Mt 13.1-9(18-23) – Sermão

Mateus 13.1-9 (18-23)

Introdução

Mateus relata no capítulo anterior que Jesus expulsou um demônio de uma

pessoa que era ao mesmo tempo cega, muda e surda, – que sofrimento – e fez

com que o homem voltasse a enxergar, ouvir e falar. O povo ficou

maravilhado e as pessoas diziam: Não é este o filho de Davi, o Messias que

haveria de vir. (Mt 13.23) Mas os fariseus acusaram Jesus de que ele estava

fazendo isto pelo poder de Belzebu, isto é, pelo poder do diabo. (v.24)

Jesus lhes mostrou que isto era impossível, pois se um reino está dividido

entre si, perecerá. Assim, sua pregação em alguns corações gerou fé, mas

outros a rejeitaram.

Então Jesus se retirou dali e foi para sua residência em Cafarnaum, no mar

da Galiléia. No outro dia levantou cedo e foi para o mar. Grande multidão

se aglomerou em torno dele. Para poder falar melhor ao povo, Jesus entrou

num barco, à beira do mar. Fez do barco o seu púlpito e começou a ensinar a

multidão. Um dos primeiros ensinos foi a parábola do semeador. Isto nos

leva à pergunta: Por que a palavra de Deus é rejeitada por muitos e em

alguns produz os frutos desejados?

Que tipo de solo a palavra de Deus encontra em nós?

Uma parte caiu no caminho

Uma parte caiu em solo rochoso,

Uma parte caiu entre espinhos

E uma parte caiu em terra fértil.

1 – Uma parte caiu no caminho

Jesus inicia a parábola dizendo: Eis que o semeador saiu a semear. E, ao

semear, uma parte caiu à beira do caminho, e, vindo as aves a comeram.

(v.3,4) O próprio Jesus explicou a parábola. A semente é a palavra de Deus.

(Lc 8.11) O semeador é o próprio Jesus. Ao pregar a palavra de Deus, ele

realiza a mesma ação que o semeador ao lançar a sua semente, só num sentido

espiritual. Ele espalha a semente, a palavra de Deus, no coração de seus

ouvintes.

E o que Jesus diz nesta parábola, ele o diz em primeiro lugar a seus

ouvintes. O que ele lhes diz? Ele lhes diz que a pregação não opera frutos

em muitos de seus ouvintes. O pregador faz a mesma experiência que um

semeador. Este lança boa semente, mas uma parte da semente cai no caminho,

cuja terra é dura, a semente não pode penetrar. E vêm os passarinhos e a

roubam. Assim é o pregador. Ele tem a boa e poderosa semente da palavra de

Deus que ele lança, claramente pregada. Mas como o semeador, ele não tem o

poder de fazer esta semente germinar, lançar raízes e frutificar. Este

poder está na semente. Assim o pregador lança a poderosa palavra de Deus,

mas não tem o poder de fazer esta palavra operar vida nova, a fé e produzir

o fruto das boas obras. Mesmo tendo a Palavra este poder, muitos corações a

rejeitam e não trazem os frutos desejados.

É importante notar que nesta parábola, Jesus não está falando de pessoas

que não tiveram a oportunidade de ouvir a palavra de Deus, mas de pessoas

que ouvem a palavra de Deus, que querem ser cristãos. Destes Jesus está

falando nesta parábola. A culpa de não terem chegado à fé, não é do

semeador, nem da semente, mas dos corações endurecidos.

Jesus menciona aqui dois fatores: Não a compreenderam e vem o maligno e a

arrebata. O compreender é um processo. A palavra, que é poder de Deus, (Hb

4.12) entra em seus ouvidos, mas eles não permitiram a esta palavra

penetrar no coração. Sua consciência, que sentiu o ferrão da palavra de

Deus, se fecha diante dela. Ou a razão a despreza como loucura, não

permitindo que a Palavra penetre. Seus corações são como chão batido e

duro. Eles não permitem que a semente penetre. Então vêm as aves e roubam a

semente. Estas aves são as forças pelas quais Satanás atua, para roubar a

semente e impedir que ela penetre e germine. Por isso Estevão diz a seus

inimigos: Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos,

vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram vossos pais,

também vós o fazeis. (Atos 7.51 RA)

Na verdade, todos os corações humanos são por natureza como solo duro.

Confessamos na explicação do Terceiro Artigo do Credo Apostólico: "Creio

que por minha própria razão ou forço não posso crer em Jesus Cristo, nem

vir a ele." Mas a palavra de Deus é poder. O escritor aos Hebreus afirma: A

palavra de Deus, no entanto, é poderosa para penetrar e dividir medula.

Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer

espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito,

juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do

coração. (Hebreus 4.12 RA)

E nós, que solo somos nós? Damos lugar à palavra de Deus em nosso coração,

para que esta germine, nos conduza e mantenha em diário arrependimento e

fé, nos fortaleça para toda a boa obra? Importa que cada um se examine?

