Aconselhamento Pastoral a Enlutados

INTRODUÇÃO
O viver e o morrer são duas situações. Da mesma forma a chegada e a partida. Alguém certa vez definiu este mundo como um porto, onde se chega, se vive e um dia se parte. Ao chegarmos trazemos alegrias para aqueles que nos esperam e ao partirmos, deixamos saudades, lágrimas e dor aos que aqui ficam. Raríssimos são os casos em que este sentimento não é deixado como legado.
No transcorrer da história da humanidade milhões foram os que aqui chegaram e daqui partiram. E mesmo assim, nós, seres humanos, não aprendemos o sentimento da perda ou o luto. Este sentimento que não poupa ninguém. Ninguém escapa do luto. Trata-se de algo que só conhecemos com a experiência. Precisamos sentí-lo na própria pele para entendê-lo perfeitamente.
Há, porém, certas coisas a seu respeito cujo conhecimento prévio possibilita prepararmo-nos para enfrentá-lo. E ainda nos ajuda a compreender, confortar e encorajar pessoas desamparados. E é este justamente o propósito deste trabalho: analisar a situação e os sentimentos que envolvem o enlutado para termos uma melhor compreensão de como podemos ajudar aos que ficam com a dor e a saudade.
1 COMPREENDER O LUTO
A perda de uma pessoa querida é uma das experiências mais dolorosas da vida. É uma experiência que cedo ou tarde todos teremos de enfrentar. A dor é um componente da nossa vida, e aprender a lidar com ela faz parte do nosso processo de maturação.
Durante nossa vida iremos sempre nos deparar com perdas diversas: materiais, físicas, profissionais, de posição social, etc. Também, certamente,  iremos nos deparar com a perda de uma pessoa muito querida. E esta é em geral a mais intensa e desagradável por tratar-se de uma perda de um ser humano e por ser sem retorno. A dor ligada a essa perda chama-se luto.
A intensidade do luto depende de alguns fatores:

1 – AS CIRCUNSTÂNCIAS QUE RODEIAM A MORTE DA PESSOA.
Os sobreviventes reagem de diferentes modos diante da perda de pessoas por câncer, acidentes ou suicídio. Não há homogeneidade de reações. E quanto mais longa é a antecipação da morte e maior a possibilidade de falar sobre ela, tanto mais fácil se torna enfrentá-la. Na realidade quase ninguém está suficientemente preparado para a morte, por mais que saiba e pense no momento final de sua vida.
A morte, atualmente, foi se tornando um tema proibido. Das ciranças se oculta a morte e os mortos, dizendo: “Vovô foi fazer uma longa viagem”, ou: “Está descansando num bonito jardim”. Mas estas mesmas crianças assistem, ao pé da cama dos moribundos, às solenes cenas de despedida.
Em nossa sociedade produtivista e progressista, busca-se falar o menos possível da morte. Os novos costumes exigem que a morte seja o objeto ausente das conversas educadas. Quando, porém, apesar de tudo, é necessário fazer alusões a ela, recorre-se a eufemismos que ajudam a disfarçá-la. Assim, dentro de um hospital, o paciente não morre: “expira”, “vai a óbito”, ou, se está agonizando, é “paciente com sindrome de JEC” (Jesus está chamando). Designa-se, cada vez mais, o morrer como algo impessoal e os mortos como coisas, tudo isso visando encobrir-se com isso a morte.
Hoje o ideal é que as pessoas morram sem se dar conta de sua morte, sem jamais saber que o seu fim se aproxima. Nesse sentido, os familiares cuidam disso e podem contar com a cumplicidade pessoal médica. Os sinais que podem alterar o doente de seu real estado são cuidadosamente afastados, a começar pela presença do sacerdote. O pastor às vezes é chamado à cabeceira do leito do moribundo quando este já perdeu a consciência ou quando definitivamente está morto.
Um dos fatores importantes nessa mudança de atitude foi o deslocamento  do lugar da morte: ela moveu-se do lar para o hospital. Médicos e enfermeiras substituiram a família. Uma pessoa agonizante tornou-se um doente terminal. Se a morte parece iminente e os membros da família ali estão, são geralmente mandados para fora do quarto. E, na maioria dos hospitais, crianças nem entram. Talvez para protegê-los do choque da morte. Para dar aos médicos e enfermeira liberdade de usar medidas extremas, se necessário. Para evitar experiências traumáticas para outros parentes se um dos familiares entrasse em pânico. Todas medidas razoáveis, mas deixam as pessoas cada vez mais despreparadas para enfrentar a experiência da morte.

