Mt 13.1-9 e 18-23 – Vamos semear a Palavra de Deus!

Queridos irmãos e irmãs no Salvador Jesus.

"Certo homem saiu para semear". No tempo de Jesus não havia semeadoras

mecânicas como hoje, que plantam econômica e eficientemente as sementes no

solo com pouca chance de serem levadas pelo vento ou espalhadas em outros

lugares. Hoje a semente vai exatamente onde o agricultor quer plantá-la.

Semear naquele tempo era andar pela lavoura, de ponta a ponta, jogando

sementes sempre no mesmo ritmo e jeito. Algumas sementes seriam levadas

pelo vento, e como as sementes eram levadas nas mãos, algumas simplesmente

cairiam em lugares que não eram a boa terra recém preparada pelo

agricultor. O jeito do agricultor semear suas sementes na parábola que

Jesus conta leva a um grande desperdício. Algumas sementes caem ao longo do

caminho, algumas sobre o solo cheio de pedras e algumas entre os espinhos.

Que desperdício!

Hoje em dia nós estamos cada vez mais conscientes da necessidade de

economizar e reciclar. Somos incentivados a separar lixo seco e molhado,

garrafas, vidro, latas e papel para serem reciclados. Somos lembrados a não

desperdiçar os recursos não renováveis como água, energia elétrica,

combustível e etc. Nossa sociedade brasileira está sendo ensinada a

preservar, economizar e reciclar o máximo possível. Quem tem filhos, por

exemplo, tem que se acostumar estar sempre apagando luzes, fechando

torneiras e controlando o uso da TV para economizar energia.

Quando olhamos para a Bíblia, vemos vários exemplos que nos parecem

desperdícios. A mulher que derramou um perfume caríssimo sobre a cabeça de

Jesus, que os próprios discípulos acharam um desperdício e preferiam que

fosse vendido e dado o dinheiro aos pobres; o samaritano que gastou seu

tempo e dinheiro, e arriscou sua vida para ajudar o homem caído na estrada;

o pastor que arriscou o bem-estar de 99 ovelhas para buscar uma que se

perdeu, até encontrá-la.

Podemos imaginar quantas pessoas realmente viram e ouviram Jesus

pregando e contando parábolas como essa do semeador, e ainda quantas dessas

creram nele e o seguiram. Podemos dizer que uma boa parte das palavras e

esforços de Jesus foram "desperdiçados", à toa. Muito do que ele disse caiu

em ouvidos mortos, surdos. Muitos dos seus milagres foram oferecidos a

corações incrédulos. E apesar de todo o seu amor, suas palavras e seus

atos, a grande maioria pediu sua morte, gritando: "crucifiquem-no!" E o que

poderia ser maior desperdício que a morte de homem gentil, caridoso,

amoroso e, acima de tudo, inocente como Jesus? Ele entregou sua vida por

gente como essa! Que desperdício!

E aí temos essa parábola de Jesus hoje. Muito se pode dizer do

desperdício que há nela – algumas sementes caíram no caminho onde os

pássaros as comeram; algumas caíram sobre as rochas, onde germinaram mas

por causa das raízes fracas logo morreram queimadas pelo calor do sol;

algumas caíram entre espinhos, onde as plantinhas foram sufocadas. Que

desperdício de boa semente!

Jesus era muito realista. Ele sabia que haveria muito desperdício

quando viesse o evangelho e a vida cristã. Das milhares de palavras que são

lidas e faladas em um culto, quantas são ouvidas, levadas em consideração e

aplicadas à nossa relação com Cristo e à nossa vida na igreja? Nós estamos

distraídos, nossas mentes estão presas a tantos problemas e preocupações. O

que Deus tem a nos dizer é tão grande e nossa mente é tão pequena! Alguém

tem idéia de quantas palavras são desperdiçadas e ditas à toa aqui em

nossos cultos e estudos bíblicos? Deus fala, mas nós não ouvimos. Que

desperdício!

Mas este não é o final da história. A palavra do semeador não fala só

de desperdício, de sementes improdutivas, mas também de uma maravilhosa

colheita. Jesus tira a sua história exatamente do dia a dia de um

agricultor da Palestina de dois mil anos atrás. Sem exageros, aqui existe

um milagre. O agricultor semeia e uma grande parte das sementes é perdida,

mas algumas das sementes caem em terra boa e, fantástico, criam raiz,

crescem e produzem colheitas de 30, 60 e 100 por um!