Há ainda uma outra classe de ouvintes.

II – Como que em rocha dura.

Outra parte caiu em solo rochoso onde a terra é pouca, e logo nasceu, visto

não ser profunda a terra. Saindo, porém, o sol a queimou; e porque não

tinha raiz, secou-se. (v.5,6) Todo o agricultor conhece tal solo. Entre as

pedras se a ajuntam folhas que apodrecem e formam uma terra muito boa e

retém boa umidade. A semente que cai ali germina logo, mas não pode

aprofundar suas raízes. Por isso, vindo o sol, a planta seca e morre. Jesus

explica: O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a palavra e a

recebe logo, com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, sendo, antes, de

pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da

palavra, logo se escandaliza. (Mateus 13.20-21 RA) São pessoas, digamos,

sentimentais, que, quando ouvem a palavra, logo a aceitam. Jubilam. Crêem

por um tempo, mas depois caem da fé.

Jesus diz que eles não têm raízes. Não permitiram que a palavra lance

raízes. Foram levianos com a palavra de Deus. E vindo as tentações:

desprezo, perseguições, problemas, eles abandonam a fé. Caem da fé.

A história da Igreja cristã está cheia de tais exemplos. Nos primeiros anos

do cristianismo muitos que aceitaram a fé, judeus e gentios, jubilaram, mas

provindo as perseguições, caíram da fé. No tempo de Lutero, dois anos após

sua morte, quando o imperador Carlos V invadiu Wittenberg para derrotar o

luteranismo, muitos abandonaram a fé.

Quantos confirmandos abandonam cedo a fé cristã. Cada ano as estatísticas

das Comunidades e da Igreja registram abandonos. Seja isto um alerta para

todos nós. Aproveitemos o tempo para crescer no conhecimento e na fé, para

sermos firmados e estabelecidos.

Há ainda uma outra classe mencionada por Jesus.

III – Como que entre espinhos.

Outra caiu entre os espinhos, e os espinhos cresceram e a sufocaram. Jesus

explica: O que foi semeado entre os espinhos é o que ouve a palavra, porém

os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra, e fica

infrutífera. (Mateus 13.7,22 RA) A boa semente caiu num coração e era a fé.

Mas a pessoa deixa que o inço, espinhos e outras ervas daninhas continuem

crescendo. São as preocupações pela vida, o amor ao dinheiro e aos prazeres

da vida. Ali a fé não pode se desenvolver. Ela é sufocada. Muitos querem

ser bons cristãos, mas não abrem mão do amor ao mundo. Eles se iludem com

uma falsa liberdade cristã, para continuarem vivendo em pecados. E não

permitem que a palavra de Deus os conduza a uma compreensão melhor da lei

de Deus, ao arrependimento, à fé e amor ao próximo.

Finalmente Jesus menciona a quarta classe:

IV – Em terra fértil.

Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto: a cem, a sessenta e a trinta

por um…

Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende;

este frutifica e produz a cem, a sessenta e a trinta por um. (Mateus

13.8,23 RA)

O que é esta terra fértil. De primeira vista parece que o mérito é da

terra, que estes ouvintes são por natureza melhores. Mas sabemos que por

natureza somos todos igualmente corrompidos pelo pecado, espiritualmente

cegos, mortos e inimigos de Deus. Se não fosse lançada ali a boa semente,

nada produziriam.

Nestes ouvintes, para assim dizer, a lei fez o seu trabalho com

profundidade. Penetrou. Quebrou a resistência natural. Lavrou como um arado

que quebra a terra dura e arranca os espinhos, e o evangelho, a boa

semente, pôde penetrar, germinar, criar a vida, a fé, e levar a planta da

fé produzir os frutos.

Tais pessoas não ouviram somente com os ouvidos, mas também com o coração.

E, uma vez levados à fé, se apegam à palavra, vivendo diariamente em

arrependimento e fé, produzindo frutos dignos de arrependimento. Amando a

Deus e ao próximo. Ainda em fraqueza, mas crescendo em amor, paciência,

cordialidade e renúncia ao pecado e as tentações de nosso tempo.

Jesus termina esta sua parábola dizendo: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

(v.9) Com isto nos exorta: Provai-vos, examinai-vos se estais na fé. (2 Co

13.5) Que coração é o meu: duro como um caminho pisado? Como uma rocha que

não permite a semente lançar raízes, cheio de espinhos de amor ao mundo que

sufoca a fé? Ou estamos apegados à sua palavra, crescendo na fé, trazendo

os devidos frutos.

Oração: Abre, Senhor, os nossos ouvidos e nosso coração, para não sermos

somente ouvintes, mas praticantes da mesma, (Tg 1.22) para trazermos muitos

frutos. Amém.

São Leopoldo, 28/06/2008

Rev. Horst R. Kuchenbecker

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