2 – A RELAÇÃO ENTRE A PESSOA QUE MORRE E OS QUE FICAM.
O tipo de relação tem seu peso no suportar a dor da separação. Se houve uma relação estreita, de ajuda, ou existiam tensões, mal entendidos, agressões. Será muito duro para um pai aceitar o suicídio do filho que nunca tratou com amor, carinho e atenção. Será muito duro um cônjuge aceitar o suicídio da companheira ou companheiro que nunca tratou com amor, carinho e atenção. Pois o suicídio é algo extraordinariamente duro de se enfrentar por parte dos sobreviventes por ser evitável. Má saúde, incluindo a dor. decepções amorosas, solidão, conflitos conjugais; remorso, vergonha, fracasso profissional ou nos negócios; problemas financeiros; desgraça; perda de posição – são algumas razões que levam ao suicídio, e, que aumentarão em muito a dor, especialmente se acompanhada do sentimento de que a tragédia podia ter sido evitada.

3 – OS RECURSOS COMUNITÁRIOS ACESSÍVEIS AOS ENLUTADOS.
Nestes momentos de dor é necessário o apoio da família e amigos e a presença dos membros da Igreja ou da pessoa do pastor que são os recursos comunitários. A pessoa enlutada que vive a experiência da participação e da sustentação da comunidade, a quem se dá tempo e espaço para recontar sua história, que se sente aceita e consolada, seja qual for a intensidade de sua dor, sairá de seu estado interior com gratidão.

4 – OS RECURSOS INTERIORES DA PESSOA ENLUTADA
A perda de uma pessoa amada pode representar uma ocasião de abatimento ou de crescimento. Isso vai depender de como se utiliza a fé, e qual o peso que tem as lembranças passadas na caminhada rumo à recuperação. Em geral, os enlutados se tornam mais sensíveis e voluntariosos em relação a pessoas que passam pela mesma experiência, se são apegadas à Deus e usam com sabedoria as lembranças passadas.
A reação a esta perda, a nivel físico, emocional, espiritual e social varia de pessoa para pessoa, e pode depender das circunstâncias que rodeiam a morte: o tipo de relacionamento que existiu entre o falecido e o enlutado… a força que a pessoa tem… e a qualidade do mecanismo de defesa da pessoa. Certamente, uma pessoa que pode contar com uma auto-imagem positiva, com uma capacidade de se relacionar facilmente, com uma fé para se apoiar e com uma disposição para tomar iniciativas, agirá melhor do que uma pessoa que tem uma individualidade pouco nítida, que tende a se retrair antes de se envolver, que tem dificuldade em aprender através do sofrimento e que tem medo de assunir os riscos.
Assim como leva tempo para amar, também leva tempo para esquecer. Dizem: “O tempo cura”. O tempo, por si só, não cura. Se uma pessoa que sofre, se sentar a uma canto esperando que o tempo cuide de sua amargura, perceberá que o tempo não fará coisa alguma. Segundo Lindemann, esta tarefa que se segue à morte envolve três elementos: desligar-se dos laços que nos ligavam ao falecido, reajustar-se ao ambiente onde a pessoa morta não faz mais parte e formar novos relacionamentos. Tudo isto dá trabalho.
No entanto, a religião proporciona apoio, significado, consolo e esperança para o futuro. Os cristãos acreditam que o Espírito Santo que vive em cada crente oferece um conforto e paz sobrentaurais em épocas de luto.

O ESTADO EMOCIONAL
A experiência do luto envolve toda a pessoa: o corpo, os sentimentos, o espírito, o estilo de vida. A melhor maneira para ajudar é compreender aquilo que a pessoa enlutada está atravessando nos vários níveis de seu ser. Divide-se, em geral, as reações do enlutado em quatro grupos:

1 – REAÇÕES FÍSICAS
A perda da pessoa amada produz mudanças no corpo, altera as funções digestivas, circulatórias e glandulares. As reações físicas mais imediatas são gritos, desmaios, a impressão de secura na boca, de tenção na garganta, a respiração curta. As reações físicas posteriores mais comuns são a dor no peito, dor de cabeça; a sensação de compressão na cabeça e pescoço; a perda do apetite, nenhum desejo de comer, a comida parece areia; a perda do sono, dificuldade de adormecer, acordar súbito, noites que parecem eternas: perda da força física, qualquer coisa deixa a pessoa cansada e exausta; a perda da concentração, sentimento de inutilidade; perda do desejo sexual.
Estes sintomas em geral fazem parte do processo natural da recuperação física. Muitas vezes a pessoa enlutada torna-se verdadeiramente ansiosa e obsessiva em face a qualquer outra pequena dor súbita, real ou imaginária, teme morrer. Outras vezes, deixa-se ir, e a saúde se deteriora; procura vencer o sofrimento, fumando excessivamente e bebendo, descuidando-se da alimentação, etc. As estatísticas mostram um alto nível de mortandade entre as pessoas que enviuvaram.

