Jo 19.30 – Por que Jesus Morreu? (Mensagem)

Texto: “… E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito.” Jo 19.30
Nesta 6ª Feira Santa relembramos o grande drama da vida de Jesus: Seus dois últimos dias finais que vão do Getsêmani ao Gólgota, a passio magna, conforme o filme a Paixão de Cristo de Mel Gibson. Em si, não tem nada de excpcional. Muitos prisioneiros, bandidos, criminosos e líderes revolucionários eram presos e crucificados. Assim como os dois ladrões, Jesus não foi o único. Os soldados romanos o viram como mais um prisioneiro a ser liquidado. O Sinédrio judaico viu nele um blasfemador. Então, porque Jesus morreu? 
I – Jesus não morreu porque Pilatos o entregou para ser crucificado. Ele também não morreu por causa da crucificação em si. Os crucificados morrem quando suas forças vão se esgotando pouco a pouco até que, por fim, atravessam um estado de coma e expiram insconscientes. No caso de Jesus não foi assim. Quando lemos os evangelhos podemos constatar que Jesus estava consciente. Um pouquinho antes de morrer exclamou: “Está consumado!”  E logo em seguida, bradou em alta voz: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E, dito isto, expirou”  (Lc 23.46). Quer dizer, conscientemente Jesus entregou seu espírito ao Pai, e então morreu. 
Jesus estava sim, sofrendo terrivelmente no corpo as dores da cruz. Mas, a causa de sua morte não foi física. Não foi o seu sofrimento corporal. Ele mesmo havia dito: “… eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai.” (Jo 10.17,18). Sim, nem os judeus, nem Pilatos, nem doenças, nem pregos, nem a cruz, nem os soldados romanos, nem mesmo o próprio diabo, ninguém tomou a sua vida. Ele livre e voluntariamente se entregou. Ele sabia ser esta a vontade do Pai. E assim foi obediente, e como um cordeiro foi levado ao matadouro.
Por isso ele disse aos discípulos, de caminho a Jerusalém: Eis que subimos para Jerusalém. É necessário que eu vá para lá. Tenho uma tarefa a executar. Vai cumprir-se lá o que os profetas disseram acerca do Messias, “pois será ele entregue aos gentios, escarnecido, ultrajado e cuspido; e depois de o açoitarem, tirar-lhe-ão a vida…”   – 
E o que é essa morte? A morte acontece quando a alma se separa do corpo. No caso de Jesus o nosso texto diz: “… E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito.”  O evangelista Lucas nos diz que Jesus “expirou” e entregou o seu espírito ao Pai. 
Quando os soldados foram apressar a morte dos crucificados, ferindo-os e quebrando-lhes as canelas, verificaram que Jesus já estava morto. Então, para confirmar, feriram o seu lado com uma lança, donde jorrou água e sangue, sendo isto uma constatação medicinal de que no corpo não há mais vida. Jesus de fato morreu, e o fez voluntariamente. 
II – Também não houve nenhuma causa moral na morte de Jesus. Quer dizer, Jesus não morreu por ser pecador. Vejamos isso de uma maneira bem simples para cada um de nós e para qualquer pessoa. Ele era um ser humano e, como todo ser humano, ele um dia iria morrer. Esta é a realidade da vida aqui neste universo e planeta deste que o pecado entrou no mundo. O pecado trouxe morte, e a morte passou a todos porque todos pecaram.  Deste então a vida do universo e de todos os seres vivos forma um ciclo de princípio, meio e fim. Por circunstâncias catastróficas, doenças e acidentes, algum partem mais cedo do que o esperado. Isto faz parte da vida, e é preciso estar preparado pra qualquer coisa. 