O que aconteceria se o agricultor decidisse não semear por saber que

muitas das suas sementes seriam desperdiçadas? E se ele decidisse não

plantar por imaginar que haveria uma tormenta, granizo ou uma forte geada

naquele ano? O agricultor é um arrisca-tudo. Mas, ele tem expectativas

razoáveis de que a natureza está do seu lado. O semeador trabalha de acordo

com a sua esperança de fazer uma boa colheita. Ele não faz as sementes

germinarem, não é responsável pela sua fotossíntese, não carrega as espigas

de grãos. Mas ele semeia com a expectativa de que vai haver uma colheita,

uma compensadora colheita.

A parábola termina em alegria, na celebração de uma grande colheita. Há

desperdício sim, há esforço e sementes desperdiçadas, há decepção. A

semeadura não foi eficiente, mas a história termina com um grande sucesso e

uma memorável colheita.

Muitas vezes o desperdício nos dá uma desculpa para não fazer nada. Por

que entregar folhetos bíblicos às pessoas, se vai haver um grande

desperdício? Por que dedicar tempo, leitura, pesquisa, meditação e esforço

para escrever um sermão quando somente uma pequena parte dele será

realmente ouvida e guardada no coração, ou quando somente 30 ou 40% dos

membros da igreja vão vir ao culto para ouvi-lo? Para que ajudar aqueles

que vêm à igreja pedindo comida ou roupa, se isso não traz nenhum resultado

para nós? Por que continuar tentando falar de Jesus para meus parentes e

amigos, quando isso parece um desperdício de tempo e esforço, que não leva

a nada?

O desperdício em tudo isso, os poucos resultados podem nos dar uma boa

razão para ficar de braços cruzados. Mas Jesus não nos deixa neste ponto.

Ele promete uma colheita. Nosso trabalho, a sua Palavra e o testemunho da

igreja não são em vão. Há desperdício, há falhas, mas há também a promessa

de uma grande colheita. Tudo o que Deus nos pede é que nós continuemos a

pregar a Palavra de Deus sempre e em toda parte onde ela possa criar raízes

nos corações e vidas das pessoas.

Seguir a Cristo e semear a semente da sua Palavra é como plantar um

jardim. Nós colocamos as sementes no solo com a convicção de que há uma

força para crescer dentro delas que nós mesmos não podemos criar de modo

algum. Nós podemos plantá-las muito fundo ou muito raso. A falta de chuva

pode fazer o chão ficar duro, as pedras podem impedir algumas sementes de

criar raízes, as ervas daninhas podem sufocar algumas, mas um dia um

pequeno raminho verde rompe a terra escura e aparece, e nosso coração pula

de alegria!

Cristo chama cada um de nós como seus discípulos para simplesmente

semear as sementes, e fazer isso com amor e satisfação pela graça que temos

recebido dele. Ele nos chama como seus discípulos para pregar a Palavra que

fala do amor de Deus, para servir nosso próximo em necessidade, para

trabalhar com paciência, para fazer nosso melhor para ajudar os

necessitados, para fazer o que nós pudermos com as habilidades e dons que

nos foram dadas. E quando tivermos feito nossa parte, ele promete que nosso

trabalho nunca será em vão. Haverá resultados!

Algumas sementes cairão em boa terra e produzirão frutos. Nós não temos

que nos preocupar com o tamanho da colheita, ou quanto ela vai demorar para

crescer, ou mesmo se nós vamos viver para vê-la. Podemos deixar os

resultados para Deus.

Existe, é verdade, muito desperdício, frustração e falhas no reino de

Deus. É verdade que nós ficamos desanimados porque não vemos os resultados

da Palavra de Deus na obra imediatamente nas vidas das pessoas. Temos que

admitir que não nos firmamos mais em Deus e no seu amor semeando as suas

sementes e deixando os resultados com ele. Mas pela persistente graça de

Deus há uma colheita. Nós agradecemos a Deus que a sua Palavra nos declara

a alegre notícia do perdão em Jesus Cristo para nossas falhas em ser

semeadores da Palavra de Deus, para o monte de desculpas que damos por não

cumprirmos nosso chamado de discípulos.

Que Deus possa nos dar a sabedoria para responder ao chamado de Jesus

para ser semeadores fiéis e dividir com outros a Palavra de Deus que diz

que tanto nós como eles podem estar lá no dia em que Jesus fizer a sua

colheita para a vida eterna. Amém.

Rev. Lendro Daniel Hübner, 13.07.2002, adaptada

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