2 – REAÇÕES EMOTIVAS
São geralmente mais difíceis de serem controladas. Podemos dividi-las em três fases principais:
2.1 – Choque e negação
Expressões como: “Digam-me que não é verdade”, “não posso ainda acreditar que tenha acontecido”, são indicadores de uma fase de ajustamento à realidade que pode durar até cerca de três anos. Em alguns casos, parentes se recusam a aceitar  que se ente querido morreu, procuram acordá-lo, dizem que é hora de parar de fingir e ir para a casa. Preferem crer que foi um sonho e que de algum modo em algum lugar, a pessoa amada reaparecerá. Um viúva poderá continuar a preparar o mesmo número de pratos na mesa. Um viúvo volta do trabalho esperando ouvir a voz de sua mulher na casa.
Muitas vezes as pessoas não choram e aí são tidas como emocionalmente fortes: “Que serenidade a fé lhe dá!” No entanto, esta pessoa pode estar experimentando um estado temporário de anestesia emocional. E que dentro de horas, ou dias, sentirá a realidade da perda. Pode ser bem mais difícil entender a dura realidade, nesse estado, quando sair da anestesia. Quanto antes o afetado tem que tratar pessoalmente de seus problemas imediatos e tomar decisões, tanto melhor.
Há pessoas que não conseguem expressar sua emoções. Os homens, em geral, procuram não expressar suas emoções e seus sentimentos. Talvez seja pela própria formação que receberam de  que “homem que é homem não chora”. Reter a emoção poderá causar graves problemas. O choro é uma manifestação de descarga e alívio. Na Escritura temos relatos que, quando grandes calamidades abalavam os grandes homens na fé, eles choravam amargamente. Chorar a morte de uma pessoa faz muito bem. Reprimir a emoção é causar dano ao próprio corpo.
2.2 – Raiva e depressão
A raiva é uma reação aos nossos sentimentos de frustração ou de injustiça súbita. É dirigida contra pessoas determinadas que tiveram relação com a morte: um médico, Deus mesmo, alguma pessoa mais próxima, o próprio morto, os amigos, membros da família e o mundo em geral. São estas reações que permitem ao ser humano sobreviver e reencontrar-se na vida, enquanto a depressão os leva a retirar-se da vida, a isolar-se de maneira perigosa.
Em determinado momento nos sobrevem um profundo sentimento de depressão. É como se Deus não estivesse mais no céu, como se Deus não se interessasse mais por nós. É uma sensação de profunda depressão e isolamento. E uma das melhores maneiras de ajudar um amigo numa hora dessas é estar com ele em discreta lealdade e assegurar-lhe que tudo passará. A princípio não nos acreditará, dizendo que não sabemos o que estamos falando. Mas se descobrir que nossa preocupação por ele é autêntica, a afirmação de nossa própria confiança nos constantes cuidados e interesses por ele, da parte de Deus, vão contribuir muito para a sua recuperação.
A depressão é em geral a raiva voltada para o próprio interior. A pessoa não se permite manifestar a raiva porque teme ser rejeitada e abandonada, e assim descarrega suas energias e tensões internamente. A depressão pode exprimir-se pela recusa de ver os aspectos bons da vida cotidiana, em encontrar razões para não sair de casa. Geralmente sobrevivem sem interesse ou desejo para o amanhã.
2.3 – Solidão e Sentimento de Impotência:
A solidão é a emoção mais freqüente e durável que a pessoa enlutada experimenta. Poderá durar por toda a vida. Ela é a combinação de um sentimento de vazio com a ilusão de viver e conviver a vida com a pessoa que não existe mais. Torna-se mais intensa de noite, nos fins de semana, no Natal, na Páscoa, nos aniversários ou em alguma data importante para a família. Ninguém pode arrancar a dor do enlutado, porque ninguém pode tirar do coração o amor.
O sentimento de impotência é a incapacidade de organizar o próprio tempo e os objetivos da vida, dificuldades de tomar iniciativas ou decidir, medo do futuro e falta de segurança. Este sentimento pode manifestar-se mais intensamente nas pessoas que foram dependentes do seu cônjuge, ou viciadas e se encontram agora na dificuldade de organizar as contas, de dirigir o carro, e que são obrigadas a encontrar um companheiro para poderem se manter. Quanto maior for a dependência, tanto mais difícil será readquirir a confiança em si mesmo.
Neste caso o enlutado deve ver no seu pastor, no seu conselheiro, uma pessoa que tem profundo interesse  em ajudá-lo. Se isto ocorrer, então meio caminho já foi andado.