Bom, Jesus, quando veio a este mundo ele se sujeitou a tudo isto! O Verbo eterno deixou a glória do Pai, fez-se carne, uma pessoa, e humildemente assumiu toda nossa condição humana. Ele foi concebido pelo Espírito Santo, nasceu da virgem Maria. Tornou-se verdadeiramente homem e, como tal, passou por todas as nossas agruras: Trabalho, cansaço, sono, dor; tentações; blasfêmias, desprezo, ódio; calúnias e etc. Além do mais, ele passou ainda pela experiência que todos nós um dia vamos passar: Ele morreu. Sua morte foi física. Ele realmente experimentou a morte em seu próprio corpo assim como todos nós um dia vamos experimentar. 
Mas, diferente de nós, ele passou pela morte, não porque fosse pecador, não porque tivesse herdado a corrupção pecaminosa ou o pecado original de Adão e Eva. Passou pela morte porque ele tomou sobre si os nossos pecados e os do mundo inteiro como se fossem dele mesmo. “… O Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós.”  (Is 53.6). 
De outra forma poderíamos dizer assim: Jesus, o filho de Deus concebido pelo Espírito Santo, nasceu e viveu sem pecado. A morte jamais o poderia atingir. Jesus morreu porque quis morrer. 
III – Finalmente, Jesus morreu porque ele queria nos salvar. A passio magna  , a Grande Paixão de Cristo, diz respeito ao propósito amoroso de Deus para com toda a humanidade, que é a salvação eterna. A extrema angústia que nosso redentor sofreu do Getsêmani ao Calvário, parte na alma, parte no corpo, suportando as mais extremas e amargas dores, era porque assim assim Deus queria fazer expiação dos nossos pecados. (Is 53.4-6; 2 Co 5.21). (J. T. Mueller. Dogmática Cristã. Vol 1, p. 303). 
Deus decidiu fazer isso desde a eternidade. O seu plano de salvação já começou com Adão e Eva no Éden, quando prometeu um Salvador. A revelação do Messias de Deus foi progressiva, e todos do AT que creram nas promessas de Deus foram salvos. E assim, conforme Deus tinha planejado e prometido, Jesus veio. Cumpriu toda a vontade de Deus Pai. Por seu grande amor por nós Jesus concordou, lá na eternidade, em vir aqui para nos libertar para sempre de tudo o que nos oprime. O preço ele sempre soube qual seria: Nada mais e nada menos do que dar a sua própria vida em nosso resgate. 
Para tanto, ele “se submeteu (obediência passiva)  á maldição da lei e padeceu e morreu pelos pecados do mundo (Hb 9.12; Ef 5.2; Is 53.4-6).” Ele sofreu, padeceu e morreu como se ele mesmo houvesse transgredido toda a lei a merecido toda a punição. “Desta maneira, por sua santa vida e sua morte inocente Cristo nos adquiriu aquele divino mérito (meritum Christi) que é a nossa justiça perante Deus para a salvação (Rm 3.22-25; 2 Co 5.19-21).” (J. T. Mueller. Dogmática Cristã. Vol 1, p. 316). Cristo, portanto, fez a nossa reconciliação com Deus ofertando-se na cruz. Derramou o seu sangue para que pudessem ser cancelados todos os nossos pecados. 
Conclusão: 
Por que Jesus teve que sofrer tanto e morrer na cruz? Jesus morreu por amor a nós! Para nos trazer benefícios eternos! Seu sacrifício na cruz nos trouxe o perdão de todos os pecados, libertação da morte e da condenação eterna; livramento do poder do diabo. Tudo isto quer dizer: Agora novamente temos comunhão com Deus. 
O sofrimento e morte de Jesus encerram verdades profundas: O imenso amor de Deus pela humanidade decaída, a conquista do perdão dos pecados, o cumprimento das promessas divinas, o oferta gratuita da vida eterna por meio de Jesus. Sim, para nós, Jesus, o filho de Deus, é o Salvador do mundo. É a única porta de entrada para a bem aventurança eterna. Assim a Bíblia apresenta-nos a Jesus. É assim que o vemos e o acolhemos pela fé. Amem. 
Rev. Sérgio Paulo Plaster Valkinir – 2004

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