Muito Obrigado

Diz a história que em 1621 imigrantes europeus nos Estados Unidos resolveram festejar o sucesso das colheitas com um dia especial de agradecimento a Deus, celebrado com um banquete no qual assaram uma ave silvestre, o peru. Esta Ação de Graças transformou-se numa tradição mais festejada por lá que o próprio Natal. Em 1909, o embaixador brasileiro Joaquim Nabuco, após assistir em Washington a celebração desta festa, proferiu um discurso emocionado na ONU propondo o Dia Internacional de Ação de Graças. Em 1949, o presidente Eurico Gaspar Dutra instituiu em nosso país a data, lembrada hoje em 150 nações sempre nesta quarta quinta-feira de novembro.
Este dia tem algo parecido com a Festa da Colheita, uma celebração dos cristãos da Europa quando os produtos da terra eram levados ao altar e dedicados a Deus. Uma tradição que ainda persiste em certas igrejas no interior do Brasil. Mas com o tempo estas coisas se tornam meras tradições. A “tradição” precisa “traduzir” o fato original, senão vira uma “traição” (as três palavras têm a mesma raiz latina que significa o ato de entregar). Assim como no Natal e em outras festas cristãs, é muito fácil as coisas virarem um “peru”. O nosso muito obrigado pode se transformar num gluh gluh gluh. O próprio culto a Deus na igreja, as orações, os hinos, o louvor, tudo pode ser algo que não traduza o sentido original. Como aconteceu com o povo de Israel no Antigo Testamento. Em certo momento Deus reclamou deles, dizendo: – Não adianta nada me trazerem ofertas; eu odeio o incenso que vocês queimam. Não suporto as Festas de Lua Nova, os sábados e as outras festas religiosas, pois os pecados de vocês estragam tudo isso (Isaías 1.13). O pecado desta gente era a falta de amor ao próximo, conforme aponta o livro: – Aprendam a fazer o que é bom, tratem os outros com justiça, socorram os que são explorados, defendam os direitos dos órfãos e protejam as viúvas (Isaías 1.17).
Na verdade, junto com o louvor dos filhos de Deus na igreja, a melhor maneira de agradecer aos céus é repartindo com os outros as dádivas recebidas. E se existe algo que nunca deveríamos deixar de reconhecer todos os dias, este é o perdão divino pela falta do nosso amor e de todos as conseqüentes infrações. Sobre isto Jesus contou uma parábola (Mateus 18.21-35) mostrando onde começa a legítima ação de graças. Um empregado devia milhões de moedas de prata e não tinha como pagar. Sensibilizado, o patrão perdoou a enorme dívida. O empregado saiu todo feliz e logo adiante encontrou seu colega de trabalho que lhe devia 100 moedas de prata. Não teve dúvida, mandou pôr o coitado na prisão até que pagasse a dívida. O final da história conta que o patrão descobriu a ruindade, e podemos imaginar o que aconteceu depois.
Neste mundo com tanta gente padecendo ao nosso lado por falta disto e daquilo, sempre temos alguma coisa para oferecer. Às vezes um simples sorriso é tudo o que alguém precisa. E se tem gente morrendo de anorexia, outro jejum doentio está mesmo no coração de gente que não olha para cima e por isto não olha para o lado, mas só para frente, no espelho. Pois neste dia de agradecer, valem as palavras daquele que tudo oferece: – O jejum, a ação de graças que me agrada é que vocês repartam a sua comida com os famintos… (Isaías 58.7).

Pastor Marcos Schmidt – Novo Hamburgo, RS

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