3 – REAÇÕES ESPIRITUAIS
3.1 – Sentimento de Culpa:
É sentida de diversas maneiras. É, em primeiro lugar, uma necessidade de auto-acusação: “Por que não me dei conta de quanto ele estava doente?” Pode também ser um sentimento de lamentação por não ter-lhe dado aquelas coisas boas e esquecer as debilidades e as falhas.
O sentimento de culpa é um componente da vida. Se formos capazes de identificar nossa culpabilidade, tornar-nos conscientes dela e superá-la, ela torna-se um agente de maturação. A sinceridade consigo mesmo e a manifestação deste sentimento podem apressar  o processo de cura. Mostrar-se forte, colocar uma máscara, pretendendo não ter problemas pode atrasar a cura. O sentimento de culpa é uma reação normal à ferida causada pela morte. Todos nós ferimos a pessoa a quem amamos, de uma ou de outra forma, dizendo palavras ásperas ou agindo de forma impaciente e egoísta.
A perda de uma pessoa querida nos fere, mas as feridas surgem para serem curadas. No entanto, o enlutado deve querer a cura. Ele não pode agir como uma criança que fica tirando a casca da ferida. Mesmo que a vida pareça ter perdido o seu significado, com a perda da pessoa que mais amava, ela precisa continuar.
Se nos sentimos culpados, devemos procurar o perdão. Nesta hora, é importante que o pastor mostre ao enlutado a divina graça de Deus. O perdão que Cristo nos deu através de sua morte na cruz. Ao enlutado devemos confortar, e dizer-lhe a não ter medo ou vergonha de falar sobre seus sentimentos de culpa. A pessoa enlutada deve desabafar, pôr para fora seus sentimentos de culpa.
3.2 – Ausência de Sentido
A pessoa enlutada vive em geral a experiência da falta de objetivo e de significado na vida, já que a pessoa amada morreu: “Agora para mim não existe mais nada, porque Deus não me leva também?”
A falta de respostas claras sobre a vida aqui neste mundo e a sensação de não termos o controle da vida levam a duvidar de que existe um ser supremo, Deus de amor. Queremos saber com segurança o que aconteceu à pessoa, após a morte, se está em paz, se a vida continua realmente ou não.
A pessoa enlutada precisa muito da atenção de seus amigos cristãos, da pessoa do ministro da Palavra de Deus. Senão, em alguns casos, é vítima do Espiritismo ou de outras seitas.
3.3 – Aceitação:
Devemos dar tempo ao tempo para o enlutado aceitar a morte. A aceitação da morte permanece como condição necessária para continuarmos nossa jornada pela vida. Não haverá melhoras, até que a enfrentamos. Muitas vezes é difícil compreender que o que aconteceu foi real e a vida mudou. O que é importante, é compreender o que aconteceu. O único meio de lidar com a morte é admiti-la. Não podemos lutar contra ela. Só podemos aceitá-la, não importando quão penosa possa ser.

4 – REAÇÕES SOCIAIS:
4.1 – Ressentimento:
Pode sentir-se ofendida e ressentida se alguém com boas intenções, deixar de recordar o falecido. É como se quisesse dizer: “Ninguém, amigos ou familiares, se incomoda mais em lembrar ou chorar comigo. Gostaria de gritar bem alto: Conversem comigo! Conversem comigo!”
A maior necessidade do enlutado é ter alguém para compartilhar sua dor, sua lembranças, sua tristeza. Na vida só podemos aceitar aquilo que podemos compartilhar. As pessoas enlutadas precisam de alguém que lhes dê tempo e espaço para sofrer.
Nossas lembranças e sentimentos partilhados com pessoas que estão sofrendo, é particularmente útil e terapêutico. Nós aprendemos a entender nossa experiência como normal… a estar atentos às diferentes maneiras de luta… a compreender que as respostas para o nosso sofrimento e para a nossa vida estão dentro de nós, no momento em que nos tornamos livres para dar e receber de maneira franca e carinhosa.
4.2 – Sentimento de não pertence:
Sente-se uma carta fora do baralho. A sociedade é basicamente voltada para o casal. Pessoas sozinhas sentem-se deslocadas. A pessoa enlutada experimenta, por vezes, medo de reentrar na sociedade e ansiedade em restabelecer novos relacionamentos. Para evitar novos sofrimentos e proteger-se da própria vulnerabilidade, fica em casa. A casa torna-se uma fonte de conforto e ao mesmo tempo um ninho de tristeza. Para preencher o vazio e superar o sentimento de solidão liga o rádio e a TV e assiste programas sem parar, o rumor e a música são um meio para cobrir o silêncio de uma casa vazia.
Para superar a dor, o enlutado não deve só esperar ser compreendido. Procurar a companhia de outros que passam pela mesma experiência lhe fará bem. É ajudando outros que se encontram em situação idêntica que ele apressará sua cura. E acima de tudo, deve olhar para o futuro eliminando atitudes como: “Não há nada que me faça feliz!” Tomar decisões sobre sua vida o ajudará a ganhar algum controle sobre ela e aumenta a autoconfiança.
4.3 – Sentimento de Transformação:
Na dor, a pessoa muda sua própria imagem. Gente quieta e passiva pode tornar-se extrovertida e ativa, e vice-versa. Muitas pessoas frias aprendem a ser humanas e a falar com o coração. Aprende a fazer coisas que nunca tinha feito antes e cada novo resultado alcançado ajuda a pessoa a sentir-se novamente bem na vida.
A ajuda e o conforto dos amigos é muito importante, pois leva a pessoa enlutada a sentir que não é deixada sozinha, que tem valor. Aprende assim a adaptar-se aos novos papéis (viúva, viúvo).
A perda de uma pessoa querida é uma das piores coisas que pode nos acontecer neste mundo, mas é também um meio de Deus nos educar, amadurecer, fazer olhar para o alto, levar a descobrir novos valores, levar a fazer novas amizades e nos fazer ver que este mundo não é nossa verdadeira e definitiva pátria.

