Mt 14.22-33 – Estudo Homilético

     Embora a companhia de Jesus com os discípulos durante a ceia tenha terminado, a presença Dele com o que é seu não cessa nunca. Ele reencontra-se com os discípulos em águas tempestuosas respondendo ao pedido de quem o busca sua vontade respondendo: “Venha, Pedro”. A pequena fé perde a visão da grandeza do Cristo onisciente e interrompendo a comunhão com Jesus. Entretanto, mesmo assim a pequena fé pode clamar por ele e ser salvo. É um caminho aberto! Ele é Deus, o Filho de Deus, pronto a ouvir e salvar. Ele “sempre estará com os discípulos até o fim dos tempos” (28.20). (Roehrs, Walter R. and Franzmann, Martin H., Concordia Self-Study Commentary, St. Louis, MO: CPH) 1988, 1979).

     Um detalhe que passa quase despercebido na insegurança dos discípulos e naufrágio de Pedro é o lado humano da fé, que mesmo dirigida a nosso Senhor, muitas vezes é inadequada, tanto sua forma como expressão. Na invocação “Senhor, Salva-me”, Pedro chama nosso Senhor depois de confiar em si apenas, mas ainda que no equivoco, demonstra saber onde ir buscar ajuda. Isto também nos conduz ao ensino do Segundo mandamento. A confissão de Pedro aqui pode ser considerada como um prelúdio para a grande confissão registrada em Mt 16.16.

Introdução: A idéia que se faz a respeito da fé é a de confiar em alguém, numa receita, se convencer de algo, em alguma coisa ou na capacidade que se tem em si. Entretanto, quando as coisas apertam, quando o cheque especial e o gerente do banco não podem mais ajudar, quando o plano de saúde e a capacidade médica não pode mais aliviar, quando a receita “o que fazer para… é exaurida”, quando nossa sabedoria e capacidade são totalmente esvaziadas, quando nossas convicções são traídas e reduzidas a nada, somos como Pedro e clamamos:

SENHOR, AJUDA-ME!

I. Já se sentiu assim? Bem, é impossível ao homem sair da tempestade sozinho

1. Elas são maiores que nós e a sabedoria humana não é suficiente para resolvê-las.

a. Quem pode resolver o problema da corrupção, pobreza, falta de dinheiro e etc?
b. Quem pode solucionar crises, sentimentos de perdas e toda a sorte de sofrimento!

c. Podemos dar respostas a isso, mas essas questões sempre voltam, e acabam nos aprisionando em nossas próprias certezas e convicções sem Cristo.

2. Somente quando “caímos em si” voltamo-nos para aquilo que pode nos ajudar e salvar

a. Não naquela “lei” que diz “como fazer para…” encontrada nos livros de auto-ajuda, espíritas e religiões orientais e nem nas revistas de entretenimento com roupagem de comportamento, que apontam para as atitudes e o “eu” e apenas cria uma roupagem externa de que “tudo está bem e tudo se superando”, como faz o Avestruz.

aa.  Dizer para si e tentar se convencer do bem-estar não significa inexistência de “tempestades”.

bb. Pedro caiu nesse erro e confiou em si para andar por sobre as águas e ir até Jesus e quando veio a tempestade… bem, afundou.

b. Cair em si, significa que a Palavra de Deus nos confrontou com próprio Deus, mostrando o que realmente somos, provocando ruptura interna e externa (Lei) nos indicando como caminho unicamente e apenas Cristo, o Senhor, Salvador e Auxiliador (Evangelho). Assim, se a lei nos diz: “Cuidado, você vai se afogar!” Ouçamos! Pois corremos o risco de morrer! Se por outro lado, se arrancados de nossos alicerces terrenos, Deus nos estende a mão através do Evangelho em Cristo, a recebamos com confiança e não duvidemos disso, pois o que o diabo deseja e semear a dúvida que temos um Deus que cuida de nós.

II. Outra coisa boa é que quem domina as “tempestades” nos deu a liberdade e usar o seu nome

1. Em todas as necessidades, orar por nós mesmos e pelo outro, louvar e agradecer por toda a sorte de bênçãos, tanto as terrenas quanto as celestiais

2. Assim sendo “Cristo”, “Jesus”, “Pai”, “Deus”, “Senhor”, “Redentor”, “Salvador”, “Consolador”… são mais do que meros nomes e palavras com significado litúrgico. Elas representam a essência e o coração daquilo que cremos: de um Deus que estende a mão como salva-vidas em meio ao desespero e nada. “… todo aquele que invocar Seu nome será salvo”. Este nome está acima de todos os nomes e todo o joelho se dobra a ele.

III. Assim, podemos no desespero e insegurança, como fez Pedro, invocar o nome de Jesus. Pois esse nome é para ser usado para isso

1. Pois Deus em Cristo, através do evangelho e sob a ação do Espírito Santo, nos dá uma procuração para buscá-lo em nossas crises e desesperos

2. Jesus vem ao nosso encontro e nos estende a mão

a. Não permitindo que nos afoguemos em nossa insegurança, oscilações de nossa fé e pecado. Foi por isso que Jesus subiu a cruz e nos e salvou da sentença de condenação.

b. Como está se sentido hoje? Uma casa vazia, uma verdadeira prisão na solidão, dor e tristeza esperam por você hoje? Não se esqueça que sua mão já está estendida, antes mesmo que você saia da igreja e volte para a sua vida. Não conclua precipitadamente que você está sozinho e foi abandonado. “Eis que estou convosco até a consumação dos séculos”. Coloque no coração essas palavras!

c. Temos a promessa de Cristo que ele não nos desamparará jamais

Conclusão: Lutero certa vez disse que nosso Deus é conhecido por criar todas as coisas do nada. Assim sendo, quando reduzidos a nada – em meio a dúvidas e inseguros nas tempestades da vida – Deus pode criar algo bom desse nada. Crês nisso?

Aragão, 2005

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