Rm 8.35-39 – Contratempos ( Sermão)

Romanos 8.35-39

CONTRATEMPOS

Todos nós conhecemos o hino “Já refulge a glória eterna”. Ele está praticamente em todos os hinários e é muito cantado nas igrejas. O estribilho desse hino diz: “Glória, glória, aleluia!” que é repetido três vezes. Como este hino tem três estrofes, o “Glória, glória, aleluia!” é repetido nove vezes toda vez que este hino é cantado.

É muito fácil cantar “Glória, glória, aleluia!” quando tudo vai bem, quando se está contente e feliz. Porém, quando as coisas ficam difíceis, nas horas de sofrimento e dor, aí a coisa muda de figura. Nessas horas é mais fácil xingar, praguejar e reclamar do que louvar a Deus.

Muitas pessoas são bons cristãos quando vai tudo bem na sua vida, quando estão num mar de rosas. Quando tudo vai bem, vêm aos cultos, contribuem e até lêem algumas vezes a sua Bíblia. Mas quando as coisas ficam difíceis, quando vêm os contratempos, então ficam com raiva, fecham a cara e abandonam a igreja.

Aliás, é nos contratempos, nas dificuldades e momentos difíceis que se conhece a vida espiritual de uma pessoa e se descobre se ela é realmente cristã ou não. Uma pessoa na dificuldade faz uma das duas coisas: ou se revolta contra Deus ou se refugia nele. E, dependendo da sua fé, ela até o louva.

Quantas pessoas que diziam ser cristãs, quando ia tudo bem na sua vida liam a Bíblia, freqüentavam os cultos e ajudavam na manutenção da igreja. Mas quando entraram em dificuldades abandonaram a sua fé e se tornaram em inimigos de Deus.

Certa vez um homem fez uma grande plantação de trigo. Ele esperava colher naquele ano tanto trigo como nunca havia colhido. Porém, para a sua desgraça a chuva começou a faltar bem na hora em que o trigal estava soltando cacho. E pouco a pouco a sua esperança de uma grande colheita se foi indo.

Quando ele viu que não ia colher nada naquele ano, começou a reclamar e a zombar de Deus. Até que finalmente resolveu pegar a espingarda para dar um tiro no sol, afirmando que se aquilo fosse o olho de Deus ele o estouraria. Só que o tiro, em vez de estourar o olho de Deus, estourou os seus próprios olhos, como um castigo divino.

Outro homem perdeu a esposa num acidente de carro. Todo dia ele ia ao cemitério, onde levantava os punhos para os céus e reclamava de Deus, querendo saber por que Deus tinha levado a sua mulher.

Porém, a pessoa que é de fato cristã, age diferente. Mesmo não entendendo porque certas coisas acontecem com ela, ela confia em Deus e se conforma com a sua vontade. E, em lugar de se revoltar contra Deus e se afastar dele, se aproxima cada vez mais dele e o busca. Como os pintinhos que em meio aos perigos buscam as asas da mãe galinha, assim o cristão, em momentos de dificuldades, refugia-se em Deus. Diz a Palavra de Deus no Salmo 46: “Deus é nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações. Portanto, não temeremos ainda que a terra se transtorne e os montes se abalem no seio dos mares, ainda que as águas tumultuem e espumejem e na sua fúria os montes estremeçam”.

E o apóstolo Paulo no nosso texto acrescenta dizendo: “Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 8.35-39).

Paulo e Silas haviam sido presos em Felipos. Eles eram cristãos e não tinham feito nada de errado. No entanto, foram presos como se fossem criminosos. Depois de haverem sido surrados com quarenta lambadas de chicote, que deixou marcas profundas no seu corpo, foram levados para o fundo da cadeia, onde tiveram que suportar o frio e o mau cheiro da prisão.

Era de se esperar que eles ficassem tristes e se revoltassem contra Deus, que deixou que eles fossem presos e sofressem inocentemente. Mas, o que eles fazem? Eles louvam a Deus, deixando todo mundo impressionado, até mesmo o guarda da cadeia.

Jó, além de cristão, era muito rico, dono de muitas terras e gado. E, de uma hora para outra, ele perdeu tudo o que tinha: o seu gado, a sua casa, a sua mulher e os seus filhos.

Mas Jó não se revoltou contra Deus. Antes, pelo contrário, ele o louva, dizendo: “Nu saí do ventre da minha mãe e nu voltarei. O Senhor o deu e o Senhor o tomou, bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1.21).

A história nos conta que quando os cristãos do primeiro século, por causa de sua fé, eram lançados para dentro das jaulas de animais ferozes para serem devorados pelos leões famintos, eles davam as mãos uns aos outros e começavam a cantar hinos de louvor.

No Antigo Testamento encontramos a história de Habacuque, o autor de um dos livros da Bíblia que leva o seu nome. Habacuque estava enfrentando um contratempo muito grande na sua vida. Ele havia formado um bonito pomar, havia enchido a sua terra de plantação. Mas, de repente veio a seca e tudo começou a morrer: o seu gado, o seu pomar e a sua roça.

E, diante da seca, da morte dos animais e da fome, o que faz Habacuque? Ele se revolta contra Deus? Não. Ele o louva e exalta, dizendo: “Ainda que a figueira não floresce, nem há fruto na vide. Ainda que o produto da oliveira mente e os campos não produzem alimento. Ainda que as ovelhas forem arrebatadas do aprisco e no curral não há gado. Eu, todavia, me alegro no Senhor: exulto no Deus da minha salvação” (Habacuque 3.17-18).

A pergunta que se faz é: Por que esse homem conseguia se manter firme? Por que Habacuque não se desespera no meio da provação e amaldiçoa a Deus? Ele mesmo nos responde, dizendo: “O Senhor Deus é a minha fortaleza, ele me faz andar altaneiramente” (Habacuque 3.19).

Aqui está a explicação porque Habacuque, apesar de todos os contratempos, se mantinha firme: era Deus que lhe dava força para isso e o fazia andar de cabeça erguida. É como diz o profeta Neemias no capítulo 8 do seu livro: “A alegria do Senhor a nossa força é”. E um hino muito conhecido, baseado neste texto, acrescenta dizendo: “Se tu tens alegria poderás cantar, se tu tens alegria poderás sorrir, se tu tens alegria poderás dizer: alegria sem medida ele (Deus) dá”.

Paulo, Silas, Jó e Habacuque eram homens de muita comunhão com Deus. Eram homens de oração, pessoas que viviam realmente a sua fé. Esse era, portanto, o segredo de sua vida: a comunhão com Deus.

Esse é também o segredo para nós hoje, se quisermos superar as dificuldades da vida do dia-a-dia: a comunhão com Deus através da fé em Cristo Jesus.

Só Deus pode nos ajudar nas horas de provação, de dificuldades e problemas. Ele o faz, fortalecendo a nossa fé, mediante o uso constante da sua Palavra.

Por isso, procuremos manter-nos em constante comunhão com Deus, lendo a sua Palavra, orando, participando dos cultos e da Santa Ceia. Só assim, fazendo uso dos meios que Deus nos deu, é que podemos nos manter firmes quando vierem as dificuldades da vida. Que Deus nos abençoe. Em nome de Jesus. Amém.

Rev. Lindolfo Pieper

piperlin@uol.com.br

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