3 AS TENTAÇÕES DO SOFRIMENTO
O homem está sujeito a inúmeras tentações: tentações do sexo, do dinheiro, do orgulho, do ódio e assim por diante. Mas geralmente não pensamos nas tentações do sofrimento. Elas existem e podem afastar o homem da sã doutrina e do próprio Deus, jogando-o na sarjeta e o destruindo.
1 – APATIA:
É a ausência de sentido, a mesma coisa que indiferença. É o estado em que a pessoa não apresenta sensíveis reações emocionais ante situações que normalmente suscitam tais respostas. Esta anormalidade não é necessária. Não é requerida pelo espírito cristão. Observamos como Jesus chorou frente à dor causada pela morte de Lázaro (Jo 11.35), como Ele não escondeu dos discípulos a sua reação ante o sofrimento do Getsêmani: “A minha alma está profundamente triste até à morte” (Mt 26.38).
A apatia não ajuda nada. É quase sempre uma mentira mental e uma porta aberta ao fatalismo, aquela atitude de que desencoraja qualquer resistência ao sofrimento. O fatalista diz com muita simplicidade: “É como Deus queria”.
2 – MASOQUISMO:
Aqui o que acontece não é apatia, mas prazer. Sente-se prazer com o próprio sofrimento. Outra tentação muito séria. A pessoa se acostuma com a dor e passa a gostar dela. Uma das razões porque se comporta assim é para continuar a chamar a atenção e o cuidado dos outros, dos quais se valeu durante algum tempo.
Paulo em 2 Co 12.10 diz: “Sinto prazer nas fraquezas, nas injurias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo”. Aqui não se trata de masoquismo. O prazer não está no sofrimento, mas naquilo que o sofrimento produzia em Paulo – maior dependência de Deus e melhor apropriação de recursos provenientes de Deus. O contexto mostra que Paulo não foi nem apático e nem masoquista no que se refere ao chamado espinho na carne. Ele aceitou e entendeu a resposta de Deus e com esta resposta se satisfaz. Daí a explicação: “Quando estou fraco, então é que estou forte”.
3 – SUPERINDAGAÇÃO:
A preocupação com a causa do sofrimento até certo ponto é justa e sadia. O grande problema é que o homem tem errado muito na tentativa de descobrir a razão do sofrimento. Gasta-se mais tempo com a análise do sofrimento do que com a busca da solução. E esta superindagação da dor toma ares altivos e desrespeitosos com Deus: se Ele não me der uma explicação detalhada e convincente, eu me decepciono e me sinto à vontade para me afastar de Deus.
O livro de Jó conta que Elifaz, Bildade e Zofar estavam tremendamente enganados quando atribuíram o sofrimento de Jó a alguma iniqüidade daquele a respeito de quem Deus declarou ser íntegro e reto (Jó 1.1). Não podemos atribuir ao pecado próprio a razão do seu sofrimento.
A paraplégica Joni Eareckon, que experimentou tremendo sofrimento sugere uma atitude muito sábia: “Quando as peças do quebra-cabeça não se encaixam, deixemos que Deus seja Deus”.
4 – EXAGERAÇÃO:
É muito fácil dramatizar. É muito fácil espalhar a dor por todo o corpo, quando apenas o joelho está doendo. É muito fácil esquecer o recado do Sl 30: “Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã”. É muito fácil exagerar o tamanho e o tempo do sofrimento ou daquilo que nos leva ao sofrimento. Para vencer esta tentação bastante comum é necessário ter em mente que Deus nos criou com a capacidade de suportar a dor e até a tragédia. É muito melhor descansar nesta capacidade do que exagerar na dor.
5 – FIXAÇÃO:
Há pessoas que recusam qualquer alívio. É o caso de Jacó, cujo filho José foi dado como morto. Todos os seus filhos e filhas levantaram-se para o consolar, mas Jacó não quis ser consolado e disse: “Chorando, descerei a meu filho até a sepultura” (Gn 37.35). Esta tentação é muito comum.
A fixação fecha a porta ao alívio e dispensa o consolo que o passar do tempo produz. Isso pode provocar traumas, que mais tarde darão sofrimento maior. As vítimas de fixação da dor acreditam que a fixação é um desrespeito à memória daquele que partiu. Cria um ambiente doentio. Param no tempo. Entregam-se à dor e não esboçam a menor reação. Para o meu próprio bem e dos outros que me cercam, não devo me amarrar à dor de tal modo que me impeça qualquer desligamento e conseqüente alívio.
6 – AMARGURA:
A amargura não é só tristeza. É muito mais que tristeza. É a mistura do sofrimento com o ressentimento e seus associados: decepção, ódio, ira e agressividade. O coração amargurado é tão desagradável e nocivo que a Palavra de Deus declara enfaticamente: “Não haja, em voz alguma raiz da amargura que, brotando, vos perturbe, por meio dele, muito sejam contaminados” (Hb 12.15).
É preciso dissolver a amargura do sofrimento, pois, somente assim, a dor que queima e arde em nosso peito pode ter um fim.
7 – DESVIO:
A maior de todas as tentações do sofrimento é a perda dos padrões de fé e comportamento. Por causa do sofrimento uma pessoa pode entregar-se à bebida e aos tóxicos. E pior: o sofrimento pode conduzir, o homem além de à outras formas de corrupção, ao suicídio. O raciocínio é simples: Deus falhou, deixando-me sofrer; logo, não tenho compromisso com Ele”.
Pior que a perda dos padrões de comportamento, é a perda dos padrões de fé. O que pode levar a não só a aderência a outras doutrinas contrárias a Palavra de Deus (o espiritismo com sua explicação ou teoria sobre o sofrimento humano), mas também ao abandono do próprio Deus, partindo-se para a total descrença: “Deus não existe”.
Nestes momentos de dúvidas e questionamentos, não é justo que o enlutado tenha de suportar sozinho a aflição. A Palavra de Deus sempre deverá ser o elo que nos deve levar a consolar os que sofrem a perda de um ente querido. Lemos em 1 Ts 5.14: “…consoleis os desanimados, ampareis os fracos, e sejais longânimos para com todos”. Mt 5.4 diz: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”. Na Bíblia encontramos palavras confortadoras para estes momentos difíceis. Por isso o pastor é a pessoa mais indicada para levar o conforto.

