que Jesus fosse em sua casa. Jesus, por sua vez, respeita o limite do homem, cura o empregado, mas não vai até a casa.
Uma das marcas do cristão é o amor ao próximo, logo quem ama vai respeitar o outro e se fazer respeitar também. 

Rev. Flávio Luis Hörlle

Ponta Grossa – PR

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