4 O ACONSELHAMENTO
“O homem que ama a Deus é bom conselheiro, porque é justo e honesto, e distingue o certo e o errado” (Sl 37.30-31).
A fim de ajudar a pessoa, o aconselhamento busca estimular o desenvolvimento da personalidade: ajudar os indivíduos a enfrentarem de forma mais eficaz os problemas da vida, os conflitos íntimos e as emoções prejudiciais; prover encorajamento e orientação para aqueles que tenham perdido algum querido ou estejam sofrendo uma decepção; e para assistir as pessoas cujo padrão de vida lhes causa frustração e infelicidade. Além disso, o conselheiro cristão busca levar o indivíduo a uma relação pessoal com Jesus Cristo e seu alvo é ajudar outros a se tornarem, primeiramente, discípulos de Cristo, e depois, discipularem outros.
1- A BÍBLIA E O LUTO:
A Bíblia é um livro realista que descreve a morte e sofrimento subseqüente de muitas pessoas. No AT, lemos sobre a presença de Deus quando “andamos pelo vale da sombra da morte”; lemos descrições de pessoas ssofrendo momentos de perda e perturbações, aprendemos que a Palavra de Deus fortalece os que sofrem; e somos apresentados ao Messias como “o homem de dores e que sabe o que é padecer…Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si” (Is 53.3-4).
1.1 – Cristo e o significado do luto:
Os incredulos que sofrem sem esperança para o futuro são muitos. Para esses, a morte é o final de relação. Mas o cristão não pensa desta forma. Em duas passagens mais claras sobre este assunto no NT, aprendemos que “se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará juntamente em companhia os que dormem” (1 Ts 4.14).
Podemos “consolar-nos uns aos outros com estas palavras” (1 Ts 4.18) convencidos que no futuro “os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados… E quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória” (1 Co 15.52-54).
Para o cristão, a morte não é o fim da existência, mas a entrada da vida eterna. Aquele que crê em Cristo sabe que os cristãos estarão “para sempre com o Senhor”. A morte física continua presente porque o diabo tem “o poder da morte”, mas devido `a crucificação e ressurreição, Cristo derrotou a morte e prometeu que aquele que vive e crê nEle “jamais morrerá” (1 Ts 4.17; Hb 2.14-15; 2 Tm 1.10; Jo 11.25-26). Assim, os crentes são encorajados a se manterem firmes, inabaláveis e fazendo sempre a obra do Senhor uma vez que tais esforços não são em vão quando temos a segurança da ressurreição.
1.2 – Cristo demonstrou a importância do luto:
Bem cedo em seu ministério, Jesus pregou o Sermão do Monte e falou sobre o sofrimento: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”, disse Ele. O choro foi tomado como certo. Ele era aparentemente visto como um sinal positivo, visto que é citado entre um grupo de qualidades desejáveis como a mansidão, humildade, misericórdia, pureza de coração e pacificação. Talvez possamos presumir de acordo com esta passagem que sem o choro, não será possível oferecer consolo.
Quando Lázaro morreu, Jesus ficou perturbado e profundamente comovido. Ele aceitou, sem comentários, a ira aparente de Maria, irmã de Lázaro e chorou com os que estavam se lamentando. Jesus sabia que Lázaro logo seria ressuscitado dentre os mortos, mas mesmo assim o Senhor sofreu. Ele também afastou-se amargurado ao saber que João Batista tinha sido executado. No Jardim do Getsêmani, Jesus ficou “profundamente triste”, talvez com uma tristeza antecipada, mas intensa, semelhante a experimentada por Davi ao observar a morte de seu filho pequeno.
2 – O ACONSELHAMENTO PASTORAL
A Escritura nos serve de orientação e guia. O pastor, como guia espiritual, tem uma importante tarefa a cumprir com os que choram a perda de uma pessoa amada. Em Tg 1.27 fala-se em “visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações…” Este texto mostra com muita clareza que os enlutados devem ser assistidos. A história da ressurreição do filho da viúva de Naim mostra que Jesus se compadeceu da viúva e restituiu a vida ao filho da viúva.
David Switzer, em seu livro “The Minister as Crises Counselor”, diz que:
“O ministro deve procurar a família ou a pessoa do enlutado logo que é informado da morte, e esta visita deve ser de caráter privado. Na segunda visita, antes do funeral, o ministro deve perguntar sobre a morte e suas circunstâncias. O terceiro passo é o funeral. O quarto passo é uma visita dentro de dois ou três dias após o funeral. Finalmente, durante as primeiras seis semanas, deve haver semanalmente uma conversação pastoral com os enlutados, e durante as seis semanas seguintes, visitas a cada dez dias, depois a cada duas semanas”.
Switzer também apresenta alguns pré-requisitos para o aconselhamento aos enlutados:
“Primeiro o ministro deve proceder de tal forma com seus sentimentos concernentes à morte, e, mais especialmente, em relação à sua própria morte, que sua própria vida seja um testemunho. Segundo, o ministro deve ter uma dedicação especial para com as pessoas aflitas que o procuram, usando sua iniciativa pastoral com coragem, criatividade e sensibilidade. Terceiro, o ministro deve entender sobre as dinâmicas do luto, e sobre o curso de ação e sobre as necessidades das pessoas enlutadas. Finalmente, o ministro deve ter alguma noção sobre o tratamento com as pessoas, que o habilitará a utilizar sua afinidade com os enlutados ao longo do tratamento”.
O pastor, em suas primeiras visitas ao enlutado, deve fazer sentir ao enlutado que o quer ajudar, que o quer ouvir sua aflição e dor. E para que isto aconteça é importante ajudar o enlutado a falar sobre a pessoa amada e as causas da morte. Ajudar a lembrar os bons momentos juntos que passaram quando em vida. O pastor deve se colocar como um ouvinte atento, escutar o que o enlutado tem a dizer. É bom que  enlutado ponha para fora os seus sentimentos.
O pastor como ouvinte deve estar atento para com os sentimentos do enlutado. Deve estimular todos os esforços de pessoa enlutada, para que enfrente a crise com toda maturidade. Deve trabalhar através através dos sentimentos feridos. No entanto, quando o pastor encontra, ou percebe que seu trabalho de aconselhamento está sendo bloqueado, deve então encorajar a pessoa a falar sobre sua afinidade com o falecido, e continuar a fazê-lo até que os elementos negativos sejam superados.
O luto deve ser curado de dentro para fora. O enlutado deve pôr para fora todos os seus sentimentos em relação ao falecido. Isto nem sempre é fácil. O pastor, deve procurar facilitar ao enlutado o caminho à nova realidade. Ouvir o enlutado e estar ao seu lado é muito importante.
O papel do pastor para com o enlutado é sumamente importante. Deve o pastor ser grande observador de toda a situação que passa e enfrenta o enlutado, isto para ajudar melhor na sua recuperação. A Palavra de Deus no aconselhamento é fundamental. O enlutado deve saber que a vida é regida por Deus. Que nossos planos não são os planos dele. Que todos, mais cedo ou mais tarde, vamos partir. Que esta vida aqui é apenas um preparo constante para a vida eterna com Deus. E então as perguntas do porquê isto tinha de acontecer já não serão mais perguntas que exigem respostas para tal pergunta. Cabe-nos dialogarmos com os enlutados e mostrar-lhes que Deus é o autor da nossa vida, sabe e faz tudo para o bem daqueles que o amam. No Sl 43.1-5 o salmista faz indagações pelo porquê. E no final a resposta é: “É preciso continuar a esperar no Senhor! Um dia hei de agradecer-lhe: Tu me libertaste, tu és meu Deus”.
Na Bíblia, a Palavra de Deus, temos diversos exemplos de pessoas que sofreram a perda de pessoas amadas. Deus, no entanto, não tirou de sobre eles seu braço forte. Jó quando em dificuldades, quando na dor, foi assistido por amigos. Ficaram ao lado de Jó para o ajudar. Este é um exemplo que deveríamos seguir. Ficar ao lado do enlutado. Ouvir o enlutado. Mostrar-se pronto para ajudar.
O aconselhamento pastoral é estremamente delicado, mais ainda quando se trata do aconselhamento a enlutados. Ao enlutado não é fácil, em certas ocasiões, dirigir as palavras certas no momento certo. Na maioria das vezes (para não dizer sempre) cabe ao pastor esta nobre (sim, nobre) tarefa de levar o consolo e a esperança para aqueles que sofrem.
Todos nós, como ministros de Cristo, fomos chamados para sermos médicos de almas, a fim de sarar as feridas ou enxugar as lágrimas. Nosso Senhor dará sabedoria ao seu ministro e se manifestará por intermédio dele, como o terno e cuidadoso amor do Bom Samaritano; e assim o pastor será capaz de derramar o vinho e o azeite sobre a ferida, tratando-a suavemente. Quão elevado e divino é este ministério, e quão próximo está do próprio Deus o homem que pode cuidar, com carinho eficiente, dos corações que estão a sangrar.

CONCLUSÃO
Este trabalho é muito pequeno para poder medir, analisar e dar soluções para cada caso que envolve o luto. Também não era este o propósito deste trabalho. Mas uma coisa é certa: Os enlutados sempre estarão em nosso meio. O próximo poderá ser eu ou você. Eles estão nos necrotérios, nos cemitérios, nas capelas e até dentro de nossas comunidades a espera de uma palavra de esperança e ânimo… algumas vezes, para não dizer sempre, apenas de nossa solidariedade e companhia.
Queira Deus que este trabalho tenha atingido o mínimo possível do seu objetivo, para que pudéssemos compreender algumas situações e sentimentos que envolvem o enlutado, para que quando pastores (a quem cabe a tarefa de acompanhar o enlutado), possamos  compreender o quanto precisamos  ajudar aos que ficam com a dor e a saudade.

BIBLIOGRAFIA
1 BATCHELOR, Mary. Caminhando com a dor. São Paulo: Paulinas, 1991.

2 BAUMAN, Harold. Superando o Luto. São Paulo: Paulinas, 1991.

3 BIBLIA SAGRADA, João Ferreira de Almeida, 2º ed. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil.

4 COLLINS, Gary. Aconselhamento Cristão. trad. Neyd Siqueira. São Paulo: Vida Nova, 1995.

5 FABER, Breno. O Aconselhamento Pastoral na Crise do Enlutado, Ig. Lut. III Trim., 1984, pg.10-14.

6 KISSLER, Breno. Aconselhamento e Assistência a Enlutado. Ig. Lut. III – IV  Trim., 1984, pg.14-21.

7 OLINTO, Rubem. Luto: Uma dor perdida no tempo. Rio de Janeiro: Vinde Comunicações, 1993.

8 REGAUER, Elmar. A Dor do Enlutado: Compreenda-o. Santa Maria: CEL “Cristo”, 1986.

9 ROSA, Rubem. Aconselhamento Pastoral à Enlutados. MonoGrafia apresentada à Faculdade de Teologia do Seminário  Concórdia. São Leopoldo, 1985.

(CEDENIR HOECKEL – São Leopoldo, 